5.6.06

Water closet manager

Que viagens podem ser actividades muito lúdicas, isso já toda gente sabe. E foi exactamente o que aconteceu na minha ultima visita aos Países Baixos. Descobri, entre outras coisas, uma solução para dois problemas portugueses. A saber: o desemprego e a falta de casas de banhos públicas e limpas.
Na Bélgica, existem pessoas que tomam conta de casas de banhos e que são pagas pelos utentes precisamente por isso. Eu sei que também há cá em meia dúzia de lugares públicos do género, mas a diferença está no facto de, por lá, haver não só em todos os WC’s públicos, mas como também há em todos os cafés, restaurantes e centros comerciais.
Isto pode provocar alguma revolta no freguês português…pagar para cag…desculpem…para fazer a sua necessidade…mas o que vem a ser isso!
Mas é isso mesmo. Paga-se 50 cêntimos, mas em contrapartida temos a certeza que a casinha vai cheirar a fresco e estar limpinha.
Há sítios que são de facto uma verdadeira vergonha. Se alguém já foi, por exemplo, ao wc do café Brasília no Chiado sabe do que estou falar. Há boatos que dizem mesmo que a famosa cena do Trainspotting foi filmada lá.
Acaba-se também com outras facetas importunas que rodeiam o acto: como ter que fazer um consumo apenas para usufruir da casa a de banho do estabelecimento, ter que pedir a chave, não haver papel ou portas que não fecham.
Ainda não consegui averiguar como o estado Belga faz com que estas pessoas fazem os seus descontos (com recibos verdes não é), ou se elas chegam mesmo a pagar aluguer ao estabelecimento onde trabalham, mas, seja como for, é uma solução para muitos milhares de pessoas que estão no desemprego. WC madam, Toilet madam ou mesmo Madam pipi, é o que os compatriotas do Tintin lhes chamam, nomes que não são de facto prestigiosos. Será sem duvida preciso arranjar um nome mais sonante para este emprego. Water closet manager ou sanitairian supervisor por exemplo, soam bem melhor e mais atraente.
Lá no norte, normalmente são pessoas com poucos estudos que exercem este métier, mas como aqui o que vale mesmo é ser senhor doutor, e como há tantos no desemprego, este tipo de actividade deveria ser apenas só para licenciados e com um estágio de pelo menos dois anos. Ser fluente em pelo menos três línguas será obviamente uma mais valia.
Abrir um curso superior também é uma opção no sentido de trazer mais encanto a este novo emprego. Como na maior parte dos cursos superiores, seria coisa fácil encher o programa com disciplinas que não servem para nada e mais fácil ainda seria arranjar professores doutores para leccionar. Obviamente que se podia abrir mais um instituto superior: o I.S.W.C. Que, claro, teria o seguinte lema: “It’s a dirty job but someone got to do it.”

8 comentários:

João disse...

Eu cá vou sempre ao WC das mulheres! Não só os urinois lá são mais limpos, como também não tenho problema algum com o facto de ter a pessoa do lado a olhar para mim com ar de depravada.

sacrilegius disse...

Nos WC's das mulheres, elas fazem o xixi ao lado umas das outras ?

Pedro disse...

Comigo esse problema nunca se coloca. Uso fraldas. Às vezes, com amigos num bar, eles não sabem que estou a defecar ao mesmo tempo que falo com eles. Mas estou.

João disse...

Não só elas fazem o xixi ao lado umas das outras, mas também fazem umas em cima das outras, trocam carícias e filmam. Porque é que achas que elas vão sempre aos pares?

sacrilegius disse...

Agora entendi a origem desses filmes.
Elaborei uma tese para explicar essa origem :

Para tal, vamos partir de hipóteses, materializadas em alguns axiomas retidos nos comentários anteriores e que são :
- Elas vão aos pares;
- Há filmes que documentam o fenómeno;
- O joão vai ao WC feminino (porque é mais limpo, diz ele, e nós acreditamos);
- O joão não é mulher (mantém ele ao longo da literatura de suporte deste blog, e nós acreditamos);

Consideremos por hipótese numa janela temporal em que só um par de mulheres se encontra no interior desse espaço, afinal de luxúria, que é um WC feminino.
Mas há registo cinematográfico que torna o momento eterno.
Estando essas mulheres ocupadas, não dispondo portanto nem de tempo, mãos ou disposição para se entreterem com a sétima arte, alguém terá que se entregar a essa tarefa.
Esse alguém, não pode ser mulher, uma vez que a lotação de pares está completa, e, de acordo com os axiomas, elas não vão aos trios. Vão aos pares.
Mas alguém está lá. Alguém, que não sendo mulher, chama a si a tarefa ingrata do registo magnético do momento.
De acordo com os axiomas de partida e com o desenvolvimento em tese, só se pode postular que o João, esse "Manoel de Oliveira" de WC, se encarrega de filmar toda a intriga, enfim, todo o drama que intraportas de desenrola.

Conclusão : O João gosta de filmar em sítios limpos.

NOTA : A Tese deverá ser válida para um número de pares superior a 1, ou seja, para um número ilimitado de pares, sendo só possivel de comprovar "in loco". Talvez o João possa partilhar connosco essa informação.
Fica o desafio.

sacrilegius disse...

Pedro : Como é que resolves o problema da flatulência ruidosa que acompanha esses momentos de prazer intimo que é defecar o resultado da transformação interna de um excelente prato da portuguesíssima sopa de couve tronchuda, acompanhada aqui e ali por bocados de costela e couriça ?

sacrilegius disse...

Couriça ????

Quis dizer chouriça.

João disse...

Ò legius pá, obviamente que há um numero limite de pares. Se não houvesse, a cena que descrevi anteriormente descambaria numa peixarada. Afinal de contas, estamos a falar de gajas. E de casas-de-banho... com uma lotação máxima.