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29.4.07

Banalidades IV

O meu jornaleiro é hindu, pelo menos é o que eu gosto de pensar. Tem ar de indiano, mas é claro que pode ser do Paquistão ou Bangladesh. Não sou especialista na matéria. Neste caso deve ser provavelmente apenas muçulamano ou apenas um reles de um cristão convertido.

Mas gosto de pensar que ele é hindu. Tem mais pinta, se eu fosse crente gostaria também de ser hindu. O hinduísmo com todos os seus deuses fantasmagóricos coloridos é bem mais interessante, que os outros cultos aqui já mencionados. Tem uma resma de deuses: Ganesha, Shiva, Lakshmi, Hanuman, Kali, Surya, Vishnu, Krishna, Saraswati; só para citar alguns nomes, e a cena das castas tambem é porreiro, sobretudo para quem é das mais altas.

Gostava de falar com ele acerca desta matéria, saber qual a sua divinidade preferida e porquê; mas se calhar ele é apenas muçulmano ou cristão, ou pior que isso, um ateu. Tal como eu.

14.2.07

Banalidades III


Hoje vi na cantina um rapaz de vinte e tal anos. Por norma, não olho para homens, mas desta vez olhei. Tinha longos cabelos à surfista, com uma franja para o lado, mas sorrateiramente notava-se uma grande mancha de calvície atrás.
Fiquei a pensar se ele realmente pensava que ninguém notava. Ao menos as pessoas do seu meio podiam ter-lhe dito: “Júlio" - não sei se é esse o nome dele, mas tinha aspecto disso - "toda gente já notou a tua calvice pá, não havia necessidade de tentares disfarçar, e ainda por cima tão mal.”
Ou então: “Toma lá bacano, fizemos uma vaquinha para te comprar uma peruca"- até mesmo um implante de cabelo, para o caso de serem amigos endinheirados.
Penso que o melhor seria mesmo que ele saísse simplesmente da sua concha e rapasse tudo, porque não há necessidade para esconder a calvície. Há milhares de homens nessa situação.
Eu é que não estou!

3.2.07

Banalidades II

Todos os dias tenho uma pequena esperança quando vou de carro para o trabalho. A de não precisar parar nenhuma vez perante um dos vinte-e-oito semáforos que encontro pelo trajecto.
Não me interpretem mal, não é por causa da ânsia de não querer chegar atrasado ao labor. Sou daqueles que chega sempre com 10 minutos de antecedência ao ofício. Apenas gostava de passar por todos os semáforos sem precisar de parar. E isso sem carregar mais no acelerador.

1...2...3...4...5...6...7...8...9...10...11...12...13...14...15...16...
17...18...19...20...21...22...23...24...25...26...27...28!!
Bingo!!!

Sinto que algo de importante acontecerá nesse dia.

12.1.07

Banalidades I

"Bom fim-de-semana!"- disse-me a senhora da caixa registadora do Mini Preço.
"Para si a mesma coisa!"- retorqui-lhe, simpático como sou.
Logo a seguir fiquei a pensar, enquanto a senhora continuava o seu trabalho:
Se calhar não tinha fim-de-semana e devia lhe ter dito “Continuação de um bom trabalho!”
Se calhar ela acha o seu trabalho uma tristeza e está ali apenas para ganhar o seu.
Se calhar devia devia lhe ter dito “Uma sorte melhor para a sua vida miserável!”
Às vezes o que parece óbvio, não é tão óbvio.



P.S. - Já agora, quero lançar aqui uma ideia que tenho há algum tempo. Na nossa escolha de supermercados, em vez de nós guiarmos pelos preços, porque não nós orientar pelas condições laborais que ofereçem aos seus empregados? Deixo aqui esta proposta no ar.