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10.4.07

Por Caminhos Pecaminosos III

Eu não sou daquelas pessoas que se refere à internet com metáforas marítimas, como navegar ou surfar, ou como aquelas outras que só por receberem a conta da internet ao mesmo tempo que recebem a da Via Verde, acham que computadores ligados por fios e isso, são uma auto-estrada de informação, ou lá o que é. Desde que o Papa considerou a internet um pecado, que decidi referir-me à rede mundial de conspurcação, heresias e afins, assim com uma linguagem mais bíblica.
Ao caminhar pelo negrume do vale das sombras da internet encontrei um blog duma malta de pessoal assim meio porreira, um bocado como aqueles padres que tocam viola, jogam à bola ao sábado de manhã e que até dizem "bolas", ou "chiça" quando falham um remate. Uma vez ouvi um a dizer "porra, que isso aleija!" por lhe terem acertado com um potente remate na zona testicular. Dizem que quando o Bispo soube do sucedido, que o excomungou, ou o despediu - uma dessas duas, não sei ao certo.



"Quarto Leis Espirituais". Acho que este é um daqueles títulos assim meio ao calhas, mas que deve ser propositado. Ou então falta-lhe uma vírgula ou algo assim. Tem também um logotipo que um gajo até se vira e diz:"Sim senhoras!". É uma representação do monte Fuji, com o raiar dum novo dia. Sempre curti estas coisas do budismo e do karaté, por causa do "Karaté Kid"- que significa "Cachopo Karateca", em português.
Deve ser um blog recente, porque ainda não tem muitos posts. O primeiro post é do João, e foi escrito às 3:16 - possivelmente escrito após uma noite de borga, enquanto um pizza era aquecida no microondas e reza assim:
O AMOR DE DEUS
"Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho Unigénito, para que todo o que nele cré não pereça, mas tenha a vida eterna"
(João 3:16).
João fala-nos de um filho de Deus, de seu nome Unigénito, da imortalidade e de uma nova conjunção do verbo crer. Claramente João estava bêbado. Mais tarde, e depois de ter dormido umas horas, João fala-nos de um sonho acerca do Plano de Deus e questiona-se acerca da vida de abundância. É no que dá a ressaca.
Outro elemento deste blog, é o 'Romanos' - este nome deve ser uma alcunha, porque na minha rua havia um "Fenícios de Morais" e também era alcunha. E entre outras coisas, o Romanos apresenta-nos um esquema e diz-nos o seguinte:
"Deus é santo e o homem é pecador. Um grande abismo separa-os. Mas o homem sente que lhe falta algo, tem um vazio e está continuamente a procurar alcançar Deus e a vida abundante, através dos seus próprios esforços: vida recta, boa moral, filosofia, etc."
Eu já conhecia este tipo de quebra-cabeças com esquemas, mas numa versão em que um alentejano tinha de atravessar um rio com 3 metros de largura, tendo apenas duas tábuas de um metro. A solução para o problema era fazer um "T" na curva do rio. Também havia um outro com bispos, que não me lembro agora.
Mas este do homem pecador que tem um abismo entre si e Deus, parece-me mais lixado de resolver. Mas o João diz que sabe a solução:
ELE É O ÚNICO CAMINHO
Respondeu-lhe Jesus: "Eu sou o caminho e a verdade, e a vida: ninguém vem ao Pai senão por mim"


Pelos vistos para atravessar o fosso que o separa de Deus, o Homem tem que deixar de ser pecador, arranjar umas tábuas em cruz como aquelas do Jesus (não sei se há uma marca específica, mas em qualquer loja especializada ou casa de ferragens vos dirão), e depois é só esperar que Deus coise com uma seta na cabeça do Homem. É simples, e bastante semelhante à solução dos alentejanos.
Depois dizem mais umas coisas neste blog que eu não percebi muito bem - se calhar eu devia ter lido, porque diz que ler ajuda a perceber melhor as coisas. Mas eu cá sou daqueles que defende que se aprende mais a ler um homem do que a ler cem livros.
Após isto tudo, lá seguem logo de seguida para um esquema assim mais esquemático. O que no meu ver 'tá mais certo porque os livros com bonecos cansam menos a boca do que aqueles, que ao invés disso, são só letras.



Pelos vistos a vida controlada pelo "eu", que no meu caso sou eu, é assim como um queijo suíço perto dum cemitério, ou de uma campa, e é uma vida muito esburacada cheia de frustações e discórdias. A vantagem disto é que temos sempre lugar sentado. Por outro lado, uma vida controlada por Cristo, que neste caso não sou eu, um gajo senta-se no chão e tem harmonia materializada na forma de oito chupa-chups. É assim... se não se querem crer naquilo que vos digo, é visitarem vocês mesmo este blog, onde se forem optimistas (sendo que por 'optimista' se entende 'clicar num sim gigante') até podem deixar um comentário.

3.5.06

Por Caminhos Pecaminosos II

Estamos sempre a aprender ao longo da vida e quando se está muito tempo por dia na net, isso então é uma constante. Ontem, por exemplo, estava eu descansadamente a surfar quando deparei com a palavra “chapeiro”. Sendo que português não a minha língua materna, perguntei aos meus colegas do trabalho o seu significado. Ninguém sabia. Ainda sugeri que podia ser uma alguma profissão ligada a chapinhar na água. Uma pessoa que fabrica ou que restaura chapéus é chapeleiro.
Fui ver então ao dicionário e é uma pessoa que trabalha a chapa de carros, vulgarmente conhecido com bate-chapas.
Na net descobri este site interessante sobre o assunto. É o site do Paulo, um jovem chapeiro, que tem muito orgulho na sua arte e onde podemos ler que, além de muita prática, são precisas três “coisitas” fundamentais para ser chapeiro, a saber:

- HONESTIDADE
- PERFEIÇÃO
- CRIATIVIDADADE

É bonito. Ser chapeiro deve ser algo como pertencer a uma seita misteriosa, ser um jedi ou templário.



27.4.06

Por Caminhos Pecaminosos



Zé Lino representa na perfeição aquilo que os americanos há muito definiram como um “one man show”. Não no sentido “toca acordeão, gaita-de-beiços e ainda equilibra pratos, tudo ao mesmo tempo e com um pequeno macaco ao ombro que toca ferrinhos com a mestria que a sua existência simiesca lá vai permitindo”. Zé Lino será antes um “one man show” no sentido em que é só um gajo e dinamiza aquilo que, em rigor, até se poderá considerar um espectáculo. Espectáculo, não na sua essência adjectival, claro, mas na sua natureza meramente nominal. Especificando um bocadinho mais a coisa, adiante-se já que Zé Lino é um músico. Faz casamentos, baptizados, karaoke, bares, eventos e diversos eteceteras e tal. Portanto, actua basicamente em todo o lado onde o bom gosto não seja tido nem achado. Como não podia deixar de ser, nesta era da inovação, Zé Lino tem um site pessoal: o www.zelino-music.com. Music, para não confundir com os outros Zé Linos que já existiam e tinha um site a promover os seus serviços. Nomeadamente o Zé Lino Magic, o Zé Lino Tarot e o Zé Lino Instalação de Alcatifas, Laminados e Lamparquetes.

Para entrar no site de Zé Lino propriamente dito, temos que carregar num botão vermelho e, de imediato, somos recebidos pelo “Dancing in the Dark”, esse célebre hino de Bruce Springsteen. E, francamente, explorar o Zé Lino Music é um bocadinho como dançar às escuras. Há várias secções. Na secção “Quem sou” o músico fala de si na terceira pessoa. Não porque sempre lhe custou mais conjugar a primeira pessoa do singular, mas porque quer que os seus leitores pensem que foi outra pessoa que escreveu aquilo. O seu biografo? Talvez. Mas percebe-se que foi ele. Foste tu que eu sei. Foste tu, Zé Lino. Musicalmente, gosta de tudo um pouco. Por exemplo, e vou citar inteiramente o autor, “na sua opinião tocar Jazz não é pera doce e para quem conhece, mais ou menos, a linguagem é muito giro.” Sim senhoras! O próprio José Duarte não poria a coisa em melhores termos.

Zé Lino é também um homem de ideais. Luta por aquilo que quer. “Aos 17 anos participou num concurso na Rádio Cidade que consistia em juntar o maior número de assinaturas, seguido do respectivo número de bilhete de identidade” (…) “Zé Lino começou a juntar assinaturas já havia decorrido 1 mês e meio. Conseguiu arrecadar 3600 assinaturas. Muita gente não acreditava que conseguia e diziam que era um tempo perdido pois nunca penasaram que arranjava 3600 assinaturas, ganhando a guitarra de Slash. Ainda houve um segundo classificado com 3300 assinaturas. Por isso se diz que querer é poder”. Exacto. Por isso! Porque Zé Lino conseguiu 3600 assinaturas e o outro gajo só conseguiu 3300. É daí que vem este celebérrimo adágio.

Mas Zé Lino não é só jazz e assinaturas. Zé Lino é pândega. Zé Lino é folia. Zé Lino é regabofe. Zé Lino é patuscada. Zé Lino é funçanata. E a realidade é que eu podia estar aqui bem mais tempo. Conheço umas boas centenas de sinónimos do vocábulo “festa”. Aquela da boa. Da grossa. Da rija. Mas vou avançar. Verdade, verdadinha, é que Zé Lino e os amigos “faziam trinta por uma linha nos montes”, com os seus jipes, os “Guerreiros”, que, não raras vezes, ficaram atascados por esse Portugal fora. “Agora, diz que a predisposição para ficar atascado não é tanta, pois tem muitas outras coisas muito interessantes para fazer e não quer ter trabalho a desatascar Jipes.” Mas leiam lá o relato daquela vez em que “um dos Jipes ficou atascado ao pé de um desaguamento de esgoto”. Só vos digo que “foi fartar de rir” e que envolveu um “tractor daqueles grandes.

Zé Lino “gosta muito de açorda de marisco, leitão, choco frito e um bom vinho, mas claro quem o conhece sabe que come tudo.” Pessoalmente, nunca duvidei. Bastou-me olhar para ele uma vez para duvidar, isso sim, se o próprio oxigénio que consome não será também altamente calórico. Diz ainda que a melhor banda do mundo são os Pink Floyd (Roger Waters), mas o melhor concerto foi do Roger Waters (Pink Floyd). Também preza o Roberto Carlos. Afinal de contas, “como dizia num site que viu na internet ‘Roberto Carlos está para o Brasil como o Elvis esteve para a América e os Rolling Stones estão para a Europa.’”

Existem ainda os vídeos, esse manancial de qualquer coisa que agora não m’a lembra. Há pelo menos um do Zé Lino, que, não esquecer!, praticou judo durante anos, a lutar com o Nuno. Não sei quem ganhou porque o judo, essencialmente, consiste em dois gajos abraçados a passar rasteiras um ao outro. E há vários vídeos com actuações ao vivo. Vi alguns. Muitos deles são em bailes de máscaras em que só para aí metade das pessoas é que estão mascaradas. Sobretudo a malta mai’nova. Os velhotes não se mascaram. Portanto, basicamente, estes vídeos do Zé Lino parecem o teledisco do “Thriller” se o Wacko Jacko tivesse gravado aquilo num lar de idosos. O resto são vídeos em cafés e associações. Caras de pessoas em cafés e associações. E o Zé Lino ao fundo. A fazer a sua arte.

Aproveitem. Casem mais cedo. Tenham um filho para o baptizar à pressa. Promovam um karaoke. Abram um bar. Organizem um evento. É que, caraças, o Zé Lino anuncia na secção “Orçamentos”: há uma nova campanha de descontos!