14.12.05

"Sou Eu!"



Há muito tempo que me intrigam as coisas que as pessoas dizem quando tocam à campaínha e alguém pergunta: "Quem é?".
Os carteiros respondem sempre "É o correio!", quando deveriam dizer que é o carteiro, visto que as cartas não falam. Os miúdos da publicidade usam a mesma lógica, porque se dissessem que eram "o Ruben do 10ºF que distribui publicidade para ver se consegue comprar uma scooter", duvido que alguém lhes abrisse a porta. O homem do gás diz que "é o homem do gás", o que chega perfeitamente, pois ninguém quer saber o nome dum homem que anda no negócio de levar bilhas. As testemunhas de Jeová não dizem nada e apenas esperam que Deus lhes conceda uma oportunidade de espalhar a Sua palavra. Já os ladrões e os agarrados não podem dizer "É um ladrão e/ou agarrado", logo dizem que são uma das pessoas que referi anteriormente.
Mas a resposta mais genial de todas é o clássico "Sou eu!". Toda a gente já a usou, e é uma resposta que prima não só pela sua sinceridade, mas também pela sua eficácia quanto à questão de abrir portas. As hipóteses que existem para além desta, não são nada de jeito. Há o dizer o nome na terceira pessoa "É o Não-sei-quantos", que nos faz soar a um egocêntrico que fala de si como uma entidade superior. Também há a versão da auto-afirmação, em que se diz "Sou o Não-sei-quantos", e que faz lembrar os maluquinhos deprimidos que sairam há pouco do hospício e que ouvem cassetes de auto-ajuda enquanto vão a caminho do consultório do seu terapeuta.
Dentro do "sou eu" existem duas principais variantes: o "Sou eu, abre a porta!" e o "Sou eu, o Não-sei-quantos!". A primeira tem de ser dita no tom autoritário e/ou agressivo, e intensifica a eficácia da abertura da porta. A segunda é bem mais sincera, e tem como objectivo refrescar memórias, enfatizar afectos, ou até mesmo abrir a porta.
É claro que os intercomunicadores com vídeo andam a lixar esta inofensiva prática. Já nem o "Pão por Deus" no dia de Todos-os-Santos com o seu "Ò tia dá bolinho, ou leva no focinho..." (o treat or trick lusitano) é a mesma coisa com essas modernices. Só nos resta mesmo tocar nas campaínhas e fugir. Nenhuma tecnologia nos irá destruir essa bela tradição de entertenimento infanto-juvenil. Valha-nos isso! Valha-nos isso!

7 comentários:

Pedro disse...

Eu digo “Sou eu! Ai que desgraça que aconteceu… Ai, acudam! Acudam!”. Toda a gente abre a porta.

João disse...

Eu arrombo as portas com um pontapé. Se não conseguir arrombá-las, deixo um palito a trancar o botão da campaínha e vou-me embora.

K1111 disse...

Usualmente quando me dizem "sou eu" do outro lado da porta respondo zangada "eu quem?!". Costuma afastar os ladrões...

Joel disse...

não sigo um código fixo para tocar a campainhas. o resultado do meu gesto depende de duas coisas: o momento e o dono da porta.
prefiro sem duvida ir a casa de alguem puxar pelo meu molho de chaves e por-me a fingir que estou a abrir a porta e falando, até alguém dentro da casa se aperceber que quero entrar.

Pedro disse...

Afinal enganei-me e aquilo que faço mesmo é tocar a música do Old Spice com a campainha…

Anónimo disse...

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