10.8.06

Surströmming

Surströmming (arenque azedo) é uma especialidade sueca que consiste em arenque Báltico fermentado. É vendido em latas, que quando abertas, largam um cheiro intenso e repugnante. Por causa do seu cheiro particular, semelhante ao de peixe podre ou carne putrefacta abandonada ao sol por alguns dias, que surströmming deve a sua impopularidade na cultura popular, e diz quem já experimentou, que nunca mais esquecerá essa experiência. Por causa do cheiro, esta refeição muitas vezes é consumida ao ar livre. Chega-se ao cúmulo de se abrir a lata por debaixo de água, não só por causa do cheiro, mas também porque a pessoa pode ficar embebida na salmoura, devido a pressão que a lata acumula por causa da fermentação.
Uma explicação para o uso deste método para preservar peixe, é que, antigamente o sal era muita caro na Escandinávia. No processo de fermentação usa-se apenas o mínimo para não deixar apodrecer o peixe.
A fermentação é tão explosiva, que a lata se disforma passado algum tempo e é proibida levar nos aviões de companhias como a Air France and British Airways. Uma potencial arma terrorista! As empresas de Surströmming retorquem que é tudo uma grande treta, que nunca na vida uma lata dessas pode explodir. E se alguem se lembrar de abrir uma lata em alto vôo? Deve ser pouco agradável, não...senhores fabricantes?
Depois de saber da existência deste prato excêntrico fiquei com uma enorme vontade de experimentar. Por isso, peguei no teclado e escrevi uma carta electrónica para a embaixada de Suécia em Lisboa:

"Exmo. Sr /Exma. Sra,

Venho por este meio colocar vos uma pergunta que podeser de certa maneira estranha. Recentemente li um artigo sobre um dos vossos pratos nacionais: o mítico surströmming. Gostava de saber se há algum sítio em Portugal onde poderei adquirir ou provar esta iguaria. Li que é proibido levar no avião, dai que mandar vir pelo correio também não deve ser opção.
Sem outro assunto de momento,
Atentamente,

Mat"

2.8.06

Escravo do capitalismo

Como milhares de habitantes neste país e neste mundo, procuro um futuro melhor. Essa procura passa em primeiro lugar, pela procura de um emprego melhor (leia-se mais bem pago). Claro que a minha ocupação principal, é ser colaborador aqui do GM, mas esse infelizmente não paga. Ou seja, sou como a malta da Opus Dei e da Maçonaria, que também não é paga.
Mas voltando à procura de emprego, sou também da opinião que se devia dar o direito a uma pessoa de poder mudar de profissão de vez em quando. É chato fazer sempre a mesma coisa. É uma prisão mental. Vejam o meu exemplo: durante anos saltitei de emprego para emprego e sempre a ganhar ordenados de miséria. Gostava experimentar por uma vez só um emprego fixo, muito bem pago, durante um largo período de tempo. Substituto de Hugh Hefner, por exemplo.
Esta semana lá fui eu mais uma vez à uma entrevista. E para dizer a verdade, as entrevistas nunca me meteram medo. Pelo contrário, até aprecio uma boa entrevista. Sempre tive o bicho do teatro e as entrevistas são sempre bons momentos para mostrar o Marlon Brando que há dentro de mim. Faço sempre de conta que estou super-interessado e minto sempre como um coxo quando digo à descarada: “o ordenado não é o mais importante para mim”.
Infelizmente o esforço do meu "method acting" nunca foi muito bem recompensado. Devo ser um mau actor.
A senhora dos recursos humanos tinha me dito que para entrevista, chegava uma camisa por cima das calças. No entanto, ao chegar à sala reparei que todos os homens estavam de fato e gravata! Dei logo sinal da minha exclusividade.
Depois da apresentação, tivemos direito a dois testes psicológicos. No primeiro meteram um chocolate na mesa e tivemos que dizer porque é que deveríamos ficar com ele e os outros candidatos não. Ôbviamente que não fiquei com o chocolate.
O segundo consistia numa pequena parábola, sobre um abrigo subterrâneo numa zona que vai ser bombardeada, onde devíamos colocar apenas 6 pessoas de um total 12. Nada fácil, porque na lista só havia canalha do pior: um advogado, um padre de 75 anos, uma prostituta, uma criança demente, um declamador fanático, um físico com uma arma, uma estudante casta, etc.
Após este exercicio, ainda tivemos de dizer as razões pelas quais escolhemos aquela empresa. Dizer a verdade, que tinha sido apenas para auferir um melhor salário, não valia obviamente a pena. De qualquer modo, vou ficar à espera de uma boa notícia.

27.7.06

Separados à Nascença



Albino Ribeiro Cardoso – Tem 54 anos e é licenciado em Filologia Germânica pela Faculdade de Letras da Universidade Clássica de Lisboa. Queria ter entrado para Filosofia Germânica, mas enganou-se a preencher o impresso.
É titular da carteira de jornalista profissional n.º 258, e foi sócio-fundador do jornal "O Jornal", redactor-fundador do diário "O Diário" e redactor do matutino lisboeta "Europeu". Inspirando-se no livro "As Aventuras de Tintim, O Lótus Azul", embarcou direito a Macau onde trabalhou como "free-lancer" e correspondente do "Jornal do Notícias" e da RDP para a Ásia.
Regressado a Portugal, foi redactor (gajo que inventa tretas) do semanário "Tal & Qual". Actualmente é director do Gabinete de Projectos Especiais da TV Guia Editora, onde dirige as revistas "Rua Sésamo" e "TV Guia Internacional".
Foi membro do Conselho de Imprensa, Presidente do Conselho Técnico e de Deontologia, vice-presidente da Direcção do Sindicato dos Jornalistas, vice-presidente da Organização Internacional de Jornalistas. Em Macau foi sócio-fundador do Clube de Jornalistas Luso-Chinês, do qual veio a ser vice-presidente da Direcção e Presidente da Assembleia Geral. Imaginem a reforma que ele irá receber...
Como produtor independente de televisão assinou, para a RTP, duas séries de filmes-reportagens sobre crianças fugidas de casa, porque os pais não lhes compravam a revista "Rua Sésamo". Foi co-autor, com Rogério Beltrão Coelho, do filme "Exílio Dourado em Macau", realizado por Manuel Tomás e que aborda o quotidiano dos portugueses em Macau.
Podemo-lo ver às quartas-feiras na :2, a ralhar, interromper, mandar bocas e, por vezes, a debater com os convidados d' "O Clube de Jornalistas".


Dennis Farina
– Nasceu em Chicago a 29 de Fevereiro de 1944, uma vez que a sua mãe aguentou adiar o trabalho de parto para este dia, de forma a poupar em futuras prendas de aniversário. Alistou-se na polícia antes de se ter tornado actor, garantindo assim um lugar do elenco de "Law &Order". Juntamente com Dennis Salt, Dennis Sugar, Dennis Eggs, Dennis Water e Dennis the Pepper, formou uma banda chamada "Cake", e têm uma cover bem porreira do "I Will Survive".
A sua carreira resume-se , basicamente, a fazer de "mau" ou de "polícia". Foi também, a nemésis de John Travolta em "Get Shorty" e fartou-se de beber shots num avião num filme, que foi feito com intuito de engatar a Madonna, o "Snatch". Ficamos por aqui, porque não me apetece escrever mais. Adeusinho!

18.7.06

Viva o óleo vegetal!

Sempre fui de certa maneira um idealista. Sempre tentei lutar para um mundo melhor. Reutilizo os saquinhos de plástico do hipermercado, separo o meu lixo, tomo duche de água fria, vou de bicicleta para o trabalho, tento não comprar produto “made in China”, sou activista contra as touradas, visito todos os anos o Avante, etc. etc.
Tendo isso tudo em conto acerca da minha pessoa, podem calcular que me deu uma certa alegria quando li a seguinte notícia sobre holandeses que andam com óleo vegetal comprado no Lidl, em vez de gasóleo.
Diz o senhor Gerard Búhr: “Um litro de gasóleo custa-me 1,05€ e um de óleo de girassol 0,57€! É uma roubalheira o que o governo Holandês nós está a fazer. Semanalmente vou agora ao Lidl e encho o meu depósito de 40 litros do meu Ford Fiesta 1.8 diesel Courier com ¾ de óleo de girassol e ¼ de gasóleo, para o motor arrancar melhor e também porque com temperaturas baixas, o óleo pode se tornar mais duro. Óleo de soja funciona também bem, azeite é que não, este pode mesmo polimerizar. Também só um louco meteria azeite no depósito, já que é ainda mais caro que o próprio gasóleo.”
“Eu fui mesmo à procura do óleo mais barato do mercado. Foi assim que cheguei ao Lidl, que é ainda por cima aquele que mais Joules tem, ou seja o que tem mais energia. Não que dê para notar a diferença, mas dá para medir.”
"Vocês acham mesmo que o inventor do motor a gasóleo, o sr. Diesel, tinha mesmo gasóleo para meter nos seus primeiros motores (usava se óleo de amendoins nos primeiros motores - nota do tradutor)?” -pergunta o Búhr.
“E é quase nada nocivo para a natureza, só um bocadinho de CO2, mas de resto nada.”

Toca a plantar girassóis, camaradas!

P.S.- Por uma vez temos sorte em viver neste canto, porque só com temperaturas mais baixas é que óleo vegetal se torna mais grosso. Logo uma adaptação aqui não é tão necessario como por exemplo na Alemanha.

fontes:

Rádio Gémeo Malvado: Dias da Semana



Aviso: o seguinte texto deverá ser lido com um tom de voz anasalado e com uma jovialidade inexplicável. Se for lido com sotaque brasileiro nordestino, melhor ainda.

Ora viva, seja bem-vindo a mais uma edição da Rádio Malvada. Hoje temos connosco vários convidados especiais e muitos passatempos. Fique sintonizado pois voltaremos a seguir aos compromissos comerciais, com a nova playlist desta semana.

(Jingle)

PJB Costa - Construção Civil, Lda.
Paulo Jorge Bento Costa Construção Civil, Lda. tem como actividades principais construção, remodelação, recuperação de edifícios, moradias e obras públicas bem como a compra e venda de imóveis e revenda dos mesmos.

Confecções Muñequita
Confecções Muñequita - A Arte e o Bom Gosto ao Serviço da Criança, confeccionamos todo o tipo de vestuário para bebé e criança dos 0 aos 16 anos.

A Joaninha - Serviços de Limpeza 24 Horas
A Joaninha é um especialista da higienização e limpeza, reconhecido no mercado pela sua competência e eficiência junto dos seus Clientes Limpezas Pontuais e Periódicas,Trabalhamos em toda a Grande Lisboa – Serviço 24 horas - Tel. 969853778

(Jingle)

Estamos de volta e não perca já a seguir a playlist desta semana, cujo o tema é "Dias da Semana" e que começa com uma "que houver" da banda mais popular do mundo. Adivinhe lá esta: "Têm lã como as ovelhas, mas berram como carneiros. Um é casado e três são solteiros."
É isso mesmo! Os "Bitles" com o tema "Eight Days a Week" aqui interpretado pelos "The Mirza Men".

Logo a seguir a esta redundância redundante seguem-se os "New Order" com o tema "Blue Monday", a banda que ainda se chamaria hoje "Joy Divison" se não vendessem cordas em Manchester. Ai o que eu gosto de blues!

A representar as terças-feiras, temos os "Estones", é isso mesmo! A banda de Mick Jagger que deu um o concerto da minha vida e aqueceu o coração da sua velha legião de fãs em Coimbra, em 2003. É isso mesmo! "Ruby Tuesday" só aqui na Rádio Malvada.

E se achar o tema de quarta-feira familiar, posso já dizer-lhe que se trata de Emiliana Torrini com "Wednesday's Child". Este nome não lhe diz nada? A mim também não, mas a música soa mesmo à versão que o Beck fez de "Everybody got to learn sometimes", mas com a voz de Nene Cherry. Confuso? Passemos então à próxima.

Quinta-feira, conhecido também como o dia do estudante, traz-nos o Camaleão, não o do karma, mas o que se baptizou com o nome da faca que quase lhe vazava uma vista e lhe deixou um olho com outra cor. David Bowie com o tema "Thurdays Child".

E quem não fica apaixonado à sexta-feira!? Pelo fim-de-semana é claro! Robert Smith e os seus Cure a cantar "Friday I´m in Love".

Sábado à noite temos não a Wighfield, mas sim Langley School Music Project interpretando um tema original dos Bay City Rollers. Já não ouvia garotada cantar com tanto entusiasmo desde a "Ana Faria & os Queijinhos Frescos". É isso aí!

E para finalizar acabamos com a última música! É do mais previsível que há: "Sunday, Bloody Sunday" dos "Tu também", música se inspirada no "Sundae" de morango.

5.7.06

Preços mais baixos...

Ontem encontrei na minha caixa de correio (não electrónica, mas sim verdadeira) um folheto do Pingo Doce. Um folheto diferente dos das habituais das cadeias de supermercados, porque não trazia publicidade a promoções ou produtos. Apenas fazia alusão ao artigo na Proteste onde o Pingo Doce é, juntamente com o Mini Preço, a cadeia mais barata.
Há alguns anos atrás não era. Sim, no panfleto, trazia um gráfico no qual podíamos ver a descida dos preços do Pingo e a subida dos preços no resto de Portugal. Porque é verdade, a vida em Portugal não se tornou mais barato nos últimos anos. Os impostos, os combustíveis, os serviços, os cigarros…tudo têm preços mais elevados, menos o pingo Doce. Como é que eles conseguiram isso, pergunta eu? Apenas vendem agora produtos do terceiro mundo em prol dos nacionais (que vão assim a falência) e fabricados por presos políticos? É a custo do salário da simpática rapariga da caixa? É a custa do ti Manel que tem de lavrar a sua plantação de couves, sete dias por semana para ser sustentável? Ou é a custa da fortuna do Jerónimo Martins que já não cresce tão depressa porque há menos lucro?
Vou deixar estas perguntas no ar….

2.7.06

A Mais Dura VII



GRACE JONES

Grace Mendoza nasceu no ano da graça de 1952, na localidade de Kingston, na Jamaica. Diz que tem um irmão gémeo chamado Bishop Noel Jones, não sei. O seu pai era um pregador, uma espécie de carpinteiro especializado em pregar, que um dia decidiu que levaria a sua família para Syracuse em Nova Iorque e que não se falava mais nisso. Lá, Grace estudou teatro universitário e usou o seu metro e oitenta de altura e o seu aspecto exótico para se tornar modelo numa agência de -por mais estranho que possa parecer- modelos.

Nessa altura, nos idos finais dos anos setenta, andou pela Europa a trabalhar como modelo e quando regressava a casa era sempre vista a dar um pé de dança nos clubes nocturnos, vulgas bôites. O seu estilo de vida vadio chamou a atenção da Island Records que a levou a assinar um contrato musical que originou muitos êxitos, como o tema "I Need Man", causador dum furor imediato na comunidade homossexual e que lhe valeu o título de "Queen of the Gay Discos".

As suas performances eram de cariz arrojado, nas quais envergava vestes ousadas e fazia-se acompanhar por strippers masculinos e leões daqueles mesmo a sério, e ocasionalmente, de leopardos. Obviamente que a cocaína que consumia então era em parte responsável por todo este circo, assim como pela detenção de Grace na Jamaica por posse de drogas. Um outro facto que contribuíu para o mediatismo de Grace foi o ataque desta ao jornalista britânico Russel Harty, que no seu programa de televisão virou as costas a Grace Jones para falar com os outro convidados (que pena ela ainda não ter sido convidada para os pastéis de nata, só para aviar no gordo da boina).

Para além da sua carreira musical, Grace direccionou o seu talento para o cinema, o que a levou a participar no filme de 1984, "Conan the Destroyer", onde interpretou o papel de "Zula" ao lado do nosso amigo Arnolas. No ano seguinte, o mesmo em que figura no "Playboy Video Magazine vol.8", participa em "A View to Kill", mais um título da série Bond, no qual fez de Bond Girl/ vilã e contracenou com o seu futuro marido e antigo guarda-costas Dolph Lundgren (também conhecido como o "Russo do Rocky V ou IV"). Em "Vamp" (1986), faz de "chefa" de vampiros que frequentam um bar de motoqueiros e que atacam pobres estudantes universitárias indefesas (sim, tal como acontece nas queimas das fitas um pouco por toda a parte). Em 1987, contracena com os músicos-actores Joe Strummer e Courtney Love no western cómico "Straight to Hell" e com actores a sério como Jodie Foster, Ellen Barkin, Isabella Rosselini, Martin Sheen e o diabo em pessoa, Gabriel Byrne, no filme "Siesta" onde faz o papel de "Conchita".

Passam-se uns anos, grava uns discos e tal, e volta ao cinema pela mão de Eddie Murphy, em "Boomerang" (1993) onde faz dela mesma mas com outro nome. Entra num sci-fi manhoso intitulado "Cyber Bandits" em 1995, e ao lado de Hulk Hogan na comédia ridícula "McCinsey's Island" de 1998. Para acabar a década em grande, participa em "Palmer´s Pick Up" outra comédia ridícula na qual figuram personagens absurdas como uma drag queen, um ex-presidiário gay, uma maníaca das armas, e uma celebridade de tv, que juntos tentam libertar satã no virar do século.

Enfim... a década de noventa foi a desgraça para Grace, que revelara um futuro promissor enquanto durona nos anos 80, mas que não conseguiu manter-se à altura das expectativas. Foi também nos anos noventa que Grace, ao passar por Portugal engatou o Carlos Sampaio, que é aquela anta narcisística a quem alguns chamam "modelo". Caraças pá! Só por isto merecia a desqualificação...


Outras Duras:

A Mais Dura VI

A Mais Dura V

A Mais Dura IV

A Mais Dura III

A Mais Dura II

A Mais Dura I

30.6.06

Rádio Gémeo Malvado: Plágios



Estimado(a) leitor(a),
se quiser verificar se tem realmente um ouvido treinado como sempre afirmou ao longo destes anos todos, pedimos-lhe então que oiça a Rádio Malvada. Esta semana o tema da lista é plágios e portanto só constam músicas que forma plagiadas.

Andrew Oldham Orchestra - The Last Time
Os Verve tiveram que entregar 100% dos lucros aos Rolling Stones pelo uso de um sample de 5 notas anteriormente pago, porque a música se tornou um grande êxito. Andrew Loog Oldham, autor desta versão orquestral, também os meteu em tribunal porque achou e bem, que tinha sido a sua versão a que tinha sido samplada. Para piorar ainda mais as coisas dos pobres Verve, eles tiveram, sem poder recusar, a sua música utilizada numa publicidade da empresa Americana (mas que faz os seu produtos na China) Nike.

Aha - The Sun Always Shines On TV
Pois é… Beautifull Day dos U2, agora a própria banda Irlandesa foi imitada pelos Keane no seu novo single.

Kinks - All Day And All Of The Night
Deve ser das imitações mais descaradas que alguma vez foram feitas. Tomar doses industriais de droga deveria ter dado aos Doors inspiração para a criação e não para a pilhagem.

Steve Winwood - Valerie
Quem não se lembra de um êxito do ano passado chamado Call On Me? Se eu disser que tinha muita mulher a fazer aeróbica, muita gente se lembrará....

Kraftwerk - Neon Lights
Li que a Madonna veio cá buscar inspiração para Lucky Star. Não sei... mas fica sempre bem ter Kraftwerk numa lista.

The Chiffons - He's So Fine
George Harrisson cheio de inveja dos seus compinchas Paul e John, queria se também afirmar como grande songwritter. Mas como não tinha tanto dom, "Porque não pegar numa música já existente e desconhecida?" - pensou ele. Assim, teve de pagar bastante do seu próprio bolso aos verdadeiros autores.

Tom Petty - Refugee
Quem diria que o autor do horrível "Free Falling" já foi plagiado pelo menos duas vezes!? No último single dos Red Hot Chili Peppers e pelo seu próprio colega de mau gosto, Bryan Adams. Pois é....Run to you.

Muddy Waters - You Need Love
É verdade que os Led Zeppelin pilharam muito. Normalmente iam ao bau de velhas músicas folk, onde de certeza não era preciso pagar direitos. Mas desta, abusaram de uma música de afro-americanos. Anos mais tardes foram castigados com um rap do Piffy Diddy por cima de “Kashmir”.

Killing Joke - Eighties
Kurt Cobain também não era nenhum santo. Os Killing Joke tiraram a queixa quando este morreu. Mais tarde, em 2003, Dave Grohl tocou bateria e muito bem no álbum homónimo de “Killing Joke”.

David Hasselhoff - Crazy For You
E para finalizar....um final infeliz, porque para acabar escolhemos David Hasselhof que foi imitado pelos Village People ou terá sido ao contrário?

21.6.06

Boas Pessoas

Ainda há boas pessoas neste mundo. Vejam por exemplo o Jürgen Klinsmann. O homem entrega todo o seu salário que recebe como seleccionador da Alemanha a uma boa causa. Pois, devem pensar alguns entre vocês… se tivéssemos amealhado o que o tipo juntou como jogador fazíamos também isso. É fácil dizer isso e já agora, pergunto: quantos ex-jogadores fazem isso?
Desde 1995, o Jürgen apoia a “Agapedia”, uma organização que desenvolve projectos sociais para crianças maltratadas em países como Roménia, Bulgária, Moldávia e Alemanha. Para este projecto, que procura também famílias de adopção, já adquiriu varias casas que servem como lares. Milhares de crianças já foram socorridos. Não é a primeira vez, que Klinsmann mostre ser diferente do resto do mundo da bola. Como jogador nunca andou a ostentar viaturas das gamas mais altas, sempre preferiu o seu velho Golf. Também nunca aceitou fazer publicidade para álcool ou cigarros, enquanto apoia intensamente as campanhas contra a sida.
Depois de uma época intensa, o Jürgen pega na sua mochila e faz viagens pela América. Mudou-se já há alguns anos para Califórnia, onde pode passear incógnito, o que é óptimo para ele que escondeu sempre a sua vida particular aos paparazzi. Vive lá com a sua mulher asia-americana e os dois filhotes.
Este mundo não está fácil para milionários que se vestem de calças de ganga e t-shirt, e que não se vangloriam com o seu próprio luxo.

12.6.06

Países desconhecidos

Há países que estão a participar no Mundial, dos quais nunca ou raramente ouvimos falar. Tenho a certeza que a maior parte do público que assistiu ao jogo de Suécia – Trinidade e Tobago nunca tinha ouvido falar do último. Dai que pensei que seria bom por um pequeno resumo de cada um destes países misteriosos.



Trinidade e Tobago:
É um país caribenho situado ao largo da costa da Venezuela. Menor país da América do Sul, é constituído pelas ilhas de Trinidade e de Tobago e faz fronteira marítima com a Venezuela, a sul e a oeste, e com Granada, a noroeste.

Capital: Port of Spain, onde tem a sede do Secretariado-geral da ALCA.
Tamanho: 5,128 km²
Habitantes: 1,104,209
Conhecido por: steel drum, instrumento de percussão fabricado com barris usados para armazenar petróleo.

Togo:
É um país africano, limitado a norte pelo Burkina-Faso, a leste pelo Benin, a sul pelo Golfo da Guiné e a oeste pelo Gana. Localizado no oeste da África, Togo é constituído por um estreito território que reúne povos de diferentes origens. O grupo étnico euê, o mais numeroso (45,4% da população), concentra-se no sul, perto do litoral, a região mais desenvolvida. A maioria dos habitantes vive da agricultura, cujos principais produtos são o algodão e a cana-de-açúcar. O país é importante centro de comércio regional.

Capital: Lomé.
Habitantes: 5,018,502
Tamanho: 56,785 km²
Conhecido por: a casa típica feita pelo tribo tamberma é constituída por varias torres unidas por muros de barro.

Costa Rica:
É um país da América Central, limitada a norte pela Nicarágua, a leste pelo Mar das Caraíbas e pelo Panamá e a sul e oeste pelo Oceano Pacífico. É também costa-riquenha a ilha do Coco, no Oceano Pacífico.

Capital: San José.
Habitantes: 3,835,000
Tamanho: 51,100 km²
Conhecido por: ao pequeno-almoço come-se o prato nacional tradicional que é gallo pinto e que feito de arroz, feijão, coentros e cebola misturados e por vezes ligeiramente fritos.

República do Gana:
É um país da África ocidental, limitado a norte pelo Burkina-Faso, a leste pelo Togo, a sul pelo Golfo da Guiné e a oeste pela Costa do Marfim.

Capital: Acra.
Habitantes: 19,533,560
Tamanho: 238,540 km²
Conhecido por: o tecido conhecido como kente, que é amplamente reconhecido por suas cores e simbolismo. O kente é feito por habilidosos tecelões ganeses, e os principais centros de tecelagem situam-se em volta da cidade de Kumasi.

Costa do Marfim:
É um país africano, limitado a norte pelo Mali e pelo Burkina Faso, a leste pelo Gana, a sul pelo Oceano Atlântico e a oeste pela Libéria e pela Guiné. Denomina-se ebúrneo ou marfinês a quem é natural da Costa do Marfim.Apesar de normalmente se usar em português o nome Costa do Marfim, o governo marfinês solicitou à comunidade internacional em outubro de 1985 que o país seja chamado apenas por Côte d'Ivoire. O uso do termo no entanto não é difundido em língua portuguesa devido ao desconhecimento generalizado da pronúncia em língua francesa.

Capital: Yamoussoukro
Habitantes: 17.298.040
Tamanho: 322.460 km²
Conhecido por: a Costa do Marfim é o maior produtor e exportador de cacau do mundo. Entre os principais produtos de exportação estão : banana, abacaxi, café e, até a segunda metade do século XX, era o maior explorador de marfim, daí o nome do país.

9.6.06

Separados à Nascença



Sylvester Stallone vs Rock Hudson


A mesma estratégia de comunicação por grunhidos e monossílabos.
A mesma desenvoltura herdada de um elefante.
A gravata vai à vida, o cabelo torna-se um pouco mais desgrenhado, mas a iconografia de galã subsiste no cinema de Hollywood. O estrelato pertence-lhes.
Ao longo da história apenas se fizeram reajustes nos géneros cinematográficos mais apropriados a esta escola de actores. O futuro promete ser radioso.


1954 . . . . 1959 . . . . 1982 . . . . 1992

5.6.06

Rádio Gémeo Malvado: Nomes parecidos com outros



O tema da minha segunda playlist tem um tema deveras altíssono, como aliás é meu apanágio. Escolhi músicas de 11 artistas que, por razões claras ou menos luminosas, têm nomes que se podem confundir com outros 11 artistas, também eles do mundo da cantoria. No imediato, segue a lista dos cantores e das cantigas, sendo que, entre parêntesis, surge o tal artista com o nome parecido. O critério para escolher um dos artistas com nome parecido em detrimento do outro artista com nome parecido foi, enfim, nenhum.

Johnny Nash (Johnny Cash): I can see clearly now
Ficará nos anais da História como a música do anúncio da Nescafé. Aquele em que alguém parava o carro perto duma ribanceira ou duma praia, aquecia água com o isqueiro do carro e bebia um café ali mesmo. Belo departamento de marketing tinha a Nescafé, hem? Será que pensaram que alguém, ao ver aquilo, iria exclamar “sim, vamos comprar o café preferido deste falhado que vive no carro”? Além disso, o Johnny Nash tem voz de mulher.

OMC (OMD): How bizarre
Foi o grande sucesso da maior banda neozelandesa depois dos Crowded House. É complicado conseguir este feito de ser a maior banda neozelandesa depois dos Crowded House. Basicamente, é preciso nascer na Nova Zelândia. Mas isso é difícil, porque há muitos países no mundo. O teledisco consistia num casal de aborígenes a passear um cambojano num descapotável vermelho.

Bryan Adams (Ryan Adams): Heaven
Heaven é céu em inglês. Bryan é Bruno no Canadá. A família do Bryan é a Família Adams. Quem ouve o Heaven fica com o desejo de usar vestidos e dedicar uma vida a laços e desenhos de arco-íris. Foi uma voz na minha cabeça que me disse isto. E, vendo bem, não é a canção mais masculina do mundo, não.

Jan Hammer (MC Hammer): Crockett's theme
Quando se ouve esta música, a vontade de calçar uns sapatos brancos, vestir umas calças, também elas brancas, e usar uma t-shirt com gola em V de cor roxa ou pastel, é irrefreável. Já venho.

Medicine Head (Machine Head): One and one is one
Repeti o título desta música 5 vezes muito depressa e tive o meu primeiro início de ataque epiléptico. Agora é só dominar a maravilhosa arte de ter ataques epilépticos quando quiser e onde quiser, e facilmente subjugarei a humanidade em breve.

Jim Diamond (Neil Diamond): I should have known better
Jim foi o James Blunt dos inícios dos anos 80. Esta música foi “You’re beautiful” da altura. É uma choradeira interminável sobre não sei quem que não sei quê por causa de coisas que tinham acontecido ou deixado de acontecer algures acolá. Ao menos este “Should have known better” não tinha teledisco. Mesmo que tivesse, dificilmente teria o tema “Jim a chorar em tronco nu num icebergue debaixo de chuva torrencial”.

Everclear (Everlast): Brown eyed girl
O original é do Van Morrison, pai do Jim Morrison e dos Van Halen. Esta versão é muito merdosa, mas a banda, os Everclear, também. Mesmo dentro da mediocridade, é sempre de bom-tom que se vá mantendo a coerência.

John Legend (John Lennon): Don't you worry 'bout a thing
Mais uma cobertura. Desta vez, o original pertence a Stevie Wonder. Esta versão do João Legenda (como Gabriel Alves tão bem traduziu este vocábulo anglo-saxónico aqui há uns anos) faz parte da banda sonora do Hitch, que é um filme. Segundo consta pelo menos. Sim, o Hitch é um filme, asqueroso, com o príncipe de Bel-Air. Esta música é pior.

Dread Zeppelin (Led Zeppelin): You should be dancing
Outra. O original é dos Bee Gees, que, até há bem pouco tempo, eram o Trio Odemira do Reino Unido, mas assim mais admiradores do falsete. Seja como for, entretanto morreu um e agora já não são. Morreu um Bee Gee, que o Trio Odemira está bem de saúde. Os Bee Gees, sendo dois irmãos, agora podem ser os Anjos do Reino Unido, vá.

The Slits (The Smiths): I heard it through the grapevine
C'um caraças, mais uma. O original desta canção é do Smokey Robinson & Os Milagres e já muita gente a cobriu. As Slits, que cobrem esta versão, mostram as mamas na capa do seu primeiro disco. E cheias de lama. Será que estiveram a lutar na lama em topless? Na minha cabeça, estão sempre.

The Thrills (The Kills): Big Sur
Duas bandas da vaga “The uma palavra qualquer”. Até devia ter qualquer coisa para dizer sobre esta banda ou a música. Mas ainda estou a pensar nas Slits a lutar na lama com as mamas ao léu e não me consigo concentrar.

Water closet manager

Que viagens podem ser actividades muito lúdicas, isso já toda gente sabe. E foi exactamente o que aconteceu na minha ultima visita aos Países Baixos. Descobri, entre outras coisas, uma solução para dois problemas portugueses. A saber: o desemprego e a falta de casas de banhos públicas e limpas.
Na Bélgica, existem pessoas que tomam conta de casas de banhos e que são pagas pelos utentes precisamente por isso. Eu sei que também há cá em meia dúzia de lugares públicos do género, mas a diferença está no facto de, por lá, haver não só em todos os WC’s públicos, mas como também há em todos os cafés, restaurantes e centros comerciais.
Isto pode provocar alguma revolta no freguês português…pagar para cag…desculpem…para fazer a sua necessidade…mas o que vem a ser isso!
Mas é isso mesmo. Paga-se 50 cêntimos, mas em contrapartida temos a certeza que a casinha vai cheirar a fresco e estar limpinha.
Há sítios que são de facto uma verdadeira vergonha. Se alguém já foi, por exemplo, ao wc do café Brasília no Chiado sabe do que estou falar. Há boatos que dizem mesmo que a famosa cena do Trainspotting foi filmada lá.
Acaba-se também com outras facetas importunas que rodeiam o acto: como ter que fazer um consumo apenas para usufruir da casa a de banho do estabelecimento, ter que pedir a chave, não haver papel ou portas que não fecham.
Ainda não consegui averiguar como o estado Belga faz com que estas pessoas fazem os seus descontos (com recibos verdes não é), ou se elas chegam mesmo a pagar aluguer ao estabelecimento onde trabalham, mas, seja como for, é uma solução para muitos milhares de pessoas que estão no desemprego. WC madam, Toilet madam ou mesmo Madam pipi, é o que os compatriotas do Tintin lhes chamam, nomes que não são de facto prestigiosos. Será sem duvida preciso arranjar um nome mais sonante para este emprego. Water closet manager ou sanitairian supervisor por exemplo, soam bem melhor e mais atraente.
Lá no norte, normalmente são pessoas com poucos estudos que exercem este métier, mas como aqui o que vale mesmo é ser senhor doutor, e como há tantos no desemprego, este tipo de actividade deveria ser apenas só para licenciados e com um estágio de pelo menos dois anos. Ser fluente em pelo menos três línguas será obviamente uma mais valia.
Abrir um curso superior também é uma opção no sentido de trazer mais encanto a este novo emprego. Como na maior parte dos cursos superiores, seria coisa fácil encher o programa com disciplinas que não servem para nada e mais fácil ainda seria arranjar professores doutores para leccionar. Obviamente que se podia abrir mais um instituto superior: o I.S.W.C. Que, claro, teria o seguinte lema: “It’s a dirty job but someone got to do it.”

31.5.06

Mascotes aos magotes

Há, neste mundo, muitas coisas que são intrinsecamente asininas. Cães ou flamingos de louça à escala real. Camisolas para animais. Bicicletas tandem. Balões de ar quente. Papagaios e a arte de os empinar na praia ou onde quer que seja. Fogo de artificio. A palavra piquenique e tudo aquilo que representa. Fruta cristalizada. Bolsos em pijamas. Salsa, o condimento. Salsa, a dança. Salsa, a marca de calças. Mimos e qualquer espécie de malabarismo de rua. Telediscos em que, apesar de haver só um vocalista, todos os restantes elementos do grupo acompanham a letra com sincronização labial e sentimento. Palitos de champanhe. Roletas nos matraquilhos. Dança do limbo. Corridas de sacos. Animais empalhados, sobretudo cabeças de alce. Aqueles cães com uma textura meio aveludada que abanam a cabeça na parte de trás dos carros. Tudo parvoíces. É certo que umas são mais que outras, mas a verdade é que o mundo seria um melhor lugar sem estas coisas. Presença obrigatória, quando se fala no absurdo número de coisas que, a bem dizer, não serve para nada e são estúpidas, é a das mascotes. Olha, aqui está uma e tudo.


A criatura da foto é o Goleo. Título que decorre da extraordinária fusão entre o vocábolo “Golo”, que, óbvio, remete para o único desporto que encanta o mundo, e “Leo”, o “Manel” dos leões, ou seja, o nome mais comum entre os imperais predadores que governam as selvas desde sempre. O Goleo é a mascote do campeonato do mundo. A sua companheira chama-se Pille (alemão para pílula) e, como se pode ver, tem boca de quem parece ter acabado de comer um mamífero vivo e olhos que, se os fitarmos durante tempo demais, nos hipnotizam para fazermos o trabalho sujo desta criatura esférica. Já o Goleo, tem cara de parvo. Tira fotos com a boca aberta. Nem parece o leão que dizem ser. Parece uma mistura de leão com um tapete, um urso, o Rui Bandeira e aquele bicho d’A História Interminável. Aquele que voava e tinha umas narinas enormes. Usa camisola e chuteiras, mas, onde deveria ter uns calções, está ao léu. Além disso, é esquizofrénico. Tanto oferece flores à Pille, como lhe dá joelhadas, pontapés e cabeçadas. Raios, pá! Eu tive uma camisola do Naranjito e um porta-chaves do Pique. Além disso, sou do Sporting. Este Goleo e a sua partenaire não passam de uma desconsideração desumana. Desde o Subi que uma mascote não dava azo a tanta revolta. Seus pulhas!

25.5.06

O Gémeo Malvado apoia oficialmente:



A selecção de Angola no mundial de 2006, assim como as selecções de todos os outros países que tenham uma catana - ou qualquer outro tipo de arma - nas suas bandeiras. Também apoiamos, mas não oficialmente, as selecções Reader´s Digest durante o referido campeonato.

23.5.06

O Circo Voltou à Cidade

Mal tinha pus os pés em terra, no aeroporto da Portela, regressado de umas bem merecidas férias, pude logo avistar que o circo tinha voltado a cidade... perdão… país. Sim estimados leitores, começou o triste espectáculo nacional da adoração da bola. Bandeirinhas com as cores nacionais e imagens dos jogadores da equipa das quinas por todo o lado. Já não é a religião, mas sim a bola, que é o ópio do povo.
As pessoas tornam-se de livre vontade meras marionetas do jogo de marketing como se pude ver no outro dia. Uma empresa qualquer organizou a mega-acção e juntou milhares de mulheres para fazer a bandeira mais bonita (será que os adeptos gays também acham isso?) do mundo. Uma acção só para mentecaptos de certeza, mentecaptas aliás, e me faz lembrar as acções de propaganda dos tempos do Estado Novo. Se fosse para arranjar malta, para uma simples acção humanitária, nem um centésimo do número dos participantes se arranjava.
É o inicio de um mês de nonsense. O país está totalmente perdido na cauda da Europa: o desemprego continua a subir em flecha, as empresas fogem para outros países, os hospitais e as escolas são de um nível de terceiro mundo, os idosos recebem reformas miseráveis, há cada vez mais criminosos nas ruas, etc., etc., mas por um mês inteiro, vamos esquecer isso tudo graças à divinal bola.
Quem é que vai pensar agora nos idosos que estão na lista de espera para serem operados há 3 anos? Nós é que não… vamos mas é pendurar bandeirinhas em tudo quanto é sítio, porque os 11 milionários que vão defender as cores nacionais no relvado, esses sim, precisam de sentir o nosso apoio.
Bem-vindo a narcose nacional!

20.5.06

Mitos Infantis III

Às duas espécies de mitos infantis previamente identificadas (aqui e aqui), pode-se acrescentar uma terceira espécie: a espécie “ainda não tenho os neurónios todos por isso estou sempre a ser ludibriado”. Todos nós fomos vítimas desta espécie.

Quando entrei para a primeira classe, disseram-me que havia um miúdo morto numa poça de água no recreio. E eu acreditei. Durante uma semana inteira. Acho que só comecei a desconfiar quando passou a época das chuvas e a poça secou.

Porque não desconfiei antes já que os professores da escola não tomavam medidas e nem sequer comentavam uma situação desta gravidade? É preciso ver que ir para a 1ª classe era como entrar numa terra sem lei em que os miúdos mais velhos nos podiam bater quando quisessem e, dizia-se, havia sempre uma dezena de ciganos à espera que passássemos os portões da escola para nos roubarem o relógio. Era cada pequenino por si! Por isso é que estávamos sempre a correr de um lado para o outro sem motivo aparente. Estávamos a praticar a nossa velocidade.

No entanto, tudo era esquecido quando acabava o recreio e entrávamos dentro da sala de aula; solo sagrado onde voltávamos a acreditar piamente na professora.A Sra. Professora dizia-nos para passarmos horas intermináveis a picotar um papel em cima de uma esponja e nós, maravilhados, cumpríamos a tarefa de bom grado. Fazia-nos esquecer a manhã exaustiva de volta das contas de somar. “Quando for grande eu quero ser picotador” diziam alguns alunos cheios de orgulho. “Sinto que a minha formação como pessoa é mais completa desde que iniciámos as aulas de picotagem” diziam outros (talvez).

E, olhando para trás, posso dizer com segurança que os meus companheiros que mais subiram na vida foram os que, em vez de irem para o recreio no intervalo, pediam à professora para continuarem na sala a praticar a arte cheia de significado que é a picotagem. Hoje, alguns são mesmo professores primários.


"Já temos os dentes todos. Agora estamos à espera que nos nasçam os neurónios".

16.5.06

Rádio Gémeo Malvado: Carros de Choque



José Nogueira Ferreira de Carvalho, nasceu no ano de 1959, em Condeixa a Nova e residia em Pedrouço, na Maia. Tem cabelo bastante curto, pele branca e faces muito rosadas, olhos castanhos, 1,70m de altura e pesa cerca de 80 kg (tem uma estatura forte, portanto).
José é analfabeto e sofre de perturbações mentais, e a última vez que foi visto (em 1998), estava num autocarro da cidade do Porto, transportando uns sacos, afirmando que se ia ausentar para Espanha. Já havia estado naquele país por períodos de cerca de dois anos, trabalhando num circo e numa pista de carros de choque.
Qualquer informação relativa ao seu paradeiro deverá ser comunicada para qualquer serviço de piquete da Polícia Judiciária, ou preferencialmente, para o seguinte endereço:

Polícia Judiciária - Directoria do Porto
Rª. Assis Vaz, nº 113,
4200 Porto
Telefone: 225 070 800
Piquete: 225 088 644
Fax: 225 023 642
Email: directoria.porto@pj.pt


O tema da playlist desta semana é "Carros de Choque", e foi escolhido não só por estar a decorrer a "Feira de Maio" em Leiria, mas também para prestar homenagem ao José Nogueira que, esteja ele onde estiver, esperamos que se encontre bem.

2 Unlimited - Megamix
Dr. Alban
- It's My Life

KLF - KLF Is Gonna Rock You
Ace of Base
- The Sign

Los Del Rio - Macarena
Tecnotronic - Ultra Mega Mix
Videokids
- Woodpeckers From Space

Vários Artistas
- 80s & 90's Club Mega Mix

Whigfield
- Saturday Night

Santa Maria
- Falésia Do Amor

Vários Artistas
- Dance 90's Medley Megamix

14.5.06

Separados à Nascença



Bernie Kopell - É um actor que conseguiu a proeza de ter entrado em quase tudo o quanto era série que ficou para a história da televisão, e apenas ser reconhecido por uma delas. Senão vejamos, Bernie participou em "The Alfred Hitchcock Hour", "Green Acres", "The Streets of San Francisco", "Bewitched" (onde fez de médico), "Get Smart", "Mary Tyler Moore", "Charlie's Angels", "Fantasy Island" (onde contracenou ao lado de Toy), "Love Boat" (a tal série que lhe deu fama e fortuna e onde fez de médico dum barco), "Sledge Hammer!", "The Fresh Prince of Bel-Air" (onde fez de médico) , "Beverly Hills 90210" (onde fez de médico) , "Charmed" (onde fez de médico legista) , e "Scrubs" (onde também fez de médico) . Está ainda a negociar a sua participação em "O.C.", série na qual irá fazer o papel de médico. Fazer de médico, é obviamente, a sua especialidade, visto que ao longo da sua carreira fez onze vezes esse papel.
É claro que isto lhe deu a volta à cabeça e hoje em dia trabalha num consultório que ele mesmo montou no anexo do seu quintal, acreditando que é mesmo um médico "à séria". O actor negro que fazia de bartender no "Barco do Amor" é que o ajudou com as obras, e faz de enfermeiro nesse mesmo consultório de segunda a sábado.

Mário Crespo - Este antigo correspondente da RTP em Washington - que por vontade de sua mãe seria hoje um médico especialista numa daquelas especialidades que dão dinheiro - é conhecido pelo seu estilo único de apresentação dos noticiários, criando um conceito de noticiário televisivo inédito, e classificado pelos os peritos em ciências jornalísticas como o estilo "que se lixe o teleponto, que eu a esta hora já devia ir a caminho de casa e ainda aqui estou".
É famoso também por traduzir reportagens americanas em uma hora e apesar de ser conceituado e bem pago, "diz que" ele agora canta em aniversários para juntar umas massas extras para ver se compra uma farda da marinha e vai num cruzeiro não sei aonde no Pacífico.

12.5.06

Feira de Maio em Leiria



Chega uma altura na vida de toda a criançola, e labregos que já namoram, de serem levados e levarem-se à feira de Maio em Leiria, uma cidade bela no centro de Portugal que se torna, com efeito, na capital da bimbolândia em Maio.
Feirantes gordurosos, vendem as suas traquitanas, e apergoam aos microfones viagens destemidas nos seus carróceis. Pavilhões de circos multicolores com as bandeirinhas orgulhosas desfraldadas ao vento, cada bimbo canta a sua música pimba em surdina, e esse fenómeno comove quem vê; ao ponto de pensar que estamos num país novo, mais moderno, mais alegre, mais saloio.
Quem entra, admira Edison e as suas lâmpadas eléctricas, quem se senta numa viagem lembra-se de Edison, e a nossa lei da gravidade.
Percorre-se à pressa as barracas que vendem briquabraque, e entra-se numa barraca de campanha, grande com comes e bebes, a comida meditrânica foi substituída por uma gastronomia de feira, os templos de oração; as capelas, os santuários deram lugar a um estaminé chamado cantinho místico, e no meio do New Age, o visitante torna-se pagão. Por isso é que Deus castiga, e manda chuvas em Maio, para desbaratar de Sodoma, os pecadores.
Deste modo, é com pleno alívio de um crente que não descrê que vejo chegar o dia da cidade, o nosso feriado 22 de Maio. A vida chega a ser um pouquinho mais normal a partir desse dia.

7.5.06

A Mais Dura VI



SHARON STONE

Nascida em 1958 em Meadville, uma pequena cidade da Pennsylvania, era filha dum operário fabril e de uma construtora de casas. Percebe-se logo quem é que usava calças lá em casa. Sharon sempre foi uma rapariga jeitosa e esperta, e como os homens – e algumas mulheres- não se medem aos palmos, as suas medidas em polegadas são 36B-25-35-154. Sendo que, infelizmente, 154 corresponde ao Q.I. e o 36B ao busto.

Aos quinze anos entrou na Universidade Estatal da Pennsylvania e não saiu de lá enquanto não lhe deram um diploma em escrita criativa e belas-artes. Mas como a arte e os livros não enchem a barriga a ninguém, foi trabalhar aos 17 anos para uma casa de hamburgers da cadeia que o doninha anuncia na rádio e na tv. Com essa mesma idade ganhou o concurso de Miss Pennsylvania. Daí rumou para Nova Iorque e foi bater à porta da agência de modelos da mãe do vocalista dos Strokes, a Ford, e passou a figurar numa série de anúncios e reclamos a produtos de renome internacional.

Como todos nós sabemos, tudo na vida tem uma ordem natural: as lagartas transformam-se em borboletas, os futebolistas passam a treinadores, e as modelos tornam-se actrizes. E assim, seguindo as leis da natureza, Sharon entrou para o mundo do cinema, representando o árduo papel de “menina bonita no comboio” no file Stardust Memories (1980) de Woody Allen, realizador que já tinha lançado um outro grande vulto feminino do cinema de acção num outro filme seu. De seguida, protagonizou um filme horrível (horror movie) de Wes Craven, intitulado “Deadly Blessing” (1981). Quatro anos depois entrou n’ “As Minas de Salomão”, o único filme que conheço que inclui uma fuga nesse magnífico meio de transporte que é o caldeirão. Por essa altura, casou-se com o produtor do "MacGyver”.

Não conseguido o papel da Glenn Close n’ A Atracção Fatal”, acabou por fazer o “Academia de Polícia 4”, o que não foi mau de todo, pois deu inicio ao seu currículo de dura, uma vez que fica sempre bem fazer de polícia quando se quer fazer carreira na dureza. "Òsdepois" o seu status de durona subiu em flecha, pois fez de mulher do Steven Seagal em “Above the Law” e de mulher do Arnold Schwarzenegger em “Total Recall”, realizado por Paul Verhoven, o génio por detrás de êxitos como “Robocop”, “Starship Troopers” e de “Showgirls”.
Mas o grande golpe de mestre de Verhoven foi o descruzar de pernas de Stone, em “Instinto Fatal”. Ainda tentaram fazer a acrobacia de novo, mas esqueceram-se que Sharon estava sentada na cadeira “à americana”- que para quem não sabe consiste em sentarmo-nos numa cadeira ao contrário, ficando as costas da mesma viradas para a frente - o que fez com que o filme se tornasse num fracasso. Diz que Sharon já planeia realizar "Instinto Fatal 3 - Ressurection", em Inglaterra.

Em 1994, Sharon viola Stallone num chuveiro, no filme “O Especialista”, e no ano a seguir fez a versão feminina de Trinitá em “The Quick and the Dead” e de mulher drogada e maluca do De Niro num “Casino”. Ganhou um globo de ouro - daqueles como os da SIC, mas melhores - quando fez a versão feminina de Sean Penn no “Dead Man Walking”, no filme “Last Dance”. Em “Antz”, um filme da animação 3D de 1998, ela fez a voz da Formiga Rabiga.

Em “Gloria” (1999), Stone anda à porrada com uns mafiosos e aprende a falar italiano. Por esta altura era já sem dúvida alguma, uma dura de respeito, mas faltava-lhe fazer uma coisa que os duros fazem frequentemente: comer gajas. Daí o filme “If These Walls Could Talk 2” ( 2001) ter caído que nem ginjas, pois Sharon faz o papel duma lésbica. Mas como Deus castiga estas coisas do “contra-natura”, enviou-lhe um raio, ou sei lá o quê, que lhe provocou uma aneurisma cerebral. Isso explica que desde então não tenha feito nada de especial, sendo “Broken Flowers” (2005), o filme mais representativo desse “não fazer nada de especial”.

É pena mas é assim… a vida. Sharon Stone seria uma forte candidata ao título d’ “A Mais Dura” – e note-se que até uma cicatriz no pescoço tem, como facilmente se pode verificar na sessão fotográfica para a Playboy- se não fossem estes senãos: Sharon é asmática, diabética e defensora dos direitos gays. E se isto não são sinais de fraqueza meus amigos, então já nem sei o que vos diga...

Outras Duras:

A Mais Dura V

A Mais Dura IV

A Mais Dura III

A Mais Dura II

A Mais Dura I

5.5.06

Rádio Gémeo Malvado: Sítios



O que eu adorava jogar ao Stop quando era mais gaiato… Pouco ou nada, para ser sincero. Mas, entre sessões de Bate-pé, lá calhava ter que escrever uns nomes próprios, umas marcas ou uns frutos mais depressa que os outros. A primeira categoria, pelo menos cá na minha comarca, era sempre a “sítios”, esse elaborado conceito infantil que corresponde ao “zonas geográficas” mais adulto. Portanto, em jeito de homensagem, aqui ficam onze músicas de onze bandas com nomes de sítios.

Na baliza, temos Europe e o seu “Final countdown”, esse magnífico golpe de rins que não parece sair nunca de moda. Como laterais, na direita, Asia com “Heat of the moment”, uma música que, a bem dizer, possui uma letra que mais parecem as justificações d’alguém que acabou de violar outra pessoa; e, ocupando a banda esquerda e recuperado de uma lesão grave ao nível dos adutores, Nazareth com “Love hurts”, essa reconhecida alegoria relativa “àquela vez nos duches da prisão”, por ocasião da pena que cumpria devido a apostas ilegais. Por sua vez, a zona central da defensiva é ocupada por Berlin, com “Take my breath away”, um central que os especialistas catalogam como “clássico”. Algo lento e parado, mas técnico, e que sabe ocupar muito bem os espaços. A seu lado, Boston e “More than a feeling”, que, sendo muito mais explosivo que o seu companheiro de defesa, acaba assim, Rui Tovar dixit, por ser o seu complemento perfeito.

No meio campo, como vértice mais recuado, Japan, aluno aplicado da escola synth-pop e das suas componentes mais viradas para disposições tácticas, com “Life in Tokyo”. Nas faixas do meio campo: Texas e “Say what you want”, cantoria que remete automaticamente para a série “Riscos” e que, por isso, será sempre uma opção controversa aos olhos dos adeptos e pessoas de uma maneira mais geral; e Buffalo Springfield, ele que, com “For what it’s worth”, regressa após uma experiência internacional na banda sonora do Forrest Gump. Finalmente, America e “Last unicorn”, uma espécie de Zahovic, mas ainda mais lento e ainda menos eficaz, no apoio aos pontas de lança. Que são, Kansas, com “Dust in the wind”, melodia que prova como pó e ventania são coisas que nunca combinaram bem em lado nenhum; e Chicago, que, com o seu “If you leave me now”, parece finalmente ter convencido o seu treinador de que é um avançado que não pode jogar sozinho na frente.

Uma equipa vencedora? Não. Mas que dá um jeitão do caraças para jogar ao Stop. É também a playlist perfeita para fazer verter uma lágrima a cinquentões divorciados utentes de uma qualquer estrada de província às 4 e meia da manhã num dia de semana. Uma terça-feira, parece-me.
EuropeFinal Countdown
AsiaHeat of the moment
NazarethLove hurts
BerlinTake my breath away
BostonMore than a feeling
JapanLife in Tokyo
TexasSay what you want
Buffalo SpringfieldFor what it’s worth
KansasDust in the wind
AmericaLast unicorn
ChicagoIf you leave me now

Work in Progress

Como o leitor pode calcular, ter um blog de sucesso como “O Gémeo Malvado”, não é de maneira nenhuma, uma tarefa fácil. Em primeiro lugar é preciso trabalhar arduamente. É determinante o desenvolvimento de ideias novas, diariamente, para poder permanecer no cume do mundo blogista. Em outras palavras, um blog é um verdadeiro work in progress.
Há que fazer muitas reuniões (briefings) para desenvolver e discutir os rumos a seguir. Aqui em baixo, podem ver uma foto que tirei de uma das reuniões da direcção do GM. Em frente, o chefão João e a sua direita, o seu braço direito, o Pedro. Atrás outros dois Gémeos, dos quais agora não me estou a lembrar dos nomes, porque tanto texto já cá escreveram. Obviamente eu não apareço, porque estou a tirar a foto.














Como se pode observar na foto, o talento que se tem para escrever para blogs não se traduz necessariamente em talento para escolher camisolas. Tanto o Pedro como o João, precisavam de uma ajudinha. Um servicinho para o desempregado Esquadrão G?
Outro pormenor: sendo os Gémeos apreciadores do bom gourmet, estão a bebericar de copinhos brancos Chateau Mouton Rothschild de 1982.

3.5.06

Por Caminhos Pecaminosos II

Estamos sempre a aprender ao longo da vida e quando se está muito tempo por dia na net, isso então é uma constante. Ontem, por exemplo, estava eu descansadamente a surfar quando deparei com a palavra “chapeiro”. Sendo que português não a minha língua materna, perguntei aos meus colegas do trabalho o seu significado. Ninguém sabia. Ainda sugeri que podia ser uma alguma profissão ligada a chapinhar na água. Uma pessoa que fabrica ou que restaura chapéus é chapeleiro.
Fui ver então ao dicionário e é uma pessoa que trabalha a chapa de carros, vulgarmente conhecido com bate-chapas.
Na net descobri este site interessante sobre o assunto. É o site do Paulo, um jovem chapeiro, que tem muito orgulho na sua arte e onde podemos ler que, além de muita prática, são precisas três “coisitas” fundamentais para ser chapeiro, a saber:

- HONESTIDADE
- PERFEIÇÃO
- CRIATIVIDADADE

É bonito. Ser chapeiro deve ser algo como pertencer a uma seita misteriosa, ser um jedi ou templário.



29.4.06

Dica da Semana

Que se pode ler muita coisa útil no “Dica da Semana”, o jornal gentilmente e gratuitamente distribuído pela cadeia Lidl, toda gente já sabia. Agora que também se pode saber qual o estado do país, isso é que não. Posso, desde já, dizer-vos, que as coisas vão muito bem para Portugal.
Ontem passei pelo aeroporto e comprei um jornal Belga (quem escreve para o GM tem que estar a par das notícias estrangeiras), e lá dentro havia uma página inteira com publicidade do LIDL que observei meticulosamente.
Em primeiro lugar, descobri que o LIDL faz promoção aos mesmos produtos ao mesmo tempo cáe lá, porque no “Dica da Semana” estavam exactamente os mesmos produtos anunciados. Mais, os preços de lá não são iguais que cá:

-colchão (em Portugal) 19,99; (na Bélgica) 13,99
-ténis de ciclismo (P) 24,99; (B) 21,99
-binóculos (P) 19,99; (B) 17,99
-toldo de protecção solar (P) 49,00; (B) 39,99

Isto só pode querer dizer uma coisa, estimados leitores: o poder de compra em Portugal é superior à desse país minorca lá do Norte. Durante anos ouvimos essas mentiras sobre como Portugal está na cauda da Europa, mas acabou…toca mas é a alargar o cinto!



O homem do colchão é o mesmo! Apenas está a olhar para outro lado e mudou o relógio de braço. Truques de marketing, cá para nós.

27.4.06

Rádio Gémeo Malvado: Super Heróis



O tema da playlist desta semana, segundo o seu criador "Mat", é "Super-Heróis". Certamente que ninguém se lembra dum personagem chamada "Garbage Man", mas na verdade existe. Na banda desenhada "Dilbert" há um homem do lixo que manda umas bocas e que respondes a perguntas existenciais. Seguindo uma lógica um tanto ou quanto tubercular, podemos considerá-lo também um super-herói. E as músicas desta semana são então as seguintes:

Queen - Flash
Black Sabbath - Iron Man
Entombed - Wolverine Blues
Ramones - Spiderman
Elton John - Captain Fantastic and the Brown Dirt Cowboy
Felix Gallardos y Su Academia Norteña - El Superman
REM - I Am Superman
Breeders - Invisible Man
The Cramps - Garbageman
The Fall - How I Wrote Plastic Man
XTC - Thats Really Super, Supergirl
Flaming Lips - Waiting on Superman

Por Caminhos Pecaminosos



Zé Lino representa na perfeição aquilo que os americanos há muito definiram como um “one man show”. Não no sentido “toca acordeão, gaita-de-beiços e ainda equilibra pratos, tudo ao mesmo tempo e com um pequeno macaco ao ombro que toca ferrinhos com a mestria que a sua existência simiesca lá vai permitindo”. Zé Lino será antes um “one man show” no sentido em que é só um gajo e dinamiza aquilo que, em rigor, até se poderá considerar um espectáculo. Espectáculo, não na sua essência adjectival, claro, mas na sua natureza meramente nominal. Especificando um bocadinho mais a coisa, adiante-se já que Zé Lino é um músico. Faz casamentos, baptizados, karaoke, bares, eventos e diversos eteceteras e tal. Portanto, actua basicamente em todo o lado onde o bom gosto não seja tido nem achado. Como não podia deixar de ser, nesta era da inovação, Zé Lino tem um site pessoal: o www.zelino-music.com. Music, para não confundir com os outros Zé Linos que já existiam e tinha um site a promover os seus serviços. Nomeadamente o Zé Lino Magic, o Zé Lino Tarot e o Zé Lino Instalação de Alcatifas, Laminados e Lamparquetes.

Para entrar no site de Zé Lino propriamente dito, temos que carregar num botão vermelho e, de imediato, somos recebidos pelo “Dancing in the Dark”, esse célebre hino de Bruce Springsteen. E, francamente, explorar o Zé Lino Music é um bocadinho como dançar às escuras. Há várias secções. Na secção “Quem sou” o músico fala de si na terceira pessoa. Não porque sempre lhe custou mais conjugar a primeira pessoa do singular, mas porque quer que os seus leitores pensem que foi outra pessoa que escreveu aquilo. O seu biografo? Talvez. Mas percebe-se que foi ele. Foste tu que eu sei. Foste tu, Zé Lino. Musicalmente, gosta de tudo um pouco. Por exemplo, e vou citar inteiramente o autor, “na sua opinião tocar Jazz não é pera doce e para quem conhece, mais ou menos, a linguagem é muito giro.” Sim senhoras! O próprio José Duarte não poria a coisa em melhores termos.

Zé Lino é também um homem de ideais. Luta por aquilo que quer. “Aos 17 anos participou num concurso na Rádio Cidade que consistia em juntar o maior número de assinaturas, seguido do respectivo número de bilhete de identidade” (…) “Zé Lino começou a juntar assinaturas já havia decorrido 1 mês e meio. Conseguiu arrecadar 3600 assinaturas. Muita gente não acreditava que conseguia e diziam que era um tempo perdido pois nunca penasaram que arranjava 3600 assinaturas, ganhando a guitarra de Slash. Ainda houve um segundo classificado com 3300 assinaturas. Por isso se diz que querer é poder”. Exacto. Por isso! Porque Zé Lino conseguiu 3600 assinaturas e o outro gajo só conseguiu 3300. É daí que vem este celebérrimo adágio.

Mas Zé Lino não é só jazz e assinaturas. Zé Lino é pândega. Zé Lino é folia. Zé Lino é regabofe. Zé Lino é patuscada. Zé Lino é funçanata. E a realidade é que eu podia estar aqui bem mais tempo. Conheço umas boas centenas de sinónimos do vocábulo “festa”. Aquela da boa. Da grossa. Da rija. Mas vou avançar. Verdade, verdadinha, é que Zé Lino e os amigos “faziam trinta por uma linha nos montes”, com os seus jipes, os “Guerreiros”, que, não raras vezes, ficaram atascados por esse Portugal fora. “Agora, diz que a predisposição para ficar atascado não é tanta, pois tem muitas outras coisas muito interessantes para fazer e não quer ter trabalho a desatascar Jipes.” Mas leiam lá o relato daquela vez em que “um dos Jipes ficou atascado ao pé de um desaguamento de esgoto”. Só vos digo que “foi fartar de rir” e que envolveu um “tractor daqueles grandes.

Zé Lino “gosta muito de açorda de marisco, leitão, choco frito e um bom vinho, mas claro quem o conhece sabe que come tudo.” Pessoalmente, nunca duvidei. Bastou-me olhar para ele uma vez para duvidar, isso sim, se o próprio oxigénio que consome não será também altamente calórico. Diz ainda que a melhor banda do mundo são os Pink Floyd (Roger Waters), mas o melhor concerto foi do Roger Waters (Pink Floyd). Também preza o Roberto Carlos. Afinal de contas, “como dizia num site que viu na internet ‘Roberto Carlos está para o Brasil como o Elvis esteve para a América e os Rolling Stones estão para a Europa.’”

Existem ainda os vídeos, esse manancial de qualquer coisa que agora não m’a lembra. Há pelo menos um do Zé Lino, que, não esquecer!, praticou judo durante anos, a lutar com o Nuno. Não sei quem ganhou porque o judo, essencialmente, consiste em dois gajos abraçados a passar rasteiras um ao outro. E há vários vídeos com actuações ao vivo. Vi alguns. Muitos deles são em bailes de máscaras em que só para aí metade das pessoas é que estão mascaradas. Sobretudo a malta mai’nova. Os velhotes não se mascaram. Portanto, basicamente, estes vídeos do Zé Lino parecem o teledisco do “Thriller” se o Wacko Jacko tivesse gravado aquilo num lar de idosos. O resto são vídeos em cafés e associações. Caras de pessoas em cafés e associações. E o Zé Lino ao fundo. A fazer a sua arte.

Aproveitem. Casem mais cedo. Tenham um filho para o baptizar à pressa. Promovam um karaoke. Abram um bar. Organizem um evento. É que, caraças, o Zé Lino anuncia na secção “Orçamentos”: há uma nova campanha de descontos!

21.4.06

Eurovisão

Sempre achei o festival de Eurovisão uma amostra de kitsch no seu estado mais puro. Quando era criança, eu ainda achava alguma piada àquilo, mas quando cresci, a música sem originalidade nenhuma e o vazio de ideias para o espectáculo em si, deixaram de me entusiasmar. Sejamos francos, mesmo o Waterloo não é das músicas mais fortes dos ABBA.
Mas eis que, esta semana, li sobre as participações deste ano de Finlândia e da Alemanha.

Da Finlândia, virão os Lordi:



Esta banda que já vendeu mais de 50.000 cópias e tiveram um single com o título "Would you love a Monsterman" em primeiro lugar no top. Tem influências de bandas como Twisted Sister, WASP e Iron Maiden, ou seja, o bom gosto reina neste conjunto.

Da Alemanha, virão os Texas Lightening:



Foram buscar o nome a um filme, sobre o qual li o seguinte comentário: “It's so bad that when I searched the credits for a director--it wasn't to see who he was but if the movie even had one.” Isto só já promete, mas não é só o nome que chama a atenção. A sua música é uma mistura de Patsy Cline, Loretta Lynn, Johnny Cash e …. ABBA.

Voltou a criatividade, se alguma vez houve, a este festival que parecia moribundo há decadas e só para ver estas duas bandas, não vou falhar este ano o festival Eurovisão. Não seria boa ideia para Portugal, mandar outra vez o grandioso José Cid, mas a cantar por cima de uma batida drum ´n bass ou hardhouse?

19.4.06

Rádio Gémeo Malvado: Covers


É com muito prazer, orgulho, e uma série de outros nobres sentimentos, que convido todos os nossos leitores a ouvirem, e quem sabe até escutarem, a nossa nova rádio online. Todas as semanas iremos ter uma playlist temática, recheada de músicas escolhidas a dedo por um dos nossos colaboradores. O tema desta semana, que é da minha responsabilidade, é "O melhor género de música do mundo", que como toda a gente sabe, são as covers. Desafio-vos ainda, a descobrirem os temas originais aqui "cobertos" e a fazerem um feedback ali na caixa dos comentários. E já de seguida, vamos ouvir doze músicas sem falar...

Beck
- Everybody's Gotta Learn Sometimes
Bjork & PJ Harvey - Satisfaction
Cat Power & Karen Elson - I Love You (Me Either)
Faith No More - Glorybox
Johnny Cash & Fionna Apple - Bridge Over Trouble Water
Mesa - No One Knows
Nick Cave - Disco 2000
Nixon - Summer of 69
The Ukrainians - Batyar
Tom Waits - Return Of Jacky & Judy
Yeah Yeah Yeahs - Hyperballad
Jeff Buckley - If You Knew

17.4.06

I LOST



Há duas semanas atrás participei num concurso da RTP sobre a famosa série de televisão “Lost”. O concurso consistia em escrever o ultimo episódio da série com o máximo 350 caracteres para poder ganhar uma mochila, e mais alguma marroquinaria. Mais pelo prazer de escrever um texto sobre Lost, do que para ganhar essa tralha, participei e eis o resultado que enviei:

"Afinal a ilha tropical onde os sobreviventes do desastre de avião foram parar é a ilha de Madeira. No último episodio, serão atacados por Alberto João Jardim, que pensa que se trata de uma invasão de Cubanos. Os nossos heróis vão conseguir fugir e depois de uma longa e dolorosa travessia, vão parar a costa de Portugal. Lá vão andar também perdidos, mas isso juntamente com mais 10 milhões de pessoas…"

Não ganhei, o que já é normal; mas qual não foi o meu espanto quando vi as participações que ganharam:

Luís Rosado - Vila Viçosa
"Michael acaba por desistir de recuperar o filho. A ilha é coberta por um denso nevoeiro e tudo fica claro para ele. Nada naquela ilha foi real! Apenas o local de transição entre a vida e a morte. Há muito que morreram, apenas ali estão para serem julgados pelos seus pecados. Todos os restantes têm motivos para continuar no purgatório, e lá continuarão presos até se libertarem dos assuntos os prende ao reino dos vivos."

Luís Miguel Teixeira - Oeiras
"Divididos em turnos, cada um deve introduzir a sequência numérica a cada 108 minutos, para evitar a revelação do segredo. Na vez de Hugo, este resolve deixar passar o tempo sem o fazer. Aí concluí-se que, de facto, nenhum deles alguma vez abandonou a instituição psiquiátrica onde são pacientes e estavam submetidos a um teste que os simulava numa ilha remota e abandonada como sobreviventes de um acidente de aviação."

Duarte Carreira - Lisboa
"“Os únicos sobreviventes, Jack e Locke, aproximam-se do helicóptero que agora aterrava na ilha. A câmara mostra a cara de surpresa dos dois, ao reconhecerem a cara do homem que de lá surge: Alvar Hanso, da Hanso Foundation, financiadora da Dharma Iniciative. Sem rodeios, o magnata revela-lhes: “4 anos, 8 meses, 15 dias, 16 horas, 23 minutos e 42 segundos depois, termina a experiência L.O.S.T, Life Observation Survival Test."

Cristina Manuela Nunes Francosco - Sobreda
“ ... um laboratório de clonagem, escondendo um ser nunca antes visto onde trabalham 3 cientistas, apenas o governo dos EUA sabe. A queda do avião põe em perigo este segredo... e coisas estranhas acontecem. Mas os PERDIDOS descobrem tudo, até um barco com tudo o que precisam para saírem da ilha. Então entendem porque é que nunca foram encontrados pelas equipas de salvamento....”