5.6.06

Rádio Gémeo Malvado: Nomes parecidos com outros



O tema da minha segunda playlist tem um tema deveras altíssono, como aliás é meu apanágio. Escolhi músicas de 11 artistas que, por razões claras ou menos luminosas, têm nomes que se podem confundir com outros 11 artistas, também eles do mundo da cantoria. No imediato, segue a lista dos cantores e das cantigas, sendo que, entre parêntesis, surge o tal artista com o nome parecido. O critério para escolher um dos artistas com nome parecido em detrimento do outro artista com nome parecido foi, enfim, nenhum.

Johnny Nash (Johnny Cash): I can see clearly now
Ficará nos anais da História como a música do anúncio da Nescafé. Aquele em que alguém parava o carro perto duma ribanceira ou duma praia, aquecia água com o isqueiro do carro e bebia um café ali mesmo. Belo departamento de marketing tinha a Nescafé, hem? Será que pensaram que alguém, ao ver aquilo, iria exclamar “sim, vamos comprar o café preferido deste falhado que vive no carro”? Além disso, o Johnny Nash tem voz de mulher.

OMC (OMD): How bizarre
Foi o grande sucesso da maior banda neozelandesa depois dos Crowded House. É complicado conseguir este feito de ser a maior banda neozelandesa depois dos Crowded House. Basicamente, é preciso nascer na Nova Zelândia. Mas isso é difícil, porque há muitos países no mundo. O teledisco consistia num casal de aborígenes a passear um cambojano num descapotável vermelho.

Bryan Adams (Ryan Adams): Heaven
Heaven é céu em inglês. Bryan é Bruno no Canadá. A família do Bryan é a Família Adams. Quem ouve o Heaven fica com o desejo de usar vestidos e dedicar uma vida a laços e desenhos de arco-íris. Foi uma voz na minha cabeça que me disse isto. E, vendo bem, não é a canção mais masculina do mundo, não.

Jan Hammer (MC Hammer): Crockett's theme
Quando se ouve esta música, a vontade de calçar uns sapatos brancos, vestir umas calças, também elas brancas, e usar uma t-shirt com gola em V de cor roxa ou pastel, é irrefreável. Já venho.

Medicine Head (Machine Head): One and one is one
Repeti o título desta música 5 vezes muito depressa e tive o meu primeiro início de ataque epiléptico. Agora é só dominar a maravilhosa arte de ter ataques epilépticos quando quiser e onde quiser, e facilmente subjugarei a humanidade em breve.

Jim Diamond (Neil Diamond): I should have known better
Jim foi o James Blunt dos inícios dos anos 80. Esta música foi “You’re beautiful” da altura. É uma choradeira interminável sobre não sei quem que não sei quê por causa de coisas que tinham acontecido ou deixado de acontecer algures acolá. Ao menos este “Should have known better” não tinha teledisco. Mesmo que tivesse, dificilmente teria o tema “Jim a chorar em tronco nu num icebergue debaixo de chuva torrencial”.

Everclear (Everlast): Brown eyed girl
O original é do Van Morrison, pai do Jim Morrison e dos Van Halen. Esta versão é muito merdosa, mas a banda, os Everclear, também. Mesmo dentro da mediocridade, é sempre de bom-tom que se vá mantendo a coerência.

John Legend (John Lennon): Don't you worry 'bout a thing
Mais uma cobertura. Desta vez, o original pertence a Stevie Wonder. Esta versão do João Legenda (como Gabriel Alves tão bem traduziu este vocábulo anglo-saxónico aqui há uns anos) faz parte da banda sonora do Hitch, que é um filme. Segundo consta pelo menos. Sim, o Hitch é um filme, asqueroso, com o príncipe de Bel-Air. Esta música é pior.

Dread Zeppelin (Led Zeppelin): You should be dancing
Outra. O original é dos Bee Gees, que, até há bem pouco tempo, eram o Trio Odemira do Reino Unido, mas assim mais admiradores do falsete. Seja como for, entretanto morreu um e agora já não são. Morreu um Bee Gee, que o Trio Odemira está bem de saúde. Os Bee Gees, sendo dois irmãos, agora podem ser os Anjos do Reino Unido, vá.

The Slits (The Smiths): I heard it through the grapevine
C'um caraças, mais uma. O original desta canção é do Smokey Robinson & Os Milagres e já muita gente a cobriu. As Slits, que cobrem esta versão, mostram as mamas na capa do seu primeiro disco. E cheias de lama. Será que estiveram a lutar na lama em topless? Na minha cabeça, estão sempre.

The Thrills (The Kills): Big Sur
Duas bandas da vaga “The uma palavra qualquer”. Até devia ter qualquer coisa para dizer sobre esta banda ou a música. Mas ainda estou a pensar nas Slits a lutar na lama com as mamas ao léu e não me consigo concentrar.

Water closet manager

Que viagens podem ser actividades muito lúdicas, isso já toda gente sabe. E foi exactamente o que aconteceu na minha ultima visita aos Países Baixos. Descobri, entre outras coisas, uma solução para dois problemas portugueses. A saber: o desemprego e a falta de casas de banhos públicas e limpas.
Na Bélgica, existem pessoas que tomam conta de casas de banhos e que são pagas pelos utentes precisamente por isso. Eu sei que também há cá em meia dúzia de lugares públicos do género, mas a diferença está no facto de, por lá, haver não só em todos os WC’s públicos, mas como também há em todos os cafés, restaurantes e centros comerciais.
Isto pode provocar alguma revolta no freguês português…pagar para cag…desculpem…para fazer a sua necessidade…mas o que vem a ser isso!
Mas é isso mesmo. Paga-se 50 cêntimos, mas em contrapartida temos a certeza que a casinha vai cheirar a fresco e estar limpinha.
Há sítios que são de facto uma verdadeira vergonha. Se alguém já foi, por exemplo, ao wc do café Brasília no Chiado sabe do que estou falar. Há boatos que dizem mesmo que a famosa cena do Trainspotting foi filmada lá.
Acaba-se também com outras facetas importunas que rodeiam o acto: como ter que fazer um consumo apenas para usufruir da casa a de banho do estabelecimento, ter que pedir a chave, não haver papel ou portas que não fecham.
Ainda não consegui averiguar como o estado Belga faz com que estas pessoas fazem os seus descontos (com recibos verdes não é), ou se elas chegam mesmo a pagar aluguer ao estabelecimento onde trabalham, mas, seja como for, é uma solução para muitos milhares de pessoas que estão no desemprego. WC madam, Toilet madam ou mesmo Madam pipi, é o que os compatriotas do Tintin lhes chamam, nomes que não são de facto prestigiosos. Será sem duvida preciso arranjar um nome mais sonante para este emprego. Water closet manager ou sanitairian supervisor por exemplo, soam bem melhor e mais atraente.
Lá no norte, normalmente são pessoas com poucos estudos que exercem este métier, mas como aqui o que vale mesmo é ser senhor doutor, e como há tantos no desemprego, este tipo de actividade deveria ser apenas só para licenciados e com um estágio de pelo menos dois anos. Ser fluente em pelo menos três línguas será obviamente uma mais valia.
Abrir um curso superior também é uma opção no sentido de trazer mais encanto a este novo emprego. Como na maior parte dos cursos superiores, seria coisa fácil encher o programa com disciplinas que não servem para nada e mais fácil ainda seria arranjar professores doutores para leccionar. Obviamente que se podia abrir mais um instituto superior: o I.S.W.C. Que, claro, teria o seguinte lema: “It’s a dirty job but someone got to do it.”

31.5.06

Mascotes aos magotes

Há, neste mundo, muitas coisas que são intrinsecamente asininas. Cães ou flamingos de louça à escala real. Camisolas para animais. Bicicletas tandem. Balões de ar quente. Papagaios e a arte de os empinar na praia ou onde quer que seja. Fogo de artificio. A palavra piquenique e tudo aquilo que representa. Fruta cristalizada. Bolsos em pijamas. Salsa, o condimento. Salsa, a dança. Salsa, a marca de calças. Mimos e qualquer espécie de malabarismo de rua. Telediscos em que, apesar de haver só um vocalista, todos os restantes elementos do grupo acompanham a letra com sincronização labial e sentimento. Palitos de champanhe. Roletas nos matraquilhos. Dança do limbo. Corridas de sacos. Animais empalhados, sobretudo cabeças de alce. Aqueles cães com uma textura meio aveludada que abanam a cabeça na parte de trás dos carros. Tudo parvoíces. É certo que umas são mais que outras, mas a verdade é que o mundo seria um melhor lugar sem estas coisas. Presença obrigatória, quando se fala no absurdo número de coisas que, a bem dizer, não serve para nada e são estúpidas, é a das mascotes. Olha, aqui está uma e tudo.


A criatura da foto é o Goleo. Título que decorre da extraordinária fusão entre o vocábolo “Golo”, que, óbvio, remete para o único desporto que encanta o mundo, e “Leo”, o “Manel” dos leões, ou seja, o nome mais comum entre os imperais predadores que governam as selvas desde sempre. O Goleo é a mascote do campeonato do mundo. A sua companheira chama-se Pille (alemão para pílula) e, como se pode ver, tem boca de quem parece ter acabado de comer um mamífero vivo e olhos que, se os fitarmos durante tempo demais, nos hipnotizam para fazermos o trabalho sujo desta criatura esférica. Já o Goleo, tem cara de parvo. Tira fotos com a boca aberta. Nem parece o leão que dizem ser. Parece uma mistura de leão com um tapete, um urso, o Rui Bandeira e aquele bicho d’A História Interminável. Aquele que voava e tinha umas narinas enormes. Usa camisola e chuteiras, mas, onde deveria ter uns calções, está ao léu. Além disso, é esquizofrénico. Tanto oferece flores à Pille, como lhe dá joelhadas, pontapés e cabeçadas. Raios, pá! Eu tive uma camisola do Naranjito e um porta-chaves do Pique. Além disso, sou do Sporting. Este Goleo e a sua partenaire não passam de uma desconsideração desumana. Desde o Subi que uma mascote não dava azo a tanta revolta. Seus pulhas!

25.5.06

O Gémeo Malvado apoia oficialmente:



A selecção de Angola no mundial de 2006, assim como as selecções de todos os outros países que tenham uma catana - ou qualquer outro tipo de arma - nas suas bandeiras. Também apoiamos, mas não oficialmente, as selecções Reader´s Digest durante o referido campeonato.

23.5.06

O Circo Voltou à Cidade

Mal tinha pus os pés em terra, no aeroporto da Portela, regressado de umas bem merecidas férias, pude logo avistar que o circo tinha voltado a cidade... perdão… país. Sim estimados leitores, começou o triste espectáculo nacional da adoração da bola. Bandeirinhas com as cores nacionais e imagens dos jogadores da equipa das quinas por todo o lado. Já não é a religião, mas sim a bola, que é o ópio do povo.
As pessoas tornam-se de livre vontade meras marionetas do jogo de marketing como se pude ver no outro dia. Uma empresa qualquer organizou a mega-acção e juntou milhares de mulheres para fazer a bandeira mais bonita (será que os adeptos gays também acham isso?) do mundo. Uma acção só para mentecaptos de certeza, mentecaptas aliás, e me faz lembrar as acções de propaganda dos tempos do Estado Novo. Se fosse para arranjar malta, para uma simples acção humanitária, nem um centésimo do número dos participantes se arranjava.
É o inicio de um mês de nonsense. O país está totalmente perdido na cauda da Europa: o desemprego continua a subir em flecha, as empresas fogem para outros países, os hospitais e as escolas são de um nível de terceiro mundo, os idosos recebem reformas miseráveis, há cada vez mais criminosos nas ruas, etc., etc., mas por um mês inteiro, vamos esquecer isso tudo graças à divinal bola.
Quem é que vai pensar agora nos idosos que estão na lista de espera para serem operados há 3 anos? Nós é que não… vamos mas é pendurar bandeirinhas em tudo quanto é sítio, porque os 11 milionários que vão defender as cores nacionais no relvado, esses sim, precisam de sentir o nosso apoio.
Bem-vindo a narcose nacional!

20.5.06

Mitos Infantis III

Às duas espécies de mitos infantis previamente identificadas (aqui e aqui), pode-se acrescentar uma terceira espécie: a espécie “ainda não tenho os neurónios todos por isso estou sempre a ser ludibriado”. Todos nós fomos vítimas desta espécie.

Quando entrei para a primeira classe, disseram-me que havia um miúdo morto numa poça de água no recreio. E eu acreditei. Durante uma semana inteira. Acho que só comecei a desconfiar quando passou a época das chuvas e a poça secou.

Porque não desconfiei antes já que os professores da escola não tomavam medidas e nem sequer comentavam uma situação desta gravidade? É preciso ver que ir para a 1ª classe era como entrar numa terra sem lei em que os miúdos mais velhos nos podiam bater quando quisessem e, dizia-se, havia sempre uma dezena de ciganos à espera que passássemos os portões da escola para nos roubarem o relógio. Era cada pequenino por si! Por isso é que estávamos sempre a correr de um lado para o outro sem motivo aparente. Estávamos a praticar a nossa velocidade.

No entanto, tudo era esquecido quando acabava o recreio e entrávamos dentro da sala de aula; solo sagrado onde voltávamos a acreditar piamente na professora.A Sra. Professora dizia-nos para passarmos horas intermináveis a picotar um papel em cima de uma esponja e nós, maravilhados, cumpríamos a tarefa de bom grado. Fazia-nos esquecer a manhã exaustiva de volta das contas de somar. “Quando for grande eu quero ser picotador” diziam alguns alunos cheios de orgulho. “Sinto que a minha formação como pessoa é mais completa desde que iniciámos as aulas de picotagem” diziam outros (talvez).

E, olhando para trás, posso dizer com segurança que os meus companheiros que mais subiram na vida foram os que, em vez de irem para o recreio no intervalo, pediam à professora para continuarem na sala a praticar a arte cheia de significado que é a picotagem. Hoje, alguns são mesmo professores primários.


"Já temos os dentes todos. Agora estamos à espera que nos nasçam os neurónios".

16.5.06

Rádio Gémeo Malvado: Carros de Choque



José Nogueira Ferreira de Carvalho, nasceu no ano de 1959, em Condeixa a Nova e residia em Pedrouço, na Maia. Tem cabelo bastante curto, pele branca e faces muito rosadas, olhos castanhos, 1,70m de altura e pesa cerca de 80 kg (tem uma estatura forte, portanto).
José é analfabeto e sofre de perturbações mentais, e a última vez que foi visto (em 1998), estava num autocarro da cidade do Porto, transportando uns sacos, afirmando que se ia ausentar para Espanha. Já havia estado naquele país por períodos de cerca de dois anos, trabalhando num circo e numa pista de carros de choque.
Qualquer informação relativa ao seu paradeiro deverá ser comunicada para qualquer serviço de piquete da Polícia Judiciária, ou preferencialmente, para o seguinte endereço:

Polícia Judiciária - Directoria do Porto
Rª. Assis Vaz, nº 113,
4200 Porto
Telefone: 225 070 800
Piquete: 225 088 644
Fax: 225 023 642
Email: directoria.porto@pj.pt


O tema da playlist desta semana é "Carros de Choque", e foi escolhido não só por estar a decorrer a "Feira de Maio" em Leiria, mas também para prestar homenagem ao José Nogueira que, esteja ele onde estiver, esperamos que se encontre bem.

2 Unlimited - Megamix
Dr. Alban
- It's My Life

KLF - KLF Is Gonna Rock You
Ace of Base
- The Sign

Los Del Rio - Macarena
Tecnotronic - Ultra Mega Mix
Videokids
- Woodpeckers From Space

Vários Artistas
- 80s & 90's Club Mega Mix

Whigfield
- Saturday Night

Santa Maria
- Falésia Do Amor

Vários Artistas
- Dance 90's Medley Megamix

14.5.06

Separados à Nascença



Bernie Kopell - É um actor que conseguiu a proeza de ter entrado em quase tudo o quanto era série que ficou para a história da televisão, e apenas ser reconhecido por uma delas. Senão vejamos, Bernie participou em "The Alfred Hitchcock Hour", "Green Acres", "The Streets of San Francisco", "Bewitched" (onde fez de médico), "Get Smart", "Mary Tyler Moore", "Charlie's Angels", "Fantasy Island" (onde contracenou ao lado de Toy), "Love Boat" (a tal série que lhe deu fama e fortuna e onde fez de médico dum barco), "Sledge Hammer!", "The Fresh Prince of Bel-Air" (onde fez de médico) , "Beverly Hills 90210" (onde fez de médico) , "Charmed" (onde fez de médico legista) , e "Scrubs" (onde também fez de médico) . Está ainda a negociar a sua participação em "O.C.", série na qual irá fazer o papel de médico. Fazer de médico, é obviamente, a sua especialidade, visto que ao longo da sua carreira fez onze vezes esse papel.
É claro que isto lhe deu a volta à cabeça e hoje em dia trabalha num consultório que ele mesmo montou no anexo do seu quintal, acreditando que é mesmo um médico "à séria". O actor negro que fazia de bartender no "Barco do Amor" é que o ajudou com as obras, e faz de enfermeiro nesse mesmo consultório de segunda a sábado.

Mário Crespo - Este antigo correspondente da RTP em Washington - que por vontade de sua mãe seria hoje um médico especialista numa daquelas especialidades que dão dinheiro - é conhecido pelo seu estilo único de apresentação dos noticiários, criando um conceito de noticiário televisivo inédito, e classificado pelos os peritos em ciências jornalísticas como o estilo "que se lixe o teleponto, que eu a esta hora já devia ir a caminho de casa e ainda aqui estou".
É famoso também por traduzir reportagens americanas em uma hora e apesar de ser conceituado e bem pago, "diz que" ele agora canta em aniversários para juntar umas massas extras para ver se compra uma farda da marinha e vai num cruzeiro não sei aonde no Pacífico.

12.5.06

Feira de Maio em Leiria



Chega uma altura na vida de toda a criançola, e labregos que já namoram, de serem levados e levarem-se à feira de Maio em Leiria, uma cidade bela no centro de Portugal que se torna, com efeito, na capital da bimbolândia em Maio.
Feirantes gordurosos, vendem as suas traquitanas, e apergoam aos microfones viagens destemidas nos seus carróceis. Pavilhões de circos multicolores com as bandeirinhas orgulhosas desfraldadas ao vento, cada bimbo canta a sua música pimba em surdina, e esse fenómeno comove quem vê; ao ponto de pensar que estamos num país novo, mais moderno, mais alegre, mais saloio.
Quem entra, admira Edison e as suas lâmpadas eléctricas, quem se senta numa viagem lembra-se de Edison, e a nossa lei da gravidade.
Percorre-se à pressa as barracas que vendem briquabraque, e entra-se numa barraca de campanha, grande com comes e bebes, a comida meditrânica foi substituída por uma gastronomia de feira, os templos de oração; as capelas, os santuários deram lugar a um estaminé chamado cantinho místico, e no meio do New Age, o visitante torna-se pagão. Por isso é que Deus castiga, e manda chuvas em Maio, para desbaratar de Sodoma, os pecadores.
Deste modo, é com pleno alívio de um crente que não descrê que vejo chegar o dia da cidade, o nosso feriado 22 de Maio. A vida chega a ser um pouquinho mais normal a partir desse dia.

7.5.06

A Mais Dura VI



SHARON STONE

Nascida em 1958 em Meadville, uma pequena cidade da Pennsylvania, era filha dum operário fabril e de uma construtora de casas. Percebe-se logo quem é que usava calças lá em casa. Sharon sempre foi uma rapariga jeitosa e esperta, e como os homens – e algumas mulheres- não se medem aos palmos, as suas medidas em polegadas são 36B-25-35-154. Sendo que, infelizmente, 154 corresponde ao Q.I. e o 36B ao busto.

Aos quinze anos entrou na Universidade Estatal da Pennsylvania e não saiu de lá enquanto não lhe deram um diploma em escrita criativa e belas-artes. Mas como a arte e os livros não enchem a barriga a ninguém, foi trabalhar aos 17 anos para uma casa de hamburgers da cadeia que o doninha anuncia na rádio e na tv. Com essa mesma idade ganhou o concurso de Miss Pennsylvania. Daí rumou para Nova Iorque e foi bater à porta da agência de modelos da mãe do vocalista dos Strokes, a Ford, e passou a figurar numa série de anúncios e reclamos a produtos de renome internacional.

Como todos nós sabemos, tudo na vida tem uma ordem natural: as lagartas transformam-se em borboletas, os futebolistas passam a treinadores, e as modelos tornam-se actrizes. E assim, seguindo as leis da natureza, Sharon entrou para o mundo do cinema, representando o árduo papel de “menina bonita no comboio” no file Stardust Memories (1980) de Woody Allen, realizador que já tinha lançado um outro grande vulto feminino do cinema de acção num outro filme seu. De seguida, protagonizou um filme horrível (horror movie) de Wes Craven, intitulado “Deadly Blessing” (1981). Quatro anos depois entrou n’ “As Minas de Salomão”, o único filme que conheço que inclui uma fuga nesse magnífico meio de transporte que é o caldeirão. Por essa altura, casou-se com o produtor do "MacGyver”.

Não conseguido o papel da Glenn Close n’ A Atracção Fatal”, acabou por fazer o “Academia de Polícia 4”, o que não foi mau de todo, pois deu inicio ao seu currículo de dura, uma vez que fica sempre bem fazer de polícia quando se quer fazer carreira na dureza. "Òsdepois" o seu status de durona subiu em flecha, pois fez de mulher do Steven Seagal em “Above the Law” e de mulher do Arnold Schwarzenegger em “Total Recall”, realizado por Paul Verhoven, o génio por detrás de êxitos como “Robocop”, “Starship Troopers” e de “Showgirls”.
Mas o grande golpe de mestre de Verhoven foi o descruzar de pernas de Stone, em “Instinto Fatal”. Ainda tentaram fazer a acrobacia de novo, mas esqueceram-se que Sharon estava sentada na cadeira “à americana”- que para quem não sabe consiste em sentarmo-nos numa cadeira ao contrário, ficando as costas da mesma viradas para a frente - o que fez com que o filme se tornasse num fracasso. Diz que Sharon já planeia realizar "Instinto Fatal 3 - Ressurection", em Inglaterra.

Em 1994, Sharon viola Stallone num chuveiro, no filme “O Especialista”, e no ano a seguir fez a versão feminina de Trinitá em “The Quick and the Dead” e de mulher drogada e maluca do De Niro num “Casino”. Ganhou um globo de ouro - daqueles como os da SIC, mas melhores - quando fez a versão feminina de Sean Penn no “Dead Man Walking”, no filme “Last Dance”. Em “Antz”, um filme da animação 3D de 1998, ela fez a voz da Formiga Rabiga.

Em “Gloria” (1999), Stone anda à porrada com uns mafiosos e aprende a falar italiano. Por esta altura era já sem dúvida alguma, uma dura de respeito, mas faltava-lhe fazer uma coisa que os duros fazem frequentemente: comer gajas. Daí o filme “If These Walls Could Talk 2” ( 2001) ter caído que nem ginjas, pois Sharon faz o papel duma lésbica. Mas como Deus castiga estas coisas do “contra-natura”, enviou-lhe um raio, ou sei lá o quê, que lhe provocou uma aneurisma cerebral. Isso explica que desde então não tenha feito nada de especial, sendo “Broken Flowers” (2005), o filme mais representativo desse “não fazer nada de especial”.

É pena mas é assim… a vida. Sharon Stone seria uma forte candidata ao título d’ “A Mais Dura” – e note-se que até uma cicatriz no pescoço tem, como facilmente se pode verificar na sessão fotográfica para a Playboy- se não fossem estes senãos: Sharon é asmática, diabética e defensora dos direitos gays. E se isto não são sinais de fraqueza meus amigos, então já nem sei o que vos diga...

Outras Duras:

A Mais Dura V

A Mais Dura IV

A Mais Dura III

A Mais Dura II

A Mais Dura I

5.5.06

Rádio Gémeo Malvado: Sítios



O que eu adorava jogar ao Stop quando era mais gaiato… Pouco ou nada, para ser sincero. Mas, entre sessões de Bate-pé, lá calhava ter que escrever uns nomes próprios, umas marcas ou uns frutos mais depressa que os outros. A primeira categoria, pelo menos cá na minha comarca, era sempre a “sítios”, esse elaborado conceito infantil que corresponde ao “zonas geográficas” mais adulto. Portanto, em jeito de homensagem, aqui ficam onze músicas de onze bandas com nomes de sítios.

Na baliza, temos Europe e o seu “Final countdown”, esse magnífico golpe de rins que não parece sair nunca de moda. Como laterais, na direita, Asia com “Heat of the moment”, uma música que, a bem dizer, possui uma letra que mais parecem as justificações d’alguém que acabou de violar outra pessoa; e, ocupando a banda esquerda e recuperado de uma lesão grave ao nível dos adutores, Nazareth com “Love hurts”, essa reconhecida alegoria relativa “àquela vez nos duches da prisão”, por ocasião da pena que cumpria devido a apostas ilegais. Por sua vez, a zona central da defensiva é ocupada por Berlin, com “Take my breath away”, um central que os especialistas catalogam como “clássico”. Algo lento e parado, mas técnico, e que sabe ocupar muito bem os espaços. A seu lado, Boston e “More than a feeling”, que, sendo muito mais explosivo que o seu companheiro de defesa, acaba assim, Rui Tovar dixit, por ser o seu complemento perfeito.

No meio campo, como vértice mais recuado, Japan, aluno aplicado da escola synth-pop e das suas componentes mais viradas para disposições tácticas, com “Life in Tokyo”. Nas faixas do meio campo: Texas e “Say what you want”, cantoria que remete automaticamente para a série “Riscos” e que, por isso, será sempre uma opção controversa aos olhos dos adeptos e pessoas de uma maneira mais geral; e Buffalo Springfield, ele que, com “For what it’s worth”, regressa após uma experiência internacional na banda sonora do Forrest Gump. Finalmente, America e “Last unicorn”, uma espécie de Zahovic, mas ainda mais lento e ainda menos eficaz, no apoio aos pontas de lança. Que são, Kansas, com “Dust in the wind”, melodia que prova como pó e ventania são coisas que nunca combinaram bem em lado nenhum; e Chicago, que, com o seu “If you leave me now”, parece finalmente ter convencido o seu treinador de que é um avançado que não pode jogar sozinho na frente.

Uma equipa vencedora? Não. Mas que dá um jeitão do caraças para jogar ao Stop. É também a playlist perfeita para fazer verter uma lágrima a cinquentões divorciados utentes de uma qualquer estrada de província às 4 e meia da manhã num dia de semana. Uma terça-feira, parece-me.
EuropeFinal Countdown
AsiaHeat of the moment
NazarethLove hurts
BerlinTake my breath away
BostonMore than a feeling
JapanLife in Tokyo
TexasSay what you want
Buffalo SpringfieldFor what it’s worth
KansasDust in the wind
AmericaLast unicorn
ChicagoIf you leave me now

Work in Progress

Como o leitor pode calcular, ter um blog de sucesso como “O Gémeo Malvado”, não é de maneira nenhuma, uma tarefa fácil. Em primeiro lugar é preciso trabalhar arduamente. É determinante o desenvolvimento de ideias novas, diariamente, para poder permanecer no cume do mundo blogista. Em outras palavras, um blog é um verdadeiro work in progress.
Há que fazer muitas reuniões (briefings) para desenvolver e discutir os rumos a seguir. Aqui em baixo, podem ver uma foto que tirei de uma das reuniões da direcção do GM. Em frente, o chefão João e a sua direita, o seu braço direito, o Pedro. Atrás outros dois Gémeos, dos quais agora não me estou a lembrar dos nomes, porque tanto texto já cá escreveram. Obviamente eu não apareço, porque estou a tirar a foto.














Como se pode observar na foto, o talento que se tem para escrever para blogs não se traduz necessariamente em talento para escolher camisolas. Tanto o Pedro como o João, precisavam de uma ajudinha. Um servicinho para o desempregado Esquadrão G?
Outro pormenor: sendo os Gémeos apreciadores do bom gourmet, estão a bebericar de copinhos brancos Chateau Mouton Rothschild de 1982.

3.5.06

Por Caminhos Pecaminosos II

Estamos sempre a aprender ao longo da vida e quando se está muito tempo por dia na net, isso então é uma constante. Ontem, por exemplo, estava eu descansadamente a surfar quando deparei com a palavra “chapeiro”. Sendo que português não a minha língua materna, perguntei aos meus colegas do trabalho o seu significado. Ninguém sabia. Ainda sugeri que podia ser uma alguma profissão ligada a chapinhar na água. Uma pessoa que fabrica ou que restaura chapéus é chapeleiro.
Fui ver então ao dicionário e é uma pessoa que trabalha a chapa de carros, vulgarmente conhecido com bate-chapas.
Na net descobri este site interessante sobre o assunto. É o site do Paulo, um jovem chapeiro, que tem muito orgulho na sua arte e onde podemos ler que, além de muita prática, são precisas três “coisitas” fundamentais para ser chapeiro, a saber:

- HONESTIDADE
- PERFEIÇÃO
- CRIATIVIDADADE

É bonito. Ser chapeiro deve ser algo como pertencer a uma seita misteriosa, ser um jedi ou templário.



29.4.06

Dica da Semana

Que se pode ler muita coisa útil no “Dica da Semana”, o jornal gentilmente e gratuitamente distribuído pela cadeia Lidl, toda gente já sabia. Agora que também se pode saber qual o estado do país, isso é que não. Posso, desde já, dizer-vos, que as coisas vão muito bem para Portugal.
Ontem passei pelo aeroporto e comprei um jornal Belga (quem escreve para o GM tem que estar a par das notícias estrangeiras), e lá dentro havia uma página inteira com publicidade do LIDL que observei meticulosamente.
Em primeiro lugar, descobri que o LIDL faz promoção aos mesmos produtos ao mesmo tempo cáe lá, porque no “Dica da Semana” estavam exactamente os mesmos produtos anunciados. Mais, os preços de lá não são iguais que cá:

-colchão (em Portugal) 19,99; (na Bélgica) 13,99
-ténis de ciclismo (P) 24,99; (B) 21,99
-binóculos (P) 19,99; (B) 17,99
-toldo de protecção solar (P) 49,00; (B) 39,99

Isto só pode querer dizer uma coisa, estimados leitores: o poder de compra em Portugal é superior à desse país minorca lá do Norte. Durante anos ouvimos essas mentiras sobre como Portugal está na cauda da Europa, mas acabou…toca mas é a alargar o cinto!



O homem do colchão é o mesmo! Apenas está a olhar para outro lado e mudou o relógio de braço. Truques de marketing, cá para nós.

27.4.06

Rádio Gémeo Malvado: Super Heróis



O tema da playlist desta semana, segundo o seu criador "Mat", é "Super-Heróis". Certamente que ninguém se lembra dum personagem chamada "Garbage Man", mas na verdade existe. Na banda desenhada "Dilbert" há um homem do lixo que manda umas bocas e que respondes a perguntas existenciais. Seguindo uma lógica um tanto ou quanto tubercular, podemos considerá-lo também um super-herói. E as músicas desta semana são então as seguintes:

Queen - Flash
Black Sabbath - Iron Man
Entombed - Wolverine Blues
Ramones - Spiderman
Elton John - Captain Fantastic and the Brown Dirt Cowboy
Felix Gallardos y Su Academia Norteña - El Superman
REM - I Am Superman
Breeders - Invisible Man
The Cramps - Garbageman
The Fall - How I Wrote Plastic Man
XTC - Thats Really Super, Supergirl
Flaming Lips - Waiting on Superman

Por Caminhos Pecaminosos



Zé Lino representa na perfeição aquilo que os americanos há muito definiram como um “one man show”. Não no sentido “toca acordeão, gaita-de-beiços e ainda equilibra pratos, tudo ao mesmo tempo e com um pequeno macaco ao ombro que toca ferrinhos com a mestria que a sua existência simiesca lá vai permitindo”. Zé Lino será antes um “one man show” no sentido em que é só um gajo e dinamiza aquilo que, em rigor, até se poderá considerar um espectáculo. Espectáculo, não na sua essência adjectival, claro, mas na sua natureza meramente nominal. Especificando um bocadinho mais a coisa, adiante-se já que Zé Lino é um músico. Faz casamentos, baptizados, karaoke, bares, eventos e diversos eteceteras e tal. Portanto, actua basicamente em todo o lado onde o bom gosto não seja tido nem achado. Como não podia deixar de ser, nesta era da inovação, Zé Lino tem um site pessoal: o www.zelino-music.com. Music, para não confundir com os outros Zé Linos que já existiam e tinha um site a promover os seus serviços. Nomeadamente o Zé Lino Magic, o Zé Lino Tarot e o Zé Lino Instalação de Alcatifas, Laminados e Lamparquetes.

Para entrar no site de Zé Lino propriamente dito, temos que carregar num botão vermelho e, de imediato, somos recebidos pelo “Dancing in the Dark”, esse célebre hino de Bruce Springsteen. E, francamente, explorar o Zé Lino Music é um bocadinho como dançar às escuras. Há várias secções. Na secção “Quem sou” o músico fala de si na terceira pessoa. Não porque sempre lhe custou mais conjugar a primeira pessoa do singular, mas porque quer que os seus leitores pensem que foi outra pessoa que escreveu aquilo. O seu biografo? Talvez. Mas percebe-se que foi ele. Foste tu que eu sei. Foste tu, Zé Lino. Musicalmente, gosta de tudo um pouco. Por exemplo, e vou citar inteiramente o autor, “na sua opinião tocar Jazz não é pera doce e para quem conhece, mais ou menos, a linguagem é muito giro.” Sim senhoras! O próprio José Duarte não poria a coisa em melhores termos.

Zé Lino é também um homem de ideais. Luta por aquilo que quer. “Aos 17 anos participou num concurso na Rádio Cidade que consistia em juntar o maior número de assinaturas, seguido do respectivo número de bilhete de identidade” (…) “Zé Lino começou a juntar assinaturas já havia decorrido 1 mês e meio. Conseguiu arrecadar 3600 assinaturas. Muita gente não acreditava que conseguia e diziam que era um tempo perdido pois nunca penasaram que arranjava 3600 assinaturas, ganhando a guitarra de Slash. Ainda houve um segundo classificado com 3300 assinaturas. Por isso se diz que querer é poder”. Exacto. Por isso! Porque Zé Lino conseguiu 3600 assinaturas e o outro gajo só conseguiu 3300. É daí que vem este celebérrimo adágio.

Mas Zé Lino não é só jazz e assinaturas. Zé Lino é pândega. Zé Lino é folia. Zé Lino é regabofe. Zé Lino é patuscada. Zé Lino é funçanata. E a realidade é que eu podia estar aqui bem mais tempo. Conheço umas boas centenas de sinónimos do vocábulo “festa”. Aquela da boa. Da grossa. Da rija. Mas vou avançar. Verdade, verdadinha, é que Zé Lino e os amigos “faziam trinta por uma linha nos montes”, com os seus jipes, os “Guerreiros”, que, não raras vezes, ficaram atascados por esse Portugal fora. “Agora, diz que a predisposição para ficar atascado não é tanta, pois tem muitas outras coisas muito interessantes para fazer e não quer ter trabalho a desatascar Jipes.” Mas leiam lá o relato daquela vez em que “um dos Jipes ficou atascado ao pé de um desaguamento de esgoto”. Só vos digo que “foi fartar de rir” e que envolveu um “tractor daqueles grandes.

Zé Lino “gosta muito de açorda de marisco, leitão, choco frito e um bom vinho, mas claro quem o conhece sabe que come tudo.” Pessoalmente, nunca duvidei. Bastou-me olhar para ele uma vez para duvidar, isso sim, se o próprio oxigénio que consome não será também altamente calórico. Diz ainda que a melhor banda do mundo são os Pink Floyd (Roger Waters), mas o melhor concerto foi do Roger Waters (Pink Floyd). Também preza o Roberto Carlos. Afinal de contas, “como dizia num site que viu na internet ‘Roberto Carlos está para o Brasil como o Elvis esteve para a América e os Rolling Stones estão para a Europa.’”

Existem ainda os vídeos, esse manancial de qualquer coisa que agora não m’a lembra. Há pelo menos um do Zé Lino, que, não esquecer!, praticou judo durante anos, a lutar com o Nuno. Não sei quem ganhou porque o judo, essencialmente, consiste em dois gajos abraçados a passar rasteiras um ao outro. E há vários vídeos com actuações ao vivo. Vi alguns. Muitos deles são em bailes de máscaras em que só para aí metade das pessoas é que estão mascaradas. Sobretudo a malta mai’nova. Os velhotes não se mascaram. Portanto, basicamente, estes vídeos do Zé Lino parecem o teledisco do “Thriller” se o Wacko Jacko tivesse gravado aquilo num lar de idosos. O resto são vídeos em cafés e associações. Caras de pessoas em cafés e associações. E o Zé Lino ao fundo. A fazer a sua arte.

Aproveitem. Casem mais cedo. Tenham um filho para o baptizar à pressa. Promovam um karaoke. Abram um bar. Organizem um evento. É que, caraças, o Zé Lino anuncia na secção “Orçamentos”: há uma nova campanha de descontos!

21.4.06

Eurovisão

Sempre achei o festival de Eurovisão uma amostra de kitsch no seu estado mais puro. Quando era criança, eu ainda achava alguma piada àquilo, mas quando cresci, a música sem originalidade nenhuma e o vazio de ideias para o espectáculo em si, deixaram de me entusiasmar. Sejamos francos, mesmo o Waterloo não é das músicas mais fortes dos ABBA.
Mas eis que, esta semana, li sobre as participações deste ano de Finlândia e da Alemanha.

Da Finlândia, virão os Lordi:



Esta banda que já vendeu mais de 50.000 cópias e tiveram um single com o título "Would you love a Monsterman" em primeiro lugar no top. Tem influências de bandas como Twisted Sister, WASP e Iron Maiden, ou seja, o bom gosto reina neste conjunto.

Da Alemanha, virão os Texas Lightening:



Foram buscar o nome a um filme, sobre o qual li o seguinte comentário: “It's so bad that when I searched the credits for a director--it wasn't to see who he was but if the movie even had one.” Isto só já promete, mas não é só o nome que chama a atenção. A sua música é uma mistura de Patsy Cline, Loretta Lynn, Johnny Cash e …. ABBA.

Voltou a criatividade, se alguma vez houve, a este festival que parecia moribundo há decadas e só para ver estas duas bandas, não vou falhar este ano o festival Eurovisão. Não seria boa ideia para Portugal, mandar outra vez o grandioso José Cid, mas a cantar por cima de uma batida drum ´n bass ou hardhouse?

19.4.06

Rádio Gémeo Malvado: Covers


É com muito prazer, orgulho, e uma série de outros nobres sentimentos, que convido todos os nossos leitores a ouvirem, e quem sabe até escutarem, a nossa nova rádio online. Todas as semanas iremos ter uma playlist temática, recheada de músicas escolhidas a dedo por um dos nossos colaboradores. O tema desta semana, que é da minha responsabilidade, é "O melhor género de música do mundo", que como toda a gente sabe, são as covers. Desafio-vos ainda, a descobrirem os temas originais aqui "cobertos" e a fazerem um feedback ali na caixa dos comentários. E já de seguida, vamos ouvir doze músicas sem falar...

Beck
- Everybody's Gotta Learn Sometimes
Bjork & PJ Harvey - Satisfaction
Cat Power & Karen Elson - I Love You (Me Either)
Faith No More - Glorybox
Johnny Cash & Fionna Apple - Bridge Over Trouble Water
Mesa - No One Knows
Nick Cave - Disco 2000
Nixon - Summer of 69
The Ukrainians - Batyar
Tom Waits - Return Of Jacky & Judy
Yeah Yeah Yeahs - Hyperballad
Jeff Buckley - If You Knew

17.4.06

I LOST



Há duas semanas atrás participei num concurso da RTP sobre a famosa série de televisão “Lost”. O concurso consistia em escrever o ultimo episódio da série com o máximo 350 caracteres para poder ganhar uma mochila, e mais alguma marroquinaria. Mais pelo prazer de escrever um texto sobre Lost, do que para ganhar essa tralha, participei e eis o resultado que enviei:

"Afinal a ilha tropical onde os sobreviventes do desastre de avião foram parar é a ilha de Madeira. No último episodio, serão atacados por Alberto João Jardim, que pensa que se trata de uma invasão de Cubanos. Os nossos heróis vão conseguir fugir e depois de uma longa e dolorosa travessia, vão parar a costa de Portugal. Lá vão andar também perdidos, mas isso juntamente com mais 10 milhões de pessoas…"

Não ganhei, o que já é normal; mas qual não foi o meu espanto quando vi as participações que ganharam:

Luís Rosado - Vila Viçosa
"Michael acaba por desistir de recuperar o filho. A ilha é coberta por um denso nevoeiro e tudo fica claro para ele. Nada naquela ilha foi real! Apenas o local de transição entre a vida e a morte. Há muito que morreram, apenas ali estão para serem julgados pelos seus pecados. Todos os restantes têm motivos para continuar no purgatório, e lá continuarão presos até se libertarem dos assuntos os prende ao reino dos vivos."

Luís Miguel Teixeira - Oeiras
"Divididos em turnos, cada um deve introduzir a sequência numérica a cada 108 minutos, para evitar a revelação do segredo. Na vez de Hugo, este resolve deixar passar o tempo sem o fazer. Aí concluí-se que, de facto, nenhum deles alguma vez abandonou a instituição psiquiátrica onde são pacientes e estavam submetidos a um teste que os simulava numa ilha remota e abandonada como sobreviventes de um acidente de aviação."

Duarte Carreira - Lisboa
"“Os únicos sobreviventes, Jack e Locke, aproximam-se do helicóptero que agora aterrava na ilha. A câmara mostra a cara de surpresa dos dois, ao reconhecerem a cara do homem que de lá surge: Alvar Hanso, da Hanso Foundation, financiadora da Dharma Iniciative. Sem rodeios, o magnata revela-lhes: “4 anos, 8 meses, 15 dias, 16 horas, 23 minutos e 42 segundos depois, termina a experiência L.O.S.T, Life Observation Survival Test."

Cristina Manuela Nunes Francosco - Sobreda
“ ... um laboratório de clonagem, escondendo um ser nunca antes visto onde trabalham 3 cientistas, apenas o governo dos EUA sabe. A queda do avião põe em perigo este segredo... e coisas estranhas acontecem. Mas os PERDIDOS descobrem tudo, até um barco com tudo o que precisam para saírem da ilha. Então entendem porque é que nunca foram encontrados pelas equipas de salvamento....”

16.4.06

Páscoa

Há países, católicos, onde os rituais pascais recriam o sofrimento de Cristo. Algum dele, pelo menos. Nada de lavar os pés de doze apóstolos. É que não eram uns pés quaisquer. Eram vinte e quatro pés que, amparados apenas por umas sandálias, tinham acabado de atravessar um deserto. Ninguém se atreve a recriar este tipo de sofrimento. Mas recriam outros. Como as chibatadas, o carregamento da cruz, a coroa de espinhos ou a famosa crucificação. Outras coisas poderiam ser recriadas. Outras amarguras por que passou Jesus. Por exemplo, e apesar de ser o salvador da humanidade, ter recebido prendas manhosas como mirra e incenso, que eram as meias e o enxoval da altura. Ou ter tido um padrasto que, como nos explicam as novelas e os filmes, é sempre uma entidade má e que bate nos enteados com o cinto. Mas, como se sabe, estes tormentos não são muito populares entre os cristãos mais radicais. Pelo menos para ilustrar e animar o Domingo de Páscoa, dia em que nem futebol há.


É sobretudo quando vejo fotos como a de cima que dou graças a Deus pelas chamadas “diferenças culturais”. Sendo eu um orgulhoso cidadão português, geneticamente pouco dado a esforços e chagas, o meu sacrifício pascal, de homenagem e devoção, não incluiu nada de chibatadices e outras coisas dessas que até podem infectar e ganhar pus. Mas, durante todo o Domingo de Páscoa, e de todas as amêndoas que comi, acabei por enfardar quatro daquelas que, descobre-se quando se chega ao seu núcleo – à amêndoa propriamente dita –, são amargosas como o raio. Nas Filipinas e na Colômbia, por exemplo, há crucificações e outros sacrifícios igualmente racionais e adequados ao século XXI. Eu apanhei com dois pares de amêndoas das amargosas. Cada qual com a sua cultura e, vendo bem, a coisa até acaba por ficar ela por ela.

13.4.06

Separados à Nascença



Manuel Luís Goucha - Fala com saber sobre a gastronomia portuguesa. Admirador dos sabores alentejanos, adora os doces tradicionais, cantorias, gravatas e fatos espalhafatosos, mulheres de ares "acavalados" (não confundir com cavalonas) e doçaria conventual.
É uma Teresa Guilherme em versão feminina, se considerarmos que ela é uma versão masculina do Manuel Luís. Diz o povo que é espontâneo, comunicativo, inteligente, aberto, sociável, divertido, ousado, irreverente... e coiso e tal.

Walter Benjamin - Foi um conhecido ensaista, tradutor e crítico literário. Enquanto sociólogo e crítico cultural Benjamin combinou ideias baseadas no misticismo judaico com o materialismo histórico, dando um novo contributo à teoria da estética e à filosofia Marxista.
Tinha um grande fascínio por cinema (diz-se até que possuiu um dos primeiros "King Kards"), Fotografia, fotocopiadoras, papel químico, e kalquitos, fascínio esse que o levou a escrever o livro "A obra de arte na era de sua reprodutibilidade técnica ".
Obviamente, que os Nazis não iam muito à bola com o Walter, e por isso teve que fugir. "Suicidou-se" em França enquanto aguardava por um visto para atravessar a fronteira para Espanha, onde planeava comprar caramelos. Consigo levava um livro, que como não estava tão bem encadernado como "Os Lusíadas" de Camões, acabou por se perder para sempre.

11.4.06

Sofás, Camas,Transformistas e Afins


Como é certo e sabido, os homens que se prezam (não no sentido de homens que usam cremes, mas sim no de "homens à séria") não querem saber nada acerca de decoração de interiores, cortes de cabelo e , obviamente, de dançar fora do âmbito dos bailaricos dos almoços de convívio para divorciados ou das boîtes com brasileiras nordestinas alternadeiras.
Mas para os que mesmo assim se interessam por essas coisas, tenho boas notícias a dar. O IKEA, que para quem não sabe é uma espécie de Moviflor sueco, tenta agora consquistar um nicho de mercado que se caracteriza peos seus membros, nos anos 80, terem brincado aos penteados, experimentado as roupas e maquilhagem das mães ou das irmãs mais velhas, e de se auto-intularem de "material girls". A esse público nós no marketing chamamos de - e este é um termo técnico - "mariconços".

Esta nova linha de produtos, que tal como todos os outros produtos se caracterizam por "terem design", um preço acessível e serem de fácil montagem. Esta última característica deu origem à denominação de "IKEA PS", e que significa "IKEA Para Sodomitas". As instruções destes produtos também fazem referência a essa característica, da quais passo a citar: "Uma cama extra para os seus convidados. Mesmo que viva numa casa pequena, ter convidados que fiquem para dormir já não será problema..."

10.4.06

O que é preciso, é agir!













Há duas semanas atrás, a chegar a minha casa, depois de um longo dia de labor árduo, eu e a minha companheira chegamos a conclusão que não havia nada para manjar. Resolvemos então mandar vir uma pizza. Não somos grandes apreciadores de fastfood, mas uma vez por ano tem que ser.
Como gostamos mais das pizzas da “Pizzahut” (o segredo está na massa), do que das da “Telepizza” fomos ver a net se havia entregas dos primeiros na nossa zona. Não dizia nada sobre onde fazem entregas, apenas “ligue já para o nº 707221122”. Calculo que quem viver no meio da Serra de Estrela terá dúvidas se fazem entregas ao seu domicilio, mas eu não, porque vivo no centro de Lisboa.
Liguei para o dito número e fiz a minha encomenda, mas quando dou a minha morada, a senhora diz-me que não fazem entregas lá!
Indignado, por causa do tempo e do telefone gasto (2 €!), retorqui que, se não fazem entregas em Lisboa, seria talvez uma boa ideia mencionar isso na sua página na net.
A senhora respondeu-me que faziam entregas em Lisboa, mas não para todos os sítios.
Agradeci e desliguei o telefone, porque afinal, a senhora também não tinha culpa. De certeza ganhava um salário de miséria, tinha que trabalhar em turnos e já não podia com o cheiro de pizzas.
O que fiz foi mandar prontamente um mail para o quartel geral da Pizzahut, a denunciar essa sua pratica de enganar as pessoas. É preciso agir contra esses larápios capitalistas!
Até agora contudo, continuo sem receber uma resposta.

3.4.06

Nomes Falsos

Muitas estrelas têm nomes falsos. Há gente que tem nomes feios, é verdade, mas há outros em que não se entende o porquê da mudança…vejamos:

Woody Allen - Allen Stewart Konigsberg
Fred Astaire - Frederick Austerlitz
Tony Bennett - Antonio Dominic Benedetto
Lauren Bacall - Betty Joan Perske
Anne Bancroft - Anna Maria Louisa Italiano
David Bowie - David Robert Hayward-Jones
Charles Bronson - Charles Bunchinsky
Albert Brooks - Albert Einstein (!)
Richard Burton - Richard Jenkins
Nicholas Cage - Nicholas Coppola
Michael Caine - Maurice J. Micklewhite
Truman Capote - Truman Streckfus Persons
David Carradine - John Arthur Carradine
Eric Clapton - Eric Clapp
Elvis Costello - Decian Patrick McManus
David Copperfield - David Kotkin
Chick Corea - Armando Anthony Corea
Tony Curtis - Bernard Schwartz
Tony Danza - Anthony Iadanza
Doris Day - Doris Kappelhof
Kirk Douglas - Issur Danielovitch Demsky
Michael Douglas - Michael Kirk Demsky
Dianne Keaton – Dianne Hall
John Ford - Sean O´Fearna
Whoopi Goldberg - Caryn Johnson
Hulk Hogan - Terry Jean Bollette
Harry Houdini - Ehrich Weiss
Elton John - Reginald Kenneth Dwight
Boris Karloff - William Henry Pratt
Danny Kaye - David Daniel Kominski
Michael Keaton - Michael Douglas
Michael Landon - Eugene Michael Orowitz
Bruce Lee - Lee Yuen Kam
Jerry Lewis - Joseph Levitch
Lou Diamond Phillips - Lou Upchurch
Mickey Rooney - Joe Yule, Jr.
Winona Ryder - Winona Horowitz
Wolfman Jack - Robert Smith
Stevie Wonder - Steveland Judkins
Brigitte Bardot - Camille Javal
Bob Dylan - Robert Zimmerman
Chuck Norris - Carlos Ray
Omar Sharif - Michael Shalhoub
George Michael - Georgios Panayiotou
John Wayne - Marion Morrison
Serge Gainsbourg – Lucien Ginsberg
Nuno Markl – Nuno Marques


Michael Keaton, que tem no seu B.I. Michael Douglas, mudou o seu apelido para Keaton, quando outro Michael Douglas, que na realidade se chama Michael Kirk Demsky, começou a ter sucesso. Optou por Keaton, porque a sua actriz preferida na altura era Diane Keaton, que na verdade se chama Diane Hall. Nome que foi utilizado pelo seu namorado, na altura, Woody Allen (Allen Stewart Konigsberg) para um dos seus melhores filmes de sempre: Annie Hall.
David Jones, vulgarmente conhecido como David Bowie, mudou o seu nome porque no início da sua carreira havia outro David Jones (dos Animals) a ter sucesso. Um par de calças do tempo antes da mudança de nome, podem ser apreciados no Hard Rock Café em Lisboa.


Carlos Ray Vs Lee Yuen Kam

29.3.06

Ecce Homo

Também há notícias boas do mundo da música. Uma delas é o disco de homenagem a Serge Gainsbourg. Para os leitores que não são familiarizados com esse nome, Gainsbourg é um dos grandes ícones da música Francesa. Um verdadeiro génio que nadou como um peixe nas aguas do jazz, chanson, rock, pop e reggae; isso muitas vezes de forma polémica. Ele que já tinha sido homenageado de certa forma pelo Mick Harvey (musico dos Bad Seeds do Nick Cave e irmão da P.J.), pelos Trash Palace e pela colectânea electrónica “I love Serge”, mas não de forma tão bem conseguida. Outra vantagem dessa colectânea nova é que todas letras são cantadas em Inglês, o que é bom, para quem não domina muito bem a língua de Molière.
Ver a lista dos artistas que colaboraram neste projecto, dá para ter uma pequena ideia da sua importância na música popular:
Portishead (de volta após longo hiato de mais de 8 anos), Michael Stipe, Tricky, Marc Almond (dos Soft Cell),Placebo, Marianne Faithfull, Sly and Robbie, Carla Bruni e Jarvis Cocker. Gosto de quase todas as versões (a dos Placebo é que não), mas a versão de “Je suis venu te dire que je m'en vais” do regressado (que saudades dos Pulp) Jarvis Cocker e Kid Loco é verdadeiramente fabulastica. Aconselho vivamente, a quem gostou, a ouvir o proprio Gainsbourg e para começar nada melhor que um "Best of" que abrange toda a sua longa carreira.
Para finalizar gostava de dizer ao crítico do Diário de Noticias, que achava a versão da Carla Bruni má por ser tão simples, o seguinte: “vai plantar batatas!”

Eu não vou.

Eu, enquanto filho adoptado da bela cidade de Lisboa, fico indignado cada vez que vejo um cartaz desse festival de nome “Rock in Rio Lisboa”. Que raio de nome é esse? Porque é que não optaram pelo nome de de “Rock in Lisbon” ou “Rock in Rio Tejo”? Ou já que é para a palhaçada, por que não “Rock in Rio Portugal” ou “Rock in Rio Europa”? Vamos lá perceber essas mentes brilhantes. Mais, se vejo o esplêndido cartaz, deparo que muitos nomes que estão lá de rock muito pouco têm:

- Shakira
- Carlos Santana
- Sting
- Ivete Sangalho
- Jamiroquai
- Anastacia
- D'ZRT

De todos os artistas que vêm, um que gostava de ver é o Jamiroquai. É verdade que a melhor fase dele já passou há algum tempo, mas continua a gostar de ouvir de vez em quando, o “Emergency on planet earth” e sou apreciador de música funky. Agora verifiquei que, no mesmo dia em que o Jay Kay actua com a sua banda vão actuar também: Shakira, Ivete Sangalho os D'ZRT!! Estimados Brasileiros, sei que os Portugueses fizeram muitas barbaridades no vosso pais, mas depois das vossas telenovelas, musiquinhas, carnavais, a I.U.R.D.; agora este festival...puxa, caras, chega de vingança. Entendeu?


Parece a Shakira, mas é o Ozzy!

28.3.06

A Sentinela

Alguém falou em Testemunhas de Jeová? Pois, posso dizer, que tenho uma grande admiração pelos Testemunhas. Em primeiro lugar, gostava de dizer, que é preciso coragem, para bater em portas de desconhecidos só para falar sobre a Boa Nova. Mas são sobretudo as belas ilustrações que as publicações dos “Jeovás” ostentam, que me espantam. Em casa tenho já vários exemplares da “Nosso Ministério do Reino” e da “Sentinela”. Sempre que vejo um crente, tento conseguir um exemplar. Às vezes tenho sorte, outras vezes não. Já tenho alguns repetidos e nem sempre as publicações trazem imagens, e o pior é que, se podem apanhar belas secas.
Ao fim ao cabo, os Testemunhas andam na estrada para poder converter. É preciso sofrer para conseguir as belas ilustrações, mas já tenho um truque: se vos perguntarem: “Acredita em Deus?” , respondam: “Sim senhora”. Normalmente ficam com poucos contra-argumentos.
Aqui ficam alguns dos melhores exemplos da arte Testemunhista:

É reconfortante saber que toda gente ri no reino do Senhor...desde o Mr. Steel ao Bin Laden sem barba e desde o indio não extinto ao Brokeback.


Há coisas no Reino de Deus que são iguais tal como na vida terrestre: o leão continua mansinho.



Preparem-se para comer eternamente fruta e legumes, porque como podem observar no Além, não há costeletas, chouriças ou presuntos. Há que aproveitar agora!

22.3.06

É Como Quem Segue em Frente, mas Corta à Direita



Já foram aqui feitos um ou dois posts acerca das pesquisas que cibernautas aparentemente normais fizeram em motores de busca e que tiveram como resultado este nosso blog. Mas chegámos à conclusão que estas estatísticas não são apenas bom "post material" (como diria o Tiago se estivesse aqui), mas são mais do que isso. Isto é sobretudo "rubric material" e do bom! Daí termos decidido em concílio criar esta rubrica.
OK... confesso que ninguém decidiu nada em conjunto, e isto sou apenas eu a tentar preencher a minha quota parte de produtividade no blog. Afinal de contas, se o Matias pode fazer posts só com imagens e auto-intitular-se "o gémeo mais produtivo", porque raio não posso eu fazer o mesmo?
E para quem acha que este blog perdeu o ânimo de outrora apenas tenho a dizero seguinte: pois que sim é verdade, mas não consigo resistir a um bom "Rolling Stones e Testemunha de Jeová".

21.3.06

IRS & IRA

Quem é já preencheu os papéis do IRS, ou seja o "Imposto Sobre o Rendimento das Pessoas Singulares"? Eu não…porque mais uma vez vou precisar de me socorrer à ajuda de uma pessoa do meio, de um contabilista. Este ano, pensei preencher a papelada toda on-line. Mas, helas… mais rapidamente vou aprender o dialecto Chinês que se fala na região de Chongqing, do que essa matéria.
Já perguntei a imensa gente como se preenche isto, mas nunca ninguém sabe. Pelos vistos, toda gente pede ao contabilista para o fazer. Ou o governo pensa que o métier de todos nós é contabilidade, coisa que não acredito, ou então, é obra do lobby dos contabilistas.
Passamos anos na escola a aprender matemáticas, físicas, químicas e outras coisas inúteis, e não aprendemos o que realmente é preciso saber na vida real. A verdade é essa.
Bom, mas chega de pensar nisto. Para finalizar em beleza este meu pequeno texto, aqui vai uma piada:
- Como é que se chama um milkshake feito por um gajo da IRA?

16.3.06

O 1º Grande Aniversário GM



Caros leitores, é com muito agrado que constatamos que ainda cá estamos após um ano. É um facto que nunca primámos pela frequência, qualidade ou coerência dos nossos escritos, mas no entanto antigimos objectivos bastante louváveis.

Tomámos de assalto os motores de busca viciando todos os resultados das pesquisas na língua portuguesa, fizémos com que um blog de poesia fosse encerrado, fomos recomendados por estrelas da rádio e da televisão, levámos um dos nossos leitores ao suicídio, fomos visitados (não no sentido prisional do termo) cerca de 18.000 vezes, veio gente de todos os quatro cantos do mundo (apesar do mundo ser redondo) só para nos ver, ultrapassámos a centena e meia de comentários num só post, tivémos música e caspa digital nas comemorações de Natal, fizémos inquéritos de popularidade, abrimos e fechámos logo de seguida um fórum, recebemos cerca de vinte mensagens de email, das quais cerca de seis não eram spam.

Mas mais importante do que tudo o que foi supracitado, é o legado que deixámos na História da Internet Portuguesa. Os nossos fantásticos e modestos textos influenciaram um rol de gerações vindouras, devido ao lato espectro temático que abrangem. Afinal de contas, escrevemos acerca de todo o tipo de temas, conteúdos, matérias, questões, assuntos e temáticas conhecidas pela Humanidade. Para não falar dos muitos posts de tema livre, e das seguintes rubricas que por nós foram criadas:

Anormatomias, A saga da T shirt Gm, A Mais Dura, A Mulher Moderna, Análise imagética de imagens analíticas, Concursos do Mundo, Consultorio do Dr. Malvado, Crimes Capilares, Deusa, Dermatologia Social , Fatti Sconosciuti, Gémeos Musicais, GMI - Gémeo Malvado Investiga, Intervalo para Publicidade, Marcas Malvadas, Mitos Infantis, O Anti-Estilo, O Mais Duro, O Bicho Homem, Os meus Poemas Preferidos, O Mito do Pai Natal Desvendado, Pequenos prazeres, Poesia Portuguesa, Separados à Nascença, Só Estou Bem Aonde Não Estou.


E como um blog não é só feito de XML, PHP,HTML, M&M´s e CSS, mas também é feito de pessoas, relato aqui os grandes feitos pessoais dos nossos colaboradores neste ano que passou.

O Manitu mudou o seu nome para Matias e decidiu abreviá-lo para Mat, e no meio disto tudo nasceu-lhe uma filha, sem que tivesse dado conta. É o colaborador mais assíduo e o que mais entradas tem. Por estas e outras razões, acha que é o patrão do blog. Tem também um blog de "desenhos", onde desenvolve as suas capacidades crítico-sociais, visto que já lhe foi dito que o GM não é lugar para essas coisas. Ouve ópera e finge que não vê televisão e que lê muitos livros até ao fim.

O Pedro licenciou-se em Sociologia tirando proveito do chamado benifício da dúvida que é dado pelas universidades, quando o trabalho se perde na secretaria, nos gabinetes, ou quando o orientador de tese, segundos depois de receber o trabalho das mãos do seu aluno, é violentamente espancado por um vulto que lhe rouba a dita cuja. Escreve quando lhe apetece num bloguezéco intitulado "Olhe que não.."

O Joel escreveu um dos seus 3 posts num hotel de luxo no México, apesar deste estar a ser atacado por um forte furacão. Perante a falta de material fotográfico para ilustrar um dos seus textos, também dignou-se a ir visitar um cemitério para recolhê-lo pelos seus próprios meios. Abalou há uns dias para Salamanca, deixando a sua aldeia natal, Sete Rios (Caranguejeira), para trás. Diz que é provavél voltar lá para Agosto.

O João, além de ter mantido o absurdo hábito de ser referir a si mesmo na terceira pessoa do singular, tem aguentado as pressões diárias – embora com verbos mal conjugados e sem concordância de género – de um determinado membro no sentido de afastar os gémeos menos produtivos. Para além disso, lá continua com o seu blog de trocadilhos e chalaças de nome Ironia do Destino. Referência ainda para o facto de, não se limitando a ser um blog mais que sofrível, O “Ironia” é ainda o principal culpado pela curta vida de um espaço, esse sim, de talento e capacidade: “O Destino da Ironia”, blog que não terá aguentado o plágio descarado e, muito precocemente, se remeteu a um silêncio que aflige a humanidade.

O Tiago, infelizmente, continua na sua experiência pessoal de ver “como seria trabalhar numa fábrica do final do século XIX”. É só trocar “fábrica” por “onde quer que seja que se montam filmes para um realizador déspota”. Entretanto, ter-se-á também já tornado num especialista no que diz respeito à anatomia de Manuel Trancoso, a personagem que inventou sem razão aparente pouco tempo antes de nunca mais dar sinal de vida. Continua do Benfica quando ganha e não a ligar quando perde.

Quanto ao Telmo, a sua vida sofreu uma reviravolta de 360º e, portanto, ficou exactamente na mesma. Continua a falar um dialecto único aqui nesta espelunca e, não se sabe porquê, muito menos com que objectivo, acha que o seu vertiginoso ritmo de um post sem sentido a cada três meses lhe dá margem de manobra para participar num outro blog. “Os Tigres”. Infelizmente, “Os Tigres” ainda não arrancou e diz-se que terá sido apenas porque o Telmo se esqueceu de onde mora e vagueia por Trás-os-Montes há meses, perguntando tão-somente “foi você ou não?” a todas as pessoas com que se cruza.

O Outro Telmo, depois de uns posts idealizados e estruturados na terra dos cereais Lucky Charms, tem conseguido evitar as pressões do João, por sua vez encomendadas por “Mat”, para escrever e comentar aqui no GM. Soube-se recentemente que habita uma casa arrendada por um dos elementos, entretanto encarcerado, do gang do avó metralha, facto que, por si só, poderá deixar antever novidades a médio/longo prazo no quadrante “e não é que o meu senhorio me convenceu que deixar-me sodomizar sem oferecer resistência é melhor para todos?”. Por incrível que pareça, acha que o signo do Pedro, Capricórnio, perdia numa luta com o seu, Peixes, e perdura a sua mania de começar tudo o que diz com a expressão “Essa é que essa”.

Da nossa parte é tudo. Esperamos que tenha tido um serão agradável e agradecemos a vossa preferência. Resta-me pedir às vossas leitoras excelências que deixem um comentáriozito a fazer o balanço desta espelunca, a eleger os piores/melhores gémeos e rubricas, ou simplesmente a deixar a vossa opinião sob a forma de "fio de béque".

"Obrigadinhas",
A malta do GM.

Separados à Nascença

O de esquerda é assistante do Brent e o de direita é treinador adjunto. Mesmo tendo um penteado arrepiante safam-se bem. O primeiro torna-se chefe de Wernham Hogg em Slough e o outro pode ainda ganhar a taça e/ou o campeonato.

13.3.06

Streaker por 7 dias

O nosso colega gémeo, Pedro, comunicou-nos na semana passada que, se o Sport Lisboa e Benfica chegar a uma final da liga europeia, vai andar uma semana nu. Foi um comunicado que nos estranhou, porque sendo ele simpatizante do Sporting Clube de Portugal, nós não imaginávamos que o homem era capaz de tal proeza por uma causa que não é sua. Será patriotismo ou será sadomasoquismo? Não sabemos, mas temos a certeza que vai causar sensação e estranheza no metropolitano, habitualmente tão cinzento e negro.
Força Pedro, o povo está contigo!


O Pedro já está a treinar pelas ruas de Lisboa, mas incognito, dai os óculos de sol.

9.3.06

Impossible is nothing!

Há muita gente que pensa que ser um anão nas Filipinas é lixado. Há também gente que pensa que ser um anão filipino com um corte de cabelo à Richard Clayderman moreno é ainda mais lixado. E quase toda a gente considera que ser um anão nas Filipinas e querer ser protagonista de filmes de acção é uma verdadeira utopia, assim um bocadinho como achar que, após a ingestão 78% do nosso peso em álcool, copular com a Céline Dion já poderá assumir formas de um acto minimamente prazenteiro. Não assume. Seja como for, Weng Weng é prova viva que não tem que ser obrigatoriamente lixado ser um anão filipino. E que essa existência, a de anão filipino, não é automaticamente significado de ostracismo da industria cinematográfica dos filmes de acção sem qualquer tipo de orçamento.

Com 84 centímetros de altura, o mirrado filipino berrou pela primeira vez em 1952, junto aos campos de arroz onde a mãe trabalhava, na pitoresca cidade de Davao. Terá dado início à sua frutuosa aventura na sétima arte com a entrada no lubrificado mundo da pornografia, ou seja, começou como toda a gente, que isto de ser pequenino não garante passagem de etapas de formação artística. A sua grande oportunidade – de deixar de ter cavalos, hermafroditas e manequins de látex como companheiros de cena, entenda-se – surge em 1979, ano em que é convidado para dar vida ao Agente 00, em “For Your Height Only”, o qual veio a encarnar uma segunda vez em 1982, em “The Impossible Kid”. E, efectivamente, foi na pele de 00, um agente letal e perspicaz, mas também um homem de emoções e com o dinamismo sexual de um martelo pneumático, que Weng viveu o seu zénite cinematográfico. Sinceramente, ainda não existem palavras para classificar estes dois filmes, sobretudo o primeiro, onde, por exemplo, um chapéu-de-chuva amarelo chega a ser usado, com o maior dos à-vontades, tal e qual como se fosse uma AK-47, para, mais tarde, já ser usado por Weng Weng, qual Mary Poppins, como pára-quedas. Por isso, o melhor mesmo é deixar em aberto a possibilidade de se apreciar um pequeno trailler.

Importa é focar a moral que se retira de tudo isto. Weng Weng soube esperar. Esperou pela sua oportunidade. Não quis ser engolido pela voragem de papéis padrão que a máquina do cinema consagrou aos anões. Não se rendeu aos chamamentos para vestir um fato de E.T., de Alf, ou de um dos robots gay da Guerra das Estrelas. Nem para fazer de Toy na Ilha da Fantasia ou de Oompa Loompa naquele filme sobre o Michael Jackson se fosse dono de uma fábrica de chocolates. Esperou, isso sim!, pelo seu sonho. Esperou que o chamassem para fazer de James Bond filipino! Porque é para agredir outros homens com pontapés no escroto, usar metralhadoras e comer gajas que se escolhe a profissão de actor, caraças!

Também é verídico que Weng teve a sorte de nascer num país tão liberal como as Filipinas. Infelizmente, Portugal, como em muitas outras áreas, ainda está uns bons furos abaixo daquele país asiático, que, por exemplo, detém o actual recorde mundial de crianças encarceradas e o de maior número de crianças a lavar os dentes ao mesmo tempo. E é particularmente triste perceber que, enquanto por lá, os anões podem vingar como protagonistas de filmes de acção, por cá, o único anão actor está condenado a imitar o Gato Fedorento mais alto num anúncio a um crédito bancário e a ir, de vez em quando, ao Herman falar duma peça de teatro que ninguém vai ver. Ninguém pensa nele para saltar de Renaults 5 em chamas, nem para ganhar uma luta em tronco nu ao Joaquim d’Almeida, e muito menos para chafurdar no mamaçal da Alexandra Lencastre. Porque é que tem que ser assim? Não tem, caro único actor anão em Portugal! Não tem…