A Praia
No meu tempo de miudagem, não se falava nessas coisas de cancros das peles, a malta ficava a torrar o dia todo de baixo do sol. Já na altura pensava, que pequeno visionário que eu era, que isso não podia fazer bem. Eu nadava sempre com t-shirt para não me queimar e também porque achava que tinha mais pinta.
Quando tinha aí uns quatro anos, os meus pais deram-me um barquinho insuflável. Um dia os meus pais adormeceram, e de repente eu fiquei no meio do vasto oceano. Fiquei tão longe que só via uns pontinhos a mexerem-se. Felizmente fui salvo pelos nadadores salvadores, porque caso contrário meu estimado leitor, este texto que você está a ler nunca teria existido ou estaria escrito em Inglês, ou pior do que isso em Brasileiro, dependendo da corrente do golfo que eu tivesse apanhado.
Mas o pior de tudo, nisto das praias, é ter que ver corpos nús. Não me interpretem mal, não sou membro da Opus Dei ou Muçulmano ortodoxo. Não tenho nada contra corpos nus; apenas penso que, como nem toda gente tem o físico de uma mulher esbelta, as pessoas não podem andar por aí sem mais nem menos desnudado.

Há amigos que me dizem para simplesmente não olhar, mas eu quando vejo algo que não é comum, ainda preciso de olhar mais. É uma maldita mania minha, que já me meteu em situações bem embaraçossas. Lembro-me de ter trabalhado uns tempos com um tipo ao qual faltavam três dedos numa mão e que mesmo assim trabalhava comum teclado. Sempre que precisava de falar com ele, fixava atentamente essa sua arte de manuesar o teclado. E juro, palavra de escuteiro, que não o fazia por maldade. Apenas não consigo desviar o meu olhar de coisas diferentes. Não sei bem porquê.
Agora na praia, são os gajos com pelos nas costas e correntes ao pescoço que chamam a minha atenção; e asvelhotas com varizes também. Não havia necessidade de eu ter que ver isso. Porque não fecham essa gente à chave, em vez de me obrigarem a ficar em casa?


Ontem encontrei na minha caixa de correio (não electrónica, mas sim verdadeira) um folheto do Pingo Doce. Um folheto diferente dos das habituais das cadeias de supermercados, porque não trazia publicidade a promoções ou produtos. Apenas fazia alusão ao artigo na Proteste onde o Pingo Doce é, juntamente com o Mini Preço, a cadeia mais barata.









