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13.6.07

A Praia

Nunca, mas nunca gostei do mar. Sal, areia, vento, e sol; não são os ingredientes para eu passar bem um dia ou uma tarde. Algumas praias até têm animais perigosas na água, como tubarões ou medusas. Na água até encontrei uma vez, não que fosse um animal perigoso, mas lembrei-me disso agora, um penso higiénico a boiar ao pé de mim quando tinha acabado de dar o meu primeiro mergulho no mar Mediterrâneo. Vem-me agora à memória também, de ter ido em miúdo com os escuteiros à costa e ter ficado danado porque as deliciosas sandes que a minha mãe me tinha preparado, tinham ficado cheias de areia. Se há coisa desagradavel, é mastigar uma sandes com areia lá dentro.

No meu tempo de miudagem, não se falava nessas coisas de cancros das peles, a malta ficava a torrar o dia todo de baixo do sol. Já na altura pensava, que pequeno visionário que eu era, que isso não podia fazer bem. Eu nadava sempre com t-shirt para não me queimar e também porque achava que tinha mais pinta.

Quando tinha aí uns quatro anos, os meus pais deram-me um barquinho insuflável. Um dia os meus pais adormeceram, e de repente eu fiquei no meio do vasto oceano. Fiquei tão longe que só via uns pontinhos a mexerem-se. Felizmente fui salvo pelos nadadores salvadores, porque caso contrário meu estimado leitor, este texto que você está a ler nunca teria existido ou estaria escrito em Inglês, ou pior do que isso em Brasileiro, dependendo da corrente do golfo que eu tivesse apanhado.

Mas o pior de tudo, nisto das praias, é ter que ver corpos nús. Não me interpretem mal, não sou membro da Opus Dei ou Muçulmano ortodoxo. Não tenho nada contra corpos nus; apenas penso que, como nem toda gente tem o físico de uma mulher esbelta, as pessoas não podem andar por aí sem mais nem menos desnudado.



Há amigos que me dizem para simplesmente não olhar, mas eu quando vejo algo que não é comum, ainda preciso de olhar mais. É uma maldita mania minha, que já me meteu em situações bem embaraçossas. Lembro-me de ter trabalhado uns tempos com um tipo ao qual faltavam três dedos numa mão e que mesmo assim trabalhava comum teclado. Sempre que precisava de falar com ele, fixava atentamente essa sua arte de manuesar o teclado. E juro, palavra de escuteiro, que não o fazia por maldade. Apenas não consigo desviar o meu olhar de coisas diferentes. Não sei bem porquê.

Agora na praia, são os gajos com pelos nas costas e correntes ao pescoço que chamam a minha atenção; e asvelhotas com varizes também. Não havia necessidade de eu ter que ver isso. Porque não fecham essa gente à chave, em vez de me obrigarem a ficar em casa?

28.12.06

O Português é Ecologico



Já estive em outros países por esta altura e aquilo era só aquecimentos centrais, lareiras, salamandras e outros aquecimentos acessos em qualquer estabelecimento. Aqui não, aqui as casas, autocarros, bancos, escolas e mesmo hospitais, raramente têm dessas modernices.
Muita estrangeirada não tem noção disso, porque pensa que o sol abunda todo o ano em terras lusas. Aí é que se enganam, esses bifes, porque cá temos também uns bons meses de frio e chuva, sem essas paneleirices de aquecimentos. Aqui poupa-se em petróleo, gás natural, carvão e madeira; fontes de energia cada vez mais escassas. Sim, é verdade meus amigos, o povo Português no fundo é um povo ecológico.

Faz parte da pedagogia Portuguesa, que as crianças desde cedo têm que estar nas aulas de casaquinho e às vezes com luvas. Serve para fortalecer o carácter, prepara a criançada para o grande combate que é, no fundo, a vida. Muitas casas além de não ter aquecimento, também não têm essas coisas do vidro duplo ou isolamento térmico. Isto também poderá ter a ver com o pensamento ecológico, o vidro (isolamento térmico é feito de fibra de vidro) ainda é abundante, mas um dia poderá vir a acabar.

Mas tudo isto que referi, não se prende apenas à Ecologia, porque quando o vento gélido entra nos lares portugueses, por baixo das janelas ou por rachas no telhado, podemos traçar uma linha directamente para nossos gloriosos antepassados. Esses marinheiros destemidos que navegavam por grandes tempestades e que também rapavam grandes frios e humidades nas suas caravelas. Sentir o frio na pele, e até ao osso, faz parte da Alma Portuguesa. E até digo mais, o Fado foi sem dúvida inventado numa noite chuvosa e fria, ao pé de uma lareira e com o dente a bater. E não debaixo do Sol, numa qualquer "ocidental praia Lusitana".

5.7.06

Preços mais baixos...

Ontem encontrei na minha caixa de correio (não electrónica, mas sim verdadeira) um folheto do Pingo Doce. Um folheto diferente dos das habituais das cadeias de supermercados, porque não trazia publicidade a promoções ou produtos. Apenas fazia alusão ao artigo na Proteste onde o Pingo Doce é, juntamente com o Mini Preço, a cadeia mais barata.
Há alguns anos atrás não era. Sim, no panfleto, trazia um gráfico no qual podíamos ver a descida dos preços do Pingo e a subida dos preços no resto de Portugal. Porque é verdade, a vida em Portugal não se tornou mais barato nos últimos anos. Os impostos, os combustíveis, os serviços, os cigarros…tudo têm preços mais elevados, menos o pingo Doce. Como é que eles conseguiram isso, pergunta eu? Apenas vendem agora produtos do terceiro mundo em prol dos nacionais (que vão assim a falência) e fabricados por presos políticos? É a custo do salário da simpática rapariga da caixa? É a custa do ti Manel que tem de lavrar a sua plantação de couves, sete dias por semana para ser sustentável? Ou é a custa da fortuna do Jerónimo Martins que já não cresce tão depressa porque há menos lucro?
Vou deixar estas perguntas no ar….

23.5.06

O Circo Voltou à Cidade

Mal tinha pus os pés em terra, no aeroporto da Portela, regressado de umas bem merecidas férias, pude logo avistar que o circo tinha voltado a cidade... perdão… país. Sim estimados leitores, começou o triste espectáculo nacional da adoração da bola. Bandeirinhas com as cores nacionais e imagens dos jogadores da equipa das quinas por todo o lado. Já não é a religião, mas sim a bola, que é o ópio do povo.
As pessoas tornam-se de livre vontade meras marionetas do jogo de marketing como se pude ver no outro dia. Uma empresa qualquer organizou a mega-acção e juntou milhares de mulheres para fazer a bandeira mais bonita (será que os adeptos gays também acham isso?) do mundo. Uma acção só para mentecaptos de certeza, mentecaptas aliás, e me faz lembrar as acções de propaganda dos tempos do Estado Novo. Se fosse para arranjar malta, para uma simples acção humanitária, nem um centésimo do número dos participantes se arranjava.
É o inicio de um mês de nonsense. O país está totalmente perdido na cauda da Europa: o desemprego continua a subir em flecha, as empresas fogem para outros países, os hospitais e as escolas são de um nível de terceiro mundo, os idosos recebem reformas miseráveis, há cada vez mais criminosos nas ruas, etc., etc., mas por um mês inteiro, vamos esquecer isso tudo graças à divinal bola.
Quem é que vai pensar agora nos idosos que estão na lista de espera para serem operados há 3 anos? Nós é que não… vamos mas é pendurar bandeirinhas em tudo quanto é sítio, porque os 11 milionários que vão defender as cores nacionais no relvado, esses sim, precisam de sentir o nosso apoio.
Bem-vindo a narcose nacional!

29.4.06

Dica da Semana

Que se pode ler muita coisa útil no “Dica da Semana”, o jornal gentilmente e gratuitamente distribuído pela cadeia Lidl, toda gente já sabia. Agora que também se pode saber qual o estado do país, isso é que não. Posso, desde já, dizer-vos, que as coisas vão muito bem para Portugal.
Ontem passei pelo aeroporto e comprei um jornal Belga (quem escreve para o GM tem que estar a par das notícias estrangeiras), e lá dentro havia uma página inteira com publicidade do LIDL que observei meticulosamente.
Em primeiro lugar, descobri que o LIDL faz promoção aos mesmos produtos ao mesmo tempo cáe lá, porque no “Dica da Semana” estavam exactamente os mesmos produtos anunciados. Mais, os preços de lá não são iguais que cá:

-colchão (em Portugal) 19,99; (na Bélgica) 13,99
-ténis de ciclismo (P) 24,99; (B) 21,99
-binóculos (P) 19,99; (B) 17,99
-toldo de protecção solar (P) 49,00; (B) 39,99

Isto só pode querer dizer uma coisa, estimados leitores: o poder de compra em Portugal é superior à desse país minorca lá do Norte. Durante anos ouvimos essas mentiras sobre como Portugal está na cauda da Europa, mas acabou…toca mas é a alargar o cinto!



O homem do colchão é o mesmo! Apenas está a olhar para outro lado e mudou o relógio de braço. Truques de marketing, cá para nós.

10.4.06

O que é preciso, é agir!













Há duas semanas atrás, a chegar a minha casa, depois de um longo dia de labor árduo, eu e a minha companheira chegamos a conclusão que não havia nada para manjar. Resolvemos então mandar vir uma pizza. Não somos grandes apreciadores de fastfood, mas uma vez por ano tem que ser.
Como gostamos mais das pizzas da “Pizzahut” (o segredo está na massa), do que das da “Telepizza” fomos ver a net se havia entregas dos primeiros na nossa zona. Não dizia nada sobre onde fazem entregas, apenas “ligue já para o nº 707221122”. Calculo que quem viver no meio da Serra de Estrela terá dúvidas se fazem entregas ao seu domicilio, mas eu não, porque vivo no centro de Lisboa.
Liguei para o dito número e fiz a minha encomenda, mas quando dou a minha morada, a senhora diz-me que não fazem entregas lá!
Indignado, por causa do tempo e do telefone gasto (2 €!), retorqui que, se não fazem entregas em Lisboa, seria talvez uma boa ideia mencionar isso na sua página na net.
A senhora respondeu-me que faziam entregas em Lisboa, mas não para todos os sítios.
Agradeci e desliguei o telefone, porque afinal, a senhora também não tinha culpa. De certeza ganhava um salário de miséria, tinha que trabalhar em turnos e já não podia com o cheiro de pizzas.
O que fiz foi mandar prontamente um mail para o quartel geral da Pizzahut, a denunciar essa sua pratica de enganar as pessoas. É preciso agir contra esses larápios capitalistas!
Até agora contudo, continuo sem receber uma resposta.

17.2.06

Dúvidas existenciais e a Selecção Nacional

O grande problema desta nossa existência é ter de dividir o mundo com imbecilóides. Eles é na escola, no emprego, na rua, na televisão, no Médio Oriente… há sempre mentecaptos por todo lado. Com a idade vamos-nos apercebendo que o número é cada vez mais elevado do que aquilo que pensávamos. Mas também vamos nós habituando a essa realidade.
No entanto, existem excepções, como no outro dia em que li que a Selecção Nacional vai fazer o estágio de preparação para o Mundial em Évora. O artigo rezava assim:

Évora já trabalha para a Selecção

Iniciaram-se ontem as terraplanagens na Herdade da Silveirinha, local onde vai ser construído o complexo desportivo do Lusitano de Évora e que servirá para receber o estágio da Selecção Nacional, em Maio vindouro. Quase cinco anos depois, Morais Santos, presidente do emblema eborense, não cabia em si de contentamento. "É o fim de um sonho e o início da realidade. E a felicidade é maior ainda na medida em que ao nosso complexo desportivo estará associado ao estágio da Selecção Nacional. Muitos pensavam que o nosso projecto seria inconcebível e, depois de travadas muitas lutas e guerras, já perceberam que estávamos lúcidos e que o início das terraplanagens significa um processo irreversível, com ou sem Selecção", advogou. Com a entrada das máquinas em acção, o presidente do clube alentejano acredita que tudo estará pronto a tempo e horas. "Temos um compromisso com a Federação Portuguesa de Futebol e acreditamos que o campo relvado, as bancadas, os balneários, a vedação exterior e respectivas acessibilidades estarão prontas até 30 de Abril", assegurou, para finalizar: "A partir de agora o trabalho não mais voltará a parar até porque o tempo urge.

in "O Jogo"


Depois de ler isto, fiquei confuso e com as seguintes dúvidas:

1. Um complexo desportivo para uma equipa da paróquia, não tem as mesmas condições que um para a selecção nacional (digo eu) e construir isso tudo em tempo recorde, vai sair bem mais caro do que se fosse num prazo normal.

2. Será que Évora é a localidade portuguesa que tem o terreno e condições climatéricas mais parecidos com a Alemanha?

3. Haverá falta de espaços no resto do país para a equipa das "quinas" poder treinar?

4. Não foi há menos, de 4 anos que neste país foram construídos sete estádios e remodelados outros três; e três dos quais já se transformaram em elefantes brancos?

5. Porque é que a selecção não pode fazer o estágio simplesmente outra vez, no centro de treino do Sporting, onde já trabalhou, e de onde se atingiram bons resultados (final do Euro)?

6. Será verdade que Portugal já tem hospitais, escolas e lares de terceira idade, ao nível médio da comunidade europeia e que por isso já pode esbanjar dinheiro em outras coisas menos importantes?

7. Se a resposta a ùltima pergunta for negativa, então onde estãoo Francisco Louça e o resto da malta que tanto gosta de levantar a voz contra tudo e mais alguma coisa?

Para finalizar, gostava de referir que há um grande ponto a favor para que se realize o estágio em Alcochete. No Freeport existe um restaurante de fastfood alemão, onde sauerkraut e salsichas de vários tipos não faltam na ementa.


Por enquanto, o campo ainda está ocupado por outros atletas e não pela Selecção Nacional.

31.1.06

A vossa localidade é capital de quê?

Li há pouco tempo que Lisboa além de ser capital de Portugal, é capital Atlântico. Pensei logo se era realmente a única capital situada a margem do Oceano Atlântico. Reykjavík não fica ao pé do Atlântico? E Dakar? Nouakchott? Paramaribo ou Buenos Aires não o são? Não?
Bem, mas fiquem a saber que Lisboa não é a única capital em Portugal. Ora vejamos:


Almeirim - Capital da Sopa de Pedra
Armamar - Capital da Maçã
Barcelos - Capital dos Pitos*
Braga - Capital do Barroco
Bombarral - Capital da Pêra Rocha
Caldas da Rainha - Capital da Cerâmica
Campo Maior - Capital do Café
Cantanhede - Capital da Merda*
Cartaxo - Capital do Vinho
Celorico da Beira - Capital do Queijo da Serra
Coimbra - Capital do Saber Português
Entroncamento - Capital do Comboio
Faro - Capital da (in)Cultura de 2005*
Felgueiras - Capital do Calçado e do Ferrari*
Fundão - Capital da Cereja
Golegã - Capital do Cavalo
Gondomar - Capital do Apito Dourado*
Horta - Capital do Iatismo
Lisboa – Capital de Portugal e Capital Atlântico
Leiria - Capital das Brisas do Lis*
Lousã - Capital do Papel e do Livro
Marinha Grande - Capital do Vidro
Marvão - Capital da Castanha
Mirando do Corvo – Capital Nacional da Chanfana
Mealhada - Capital do Leitão
Mirandela - Capital da Alheira
Montemor-o-Velho - Capital do Arroz
Montijo - Capital do Porco
Moura - Capital do Azeite
Óbidos - Capital do Chocolate
Olhão - Capital do Marisco
Paços de Ferreira - Capital do Móvel
Penacova - Capital da Lampreia
Ponte de Lima - Capital do Vinho Verde
Portimão - Capital da Sardinha
Rogil - Capital da Batata-doce
S. Braz de Alportel - Capital da Cortiça
São João da Madeira - Capital do Calçado*
Santarém - Capital do Gótico
Setúbal - Capital da Caldeirada e do Choco Frito*
Valpaços - Capital do Folar
Vila Nova de Poiares – Capital Universal da Chanfana
Vila Pouca de Aguiar - Capital do Granito
Vila Viçosa - Capital do Mármore
Vinhais - Capital do Fumeiro
Valongo - Capital do Whisky (pelo menos é para o presidente da câmara, que mama uma garrafa por dia!)*

* sugestões dos leitores

Falta muita cidade, vila e aldeia que ainda não é capital. E isso não é justo! Por isso, estimado leitor, se tiver propostas… envie-nos um email. Eu já pensei em alguns exemplo tais como: Guimarães que devia ser a Capital do Berço; Vila Nova de Gaia: Capital do Vinho do Porto; Fátima: Capital das Aparições; e Barrancos: Capital das Touradas Permitidas.


Rua principal da gloriosa capital universal da chanfana, Vila Nova de Poiares.

25.1.06

Eis o vosso país!

Ontem telefonei para um instituto estatal, porque precisava de algumas informações. Aqui fica o diálogo:

Secretária: “Bom dia, com posso ser útil?”
Mat le Bon: “Bom dia, há algum tempo participei num concurso do vosso instituto e gostava de saber como isso ficou…”
Secretária: “Como houve enganos no passado, não podemos dar informações através do telefone, mas todos os resultados dos concursos são afixados aqui no edifício…”
Mat le Bon: “OK, mas eu vivo em Lisboa e é me impossível dirigir-me a Viseu apenas para ver isso”
Secretária: “E não pode pedir a alguém conhecido aqui em Viseu para vir cá ver isso?”
Mat le Bon: “Eu não conheço ninguém em Viseu…”
Secretária: “Então se calhar vai ter que passar mesmo aqui…”
Mat le Bon: “Que chatice! …e não posso encontrar os resultados na vossa página de internet?”
Secretária:“Provavelmente sim...”
Mat le Bon: “Bom, então vou tentar isso…obrigado e um bom dia!”
Secretária: “De nada!”

Fui ver o site e não havia lá nada.


P.S.- Le Bon não é o meu apelido verdadeiro.

17.11.05

O Mundo Civilizado

Mandei no outro dia, uma carta de solicitação espontânea por e-mail. Assim, sem mais nem menos, ofereci-me para trabalhar para uma empresa. Tal como milhares de outras pessoas neste país, ando há já algum tempo a procura de um emprego melhor (leia-se mais bem pago.) Já devo ter mandado pelo menos uns 1000 currículos desde que deixei de estudar e posso afirmar que já tenho uma vasta experiência nessa matéria. Como tal, não estava a espera de resposta, porque era para uma empresa de um ramo do qual não tenho conhecimentos nenhuns. Quem é que se dá o trabalho de responder à solicitações espontâneas? Pareçe-me mais fácil neste pais ganhar o euro milhões….
Qual não foi o meu espanto quando no dia a seguir, logo de manhã, já tinha um e-mail na minha caixa de correio electrónico. Obviamente não era para me oferecer trabalho, milagres só em Fátima, mas tinha uma pequena nota de agradecimento e de apoio.
Comoveu-me. Essa enorme multinacional deu-se ao trabalho de me agradecer a mim, um meia-leca qualquer num pequeno país chamado Portugal. Mas porquê?
Porque a dita empresa não era nacional, mas sim estrangeira. Pelos vistos lá fora, as pessoas que se esforçam a procurar trabalho (já gastei uma pequena fortuna em papel, tinta, selos e CD´s) são tratados como seres humanos.
O que é preciso, é uma cruzada de empresas lá do norte contra esses bárbaros infiéis que há por cá. Mostrar-lhes e ensinar-lhes as boas maneiras do mundo civilizado. Como vitalizar a economia Portuguesa, criando novos postos de emprego também seria uma boa lição!

"Vinde nobres estrangeiros! Pela A1 é sempre a descer, não há que enganar!"

11.11.05

Grande Concurso de Natal GM

O espírito natalício contaminou a redacção do GM, e por isso, resolvemos organizar um grande concurso onde se pode ganhar, - nem mais, nem menos- uma fantástica camisete (leia-se t-shirt) GM!
Pensámos que faria sentido, Portugal livrar-se do Pai Natal e optar, orgulhosamente, por uma verdadeira figura Portuguesa.
Para participarem, têm de enviar-nos o nome de uma figura e a lenda que está por trás. Já tivemos algumas ideias aqui na redacção, que vamos dar como exemplo:
- D. Sebastião, o menino-rei que na eterna procura do caminho para o seu país passa pelas casas das pessoas e oferece cabeças de mouros aos meninos que se portaram bem, e nevoeiro ao que se portaram mal. É um messianismo ligado ao espírito do Natal.
- Cavaco: vai até ao congresso da Figueira no seu citro BX, fazer a rodagem e distribui prendas às crianças, compradas com subsídios da C.E.E. É também um messianismo ligado ao espírito do Natal.
- Soares: esbanja o dinheiro do contrabando de pedras valiosas, oferecendo prendas aos meninos que dizem que ele "ainda é fixe". Sabe andar de elefante.
- Salazar: não dá nada, mas leve os meninos maus em passeios a Peniche e ao Ultramar.
- Sá Carneiro: vem de avião trazer prendas aos meninos pobres de Camarate, directamente nas suas chaminés.
P.S.: Podem enviar propostas até o dia 30, que serão depois, votadas aqui no GM, numa eleição online. Bom trabalho!

27.10.05

Análise imagética de imagens analíticas


O cartaz de Carmona consegue ser mais profundo que a imaginação de um pedreiro quando, do alto do andaime ou do taipal da camioneta, vê uma rapariga a comer uma banana. É sabido, até porque há uma canção sobre isso e as canções temáticas são todas verídicas, que Lisboa é ora menina, ora moça. Na altura em que Carlos do Carmo cantava, e alguém lhe dava ouvidos, até era mais menina, porque era assim que terminava o verso, mas agora é de supor que já seja uma moça feita. Carmona sabia disso e resolveu recorrer à sua capacidade metafórica para erigir um cartaz vencedor. Passo a explicar: no cartaz de Carmona, está implícito que todos os presidentes de câmara anteriores são os homens que foram para a cama com Lisboa. Todos abusaram de Lisboa, esburacaram-na, alargaram-na muito para além do que era expectável, pagaram-lhe implantes de silicone quando havia outras prioridades, como comprar um aparelho para os dentes, uma mochila nova ou o passe 30 dias para o metro, enfim, foi chegar, usar, e quem viesse a seguir que limpasse aquilo tudo.

Mas ninguém limpava. Continuavam todos a usar e o espaço foi-se deteriorando a olhos vistos. Eis que chega Carmona com um conceito inovador: não ia para a cama com Lisboa, muito menos abusar dela, ia antes ajudá-la a sentir-se bonita e desejada outra vez. Seguindo esta lógica, torna-se óbvio por que raio arregaça as mangas o candidato, e, afinal, a que é que Lisboa ‘vai com ele’. O ‘isto’, portanto. Ora bem, em que categoria profissional é que um indivíduo recebe uma senhora com um afável sorriso, enquanto arregaça as mangas e, para efeitos de motivação e de modo a afastar algum desconforto que se possa instalar, diz ‘vamos a isto’? É simples, no cartaz de Carmona, ele é então o ginecologista que vai limpar a porcaria que os outros presidentes de câmara deixaram naquilo Lisboa tem de melhor, a sua ‘virtude’.

10.10.05

A Análise Pós-Eleições

Logo depois de terem saído os resultados das eleições autárquicas, sentimos o dever patriótico a chamar por nós e juntamos-nos todos no quartel geral do GM para fazer um brainstorm (tempestade no cérebro).
Portugal é conhecido lá fora pela sua riqueza cultural, pela sua longa história, pelo seu simpático povo e pela sua eficácia em organizar eventos de grande envergadura. Portugal não pode ter essa sua imagem imaculável, manchada por Fatimas Felgueiras, Valentins Loureiros e Isaltinos Morais. Pensámos e discutimos pela noite dentro sobre o assunto, e de facto encontrámos uma solução para essa vergonha nacional.
Portugal oferecerá Oeiras, Felgueiras e Gondomar às suas antigas colónias. Esses territórios tornar-se-ão enclaves ultramarinos do terceiro mundo. Portugal já ocupou terras lá, agora eles podem ocupar cá.... é justo. Sabemos que a Fátima Felgueiras tem laços com o Brasil, que o major é ou foi cônsul honorário da Guiné-Bissau no Porto, e que Isaltino tem contas na Suíça (que é o passatempo preferido dos políticos do terceiro mundo), tudo isso irá facilitar a intregação.
Depois, se algum estrangeiro nos perguntar o que se passou nessas localidades no dia 9 de Outubro de 2005, nós vamos poder retorquir: “Isso não é Portugal, é sim, terceiro mundo e essa gente não tem culpa de ser assim.”
Países candidatos com maiores probabilidades de ganhar estes novos territórios, são aqueles onde os direitos do homem ainda são um mero mito. Só assim talvez, a burrice será vencida.

O missionário dá as boas-vindas ao povo Gondomarense

24.6.05

Anti-Estilo XI

Há uns tempos atrás, falei-vos do grande símbolo nacional que é o bigode português. Um outro símbolo a não menosprezar é a unha grande do dedo mindinho. Durante gerações o culto da unhaca floresceu nas terras lusitanas e é com pena no coração que constato que está a desaparecer.
Aquilo era uma afirmação, de que se pertencia à elite que não praticava trabalhos laborais, ou seja, que não sujava as mãos a trabalhar. Por isso, desempregados deixai crescer as vossas unhas! Mais, com a quantidade de cotonetes que se poupava usando a uninha nos ouvidos sujos, andar com unha comprida, era ser ecologista muito antes da Greenpeace, World Wide Fund, Quercus e outras organizações.
Por isso, digo a estes skins e outros palhaçitos, que andavam a protestar no Martim Moniz - só porque meia milena de larápios de cor assaltou uma praiazita em Carcavelos- e que lutam pelo orgulho nacional que se está a perder, que quando esticarem o braço direito para frente, que seja com uma unha bem cumprida!


Proponho pintar o Bush ou o Pinta da Costa na unha, a quem tiver muita comichão na zona das virilhas.

14.4.05

Anti-Estilo V



Todos os anos é sempre o mesmo filme, milhares de forasteiros invadem a nossa querida pátria e somos obrigados a assistir a essa coisa horrenda. O povo português que deu cultura a mais de metade deste globo tem de levar anualmente com este espectáculo bárbaro. É o anti-estilo em massa, é o verdadeiro peúgacausto!
Nós quando vamos lá para fora, nunca ousaremos fazer isso. Quando caminhamos pelas ruas de Paris, Londres, Nova Iorque ou Tóquio; temos dignidade e respeitamos a casa do outro.
Por isso, faço um apelo a um gesto de sacrifício aos muitos compatriotas que estão espalhados por este mundo fora. Vamos combater o inimigo com as suas próprias armas. Português que estais em Cartum, Catmandu ou Reiquejavique, português de primeira, segunda ou quinta geração; lembra-te do teu glorioso passado e heróicos antepassados; veste as meiinhas brancas e calça as sandálias! A nossa hora de vingança chegou....meia por meia, sandália por sandália!