18.10.06

Rádio Gémeo Malvado: We are the world



Esta playlist tem, como seria de calcular, um tema. Um tema temático, até, com uma acentuada aura de assunto e uns pozinhos de motivo. Não me apetece é explicar qual é. Mas posso, desde já, adiantar que se tratam de canções e cantigas cantadas por cantores. Em várias línguas. 15, para ser mais exacto. Cada uma delas é uma versão de um célebre sucesso do mundo da canção ligeira e popular. Portanto, é favor ler esta merda toda e adivinhar de quem são as músicas originais. O primeiro a fazê-lo acertadamente ganha não levar um murro nas fuças com força. Andor com isso!


Lissette y Sophy - Eclipse Total del amor

Espanha não é só mamas e tapas. Mas não sei quem são estas pessoas. Diz que a Lissette é uma cantora peruana. Os únicos peruanos que conheço do mundo do espectáculo são aqueles índios que tocam Pan Pipe Moods no Rossio. Nunca dou nada a esses índios. Desvirtuaram completamente a ideia que tinha deles. Nem têm flechas, não querem escalpes, nem uma vez os vi a fazerem aquela coisa de bater com a palma da mão na boca e fazer aquele “uohuohuohuohuohuho” aos saltinhos. Se grito “Sigam o Kemosabe, vamos!” enquanto passo a correr por eles, limitam-se a ficar com aquele olhar de “moñedita, señor?”. Santa pachorra. Arriba! Coño, cabrones!


Patrizio Buanne - Alta Marea

Itália não é só mamas e massa. Não. Itália também é a casa do Papa. A julgar pela quantidade de visitas e amigos que tem, é de supor que o Papa tenha uma piscina do caraças. Ou então já tem a Playstation 3. O que eu gostava mesmo era de ser cozinheiro do Papa por um dia. Só para lhe poder perguntar “Papa, açorda?”. Ou então ser o desinfestador do Vaticano e, quando ele me ligasse, eu interrompia-o logo com a dúvida “Papa, formigas?”. Mas devia ser baratas. Não me ia ligar por causa de formigas. Digo eu, sei lá. Assim de longe, o Vaticano não me parece sítio para ter baratas. É seco, tem aragem com fartura, e até deve ser aspirado todos os dias ou, na pior das hipóteses, às terças e quintas. Formigas ainda é com’ò outro. Basta deixar um bombom esquecido em qualquer lado para aparecerem. Porco Dio! Vaffanculo!


Quietschboy - Kammermusik

Alemanha não é só mamas e salsichas. É também a terra dos maus do Indiana Jones. Há uns que até morrem derretidos porque abriram um baú e saíram de lá uns pirilampos muito grandes. Um era o Herr Flick do Alô Alô, que eu bem sei. Tal como nós, portugueses, também os alemães tiveram um baixinho de bigode que ficou famoso. Só que o deles não se chama Vitorino, nem tinha um irmão que se vira se, perto dele, dissermos à nossa filha pequena, que se chama Salomé, onde deve ir fazer a mijoca. Eu já fiz isto. A minha filha chama-se exactamente Salomé e eu, uma vez, na festa de angariação de fundos para um carro dos bombeiros novo para os voluntários de Almeirim, e porque reparei que ela se preparava para mijar no canto do pavilhão gimnodesportivo daquela simpática povoação, gritei “Sanita, Salomé!”. Quando me virei, estava o irmão do Vitorino a olhar. Tinha uma filhós na mão. Parecia ter muito óleo, mas ele lá sabe. Da tua vida sabes tu, Janita. Hundeschiss!


Svetlana Razina - Noch' bez muzhchiny

Rússia não é só mamas e solho-rei com saramago-maior. Rússia é frieiras, daquelas nas orelhas. Rússia é Derlei. Rússia é Estaline. Rússia é Rasputine. Rússia é o Portugal da Angola que é a Ucrânia. Terra de bolcheviques e mencheviques. Terra da Laika, que eu ainda hoje confundo com a Lassie sem ninguém reparar. A Laika foi o primeiro cão no espaço. A Lassie, por seu turno, foi o protótipo do inspector Max. Como se tratavam de outros tempos, a Lassie era apenas uma camponesa, ao passo que o Max já é um respeitado inspector da PJ e ladra ordens para o Médico de Família e aquele estrábico que tinha um anúncio no Metro em tronco nu sobre não sei quê. E é uma coincidência engraçada, o facto da Laika ser confundida com a Lassie, que, como se disse, é o protótipo do Max, que, claramente, é um nome se confunde com Marx, o inventor do comunismo. E adivinhem lá quem foi o bastião das comunices? A ex-União Soviética, actual Rússia. Nem mais, nem menos, que a terra da Laika. Chiça, que até me arrepio todo com estas coincidências. Yebat'-Kopat'!


Faye Wong - Moong Joong Yun

Olha a china. A China não é só mamas e arroz chau-chau. Pá, mora é aí muita gente. Tratem lá disso. Além do mais, para um país tão grande, já vai sendo tempo de inventarem mais qualquer coisa. Galinha com amêndoas é bom e o Ping Pong até dá para distrair, mas, quer dizer, n’é? Desde a pólvora que não fazem nadinha, caraças! E sim, descobrir a pólvora foi porreiro. Agora até se diz “eh pá, o gajo parecia que tinha descoberto a pólvora”. Por acaso nunca ouvi “descoberto”. As pessoas, o povo anónimo, a massa inculta e suja de polvilho; essa gente diz sempre “descobrido”. A praça de Tian'anmen é na China. É aquela praça onde um gajo quis bater num tanque. Mas o tanque até nem queria confusão. Desviou-se e tudo. Viu-se bem isso nas imagens. O gajo é que continuou a teimar e a mandar bocas. Ni shi hun dan!


Bollywood Freaks - Don’t stop ‘till you get to Bollywood

Índia não é só mamas e chamuças. Nunca fui à Índia. Mas hei-de ir, claro. E até já sei algumas coisas sobre a Índia. Não se pode beber água de lá. Nem ir à casa de banho. E, se se respirar pela boca, apanha-se tuberculose e/ou escorbuto. Apesar de tudo, imagino que lá, na Índia, as pessoas sejam felizes. Imagino que é um país onde toda a gente passa a vida a ensaiar coreografias em cima de comboios. É também o país para onde os índios foram viver, depois dos cowboys os terem expulso do faroeste. Agora andam em elefantes, em vez de cavalos, e adoram vacas, em vez de totens. Isso é que foi evoluir, hã, Índia? E eu que escolhia sempre o Ghandi no Street Fighter a pensar que coiso. Basicamente, era porque só sabia fazer o Yoga Fire e deixava-me num canto sempre a fazê-lo. Era mais fácil que o Ayuken do Ryu e do Ken, os Wham do Street Fighter. Os meus amigos diziam-me “foda-se, metes nojo com essa merda de ficar num canto a fazer sempre essa merda de fogo”, mas era só inveja porque eu ganhava. Chodu bhagat!


Mo Hiromi - Golfinger 99

Japão não é só mamas e sushi. Japão é também a pátria da pornografia mais mórbida do planeta. Mas alguém tinha que ser, n’é? Eu, pessoalmente, nem vejo nada de estranho na pornografia japonesa. Só disse aquilo porque li num livro e às vezes é de bom-tom citar coisas e assim. Ah, não foi num livro. Foi na TV Guia, num artigo de opinião do João Gobern. Ele estava a falar daqueles desenhos animados em que, todos os dias, uma planta gigante com tentáculos violava colegiais. É também no Japão que o meretrício é um curso superior. Sim, as Geishas. Cá também há um curso mais ao menos parecido, mas chama-se “casting para apresentadora/actriz”. O que, a meu ver, acaba por não dar muito boa imagem dos nipónicos é o facto de, aqui há coisa de uma quinzena de anos, 38 pessoas terem morrido no seguimento de uma erupção vulcânica. Pá, é ridículo. Este tipo de tragédia não faz sentido nos nossos tempos e dá uma imagem muito medieval do país afectado. Era como se, amanhã, cerca de uma centena de delegados comerciais da PT fossem chacinados por um exército de sarracenos a cavalo. É desajustado. Mocca-Mocca Su Su!


Alkistis Protopsalti - Ola afta pou fovamai

A Grécia não é só mamas e mousaka de vitela. A Grécia é, e isto é um facto reconhecido pela ONU e tudo, um país que devia ter acabado uns bons séculos antes de Cristo. E porquê? Essencialmente, para saírem em grande. Saírem quando eram os maiores, quando estavam no auge. Quando aquele pessoal que vestia cortinados e gostava muito de falar e inventar democracias e teoremas e assim. E coiso e isso. Mas era. Tinha-se acabado com a Grécia nessa altura e, hoje, os gregos eram um sucesso de marketing, que ninguém duvide disto. T-shirts, canecas, bonés. Assim um Ché Guevara em país. Aliás, era o que nós, portugueses, devíamos ter feito depois dos descobrimentos. Descobríamos o mundo e íamos embora. Ser outro país. Como Portugal já estávamos no topo e, a partir daí, seria sempre a descer. Gregos, afinal de contas, Aristóteles ou Demis Roussos? Hipócrates ou Katsouranis? Arquimedes ou Yanni? Teria sido tão simples. Tsoula!


Abbacadabra - Carabosse Super Show

França não é só mamas e aquelas porcarias de palitos de champanhe que ninguém gosta e que inexplicavelmente toda a gente tem em casa. A França é um país ridículo. Logo para começar, o hino deles é igual ao início do All you need is love, dos Beatles. E os Beatles nem são franceses, acho eu. Se ainda fosse igual ao início de uma música do Joe Dassin, ainda pronto, n’era? Assim, é apenas ridículo. É também a terra da Brigitte Bardot, actualmente uma empenhada activista dos direitos dos animais. Brigitte, pá, as pessoas pareciam ligar ao que tu dizias quando esse peito tinha bastante mais vigor. É que nem o meu tomate, o descaído, está nesse estado lastimável. Agora não passas de uma daquelas velhas que tem centenas de gatos vadios em casa e que vamos ver na TV um destes dias quando os vizinhos se queixarem do cheiro. E, já agora, se um dia quiserem desenterrar o Jim Morrisson ou o Oscar Wilde, para ver se eles foram soterrados com carcanhol nos bolsos, é só comprar uma pá e abalar para França. Mas, cuidado, que o Oscar era maricas e aquilo diz que se pega. Va te faire foutre!


Miracle - Boheemse Spijtoptant

A Holanda não é só mamas e salsichão com batata. Foi lá, na Holanda, que nasceu o inventor do Programa Erasmus que, em traços latos, consiste na oportunidade de estudantes de diversos países europeus se irem comer num outro país europeu qualquer.
Em 1667, os vacões dos holandeses trocaram Nova Iorque pelo Suriname. Esta troca é quase tão má como a dum vizinho meu que, em 1990, trocou o cromo do Gascoigne com o do Ally McCoist. O do Ally McCoist calhava em todas as saquetas. E o gajo trocou. De referir ainda que era um daqueles gajos que depois encomendava os cromos que lhe faltavam. Enfim, um batoteiro. Descansem, que levou que chegue no recreio. Hoje é maníaco-depressivo e toma 50 comprimidos por dia, mas duvido que tenha sido por isso. Eu não tenho remorsos e ainda hoje lhe dou caldos por causa da batotice dos cromos. E, claro, por causa da pior troca de sempre a seguir à de Nova Iorque pelo Suriname. A Holanda é ainda o país de mais não sei quê, mas agora não m’a lembra e tenho não sei quê para fumar. Dizem que fumar isto afecta a… ai, como é que se chama aquilo… aquela coisa de não nos lembrarmos das cenas e assim, mas eu sou contra. Aliás, sou… eu? Sei lá, às vezes parece que… barulhos e tal. Kontneuker!


Vopli Vidopliassova - Halyu, prykhod

Ucrânia não é só mamas e zelenyisyr. Tenho um carinho especial por ucranianos. São as únicas pessoas que, como eu, arranjam esquemas para não ter que comprar os sacos do Minipreço. É uma questão de princípio, porra. Comprar sacos é ridículo. Qualquer dia, começam-nos a dizer “Bom dia, quer respirar aqui dentro? Então são 30 cêntimos, se faz favor.” Bem se lixam, que eu aguento um minuto e tal sem respirar. Entro a correr e ponho-me a andar dali para fora num ápice. Sim, num ápice! A verdade é que se cria, entre mim e os ucranianos, uma solidariedade muda. Há ali uma energia que nos une quando estamos a meter as compras na mochila ou em sacos de outros supermercados que trouxemos de casa. Se calhar por isso, sonho em ir ao Minipreço de Kiev. Não sei, é uma coisa cá minha. É como aquela coisa dos israelitas quererem ir todos a Jerusalém. Por falar em judeus, ficam a saber que a Golda Meir nasceu exactamente em Kiev. Aquele incidente de Chernobyl também foi na Ucrânia. Deve ter sido lixado. Uma vez ardeu aqui uma fábrica de esferovite ao pé de casa e aquilo foi um cheiro que até fazia dor de cabeça. Mas, claro, só Chernobyl é que teve publicidade. É só politiquices. Admito que um incidente que faz nascer pessoas com duas cabeças e peixes com asas tenha muito mais impacto visual. Mas, caramba, já alguém cheirou toneladas de esferovite queimado? Ainda hoje tenho pesadelos com aquele cheiro. Kholera v dupi!


Elakelaiset - Ellan Humpalla

Finlândia não é só mamas e kalakukko. É a casa do Pai Natal e dos duendes que fazem os brinquedos. Ser anão é lixado. Ou trabalham na loja de brinquedos do Pai Natal, que depois, feito parvo, os oferece. Logo, não há retorno financeiro e, claro, não há salário para os duendes. Ou então trabalham numa mina e “aquecem” gajas para príncipes. Sempre me fez confusão é o Pai Natal parecer muito mais velho que o Avô Cantigas. Parece que fazem questão de confundir as crianças. Um pai mais velho que um avô? Depois admiram-se que se metam todos na droga e na gandulagem. Independentemente disso, a Finlândia é ainda o país anfitrião do Campeonato do Mundo de Bofetões em Mosquitos e do Campeonato do Mundo do Carregamento de Mulher. O campeão mundial desta primeira modalidade deve ser um qualquer país do Médio Oriente. Se fosse de moscas, qualquer país Africano era candidato. Na Finlândia têm um provérbio que diz que “se comeres bolor, ficas a cantar bem”. O bolor é a cenoura de lá. E este “ficas a cantar bem” é o nosso “ficas com os olhos bonitos”. É tudo um grande esquema para comermos o que eles querem! Syö paskaa!


Sakarin BoonpitKotmorn Yoop Yap

A Tailândia não é só mamas e khao mangal. Diz que o nome completo da cidade de Bangkok é o maior do planeta, ostentando umas simpáticas 163 letras. Complicado de dizer com um só arroto, portanto. Ah, e também deve ser lixado fazer uma composição sobre a visita de estudo a Bangkok. Quem perde, está visto, é a actividade turística da cidade. A Tailândia é o sítio ideal para quem aprecia fenómenos culturais como a transexualidade, a pedofilia e o tráfico de órgãos. Mas órgãos tipo fígados e assim. Não é pianos. É natural que a confusão ocorra. Quando era mais novo, também confundia. E havia aquele senhor da gabardina que, no Parque, perguntava aos miúdos se queriam tocar no órgão dele. Ele também confundia. Segundo o calendário tailandês, eles estão no ano 2548, mas, estranhamente, não têm naves, nem sequer Chewbaccas. Anda um gajo a ver filmes como aquele “2001: Odisseia no Espaço” e não sei o quê mais, a confiar nas pessoas, e depois afinal nem em 2548 parece que há naves. Cinco anos de atraso ainda se toleravam, mas, c’um raio, 543? É brincar com quem trabalha, francamente! Farang keenohk!


CarolaHej Mickey

A Suécia não é só mamas e almôndegas. Vinte por cento de todos os acidentes rodoviários em solo sueco estão directamente relacionados com um alce. Não sei se é sempre o mesmo. É possível. Estruturando um paralelismo ímpar, no que à sinistralidade rodoviária diz respeito, pode-se dizer que o alce está para os suecos como o álcool está para nós, portugueses. Acho que prefiro beber uma cerveja que um alce. Por outro lado, deve ser mais porreiro atirar pedras a um alce. Bem, ambos têm qualidades. Parece também que, no Natal, cada sueco come um quilo de presunto. Será que os ABBA comem quatro quilos de presunto? Não necessariamente, aprendizes. Porque isto é uma estatística. Eu explico. Por exemplo, imaginemos que o Bergman come dois quilos de presunto, o Magnusson come quatro quilos e o gordo que toca órgão nos ABBA come outro. Ora, com base nesta amostra, a média de presunto que cada sueco come é, de facto, um quilo. Mas, como se percebeu, o ABBA que toca guitarra, a Agneta e a morena não comem presunto nenhum. Será, então, deontologicamente justo afirmar-se que os ABBA, enquanto vectores de uma essência sueca com diversas incongruências a nível metafísico, já para não falar nas barbaridades que toda esta teoria atropela a nível idiossincrático, enfardam quatro quilos de presunto em cada Natal? Não sei, porque entretanto já me perdi, mas há dias vi o Magnusson na Baixa e o gajo está bem mais adiposo. Aproximei-me dele, para ver se ele cheirava a presunto e assim, e sabem o que é que aconteceu? Den fete jäveln slog mig!


Onda ChocAmores Desencontrados

Portugal não é só mamas e bacalhau. E, para fechar em beleza, nada melhor que uma música dos Onda Choc. Se isto fosse uma refeição, os Onda Choc eram o palito. Mas um palito quando estamos cheios de comida entre os dentes. Bocadinhos daqueles mesmo fininhos. Fininhos, pá. Aqueles fiozinhos de carne ou bacalhau, ò meus. Assim mais lixados de tirar, mesmo com a chave do correio ou a ponta do BI. Daqueles bocados que estamos tão aflitinhos para os tirar, mas tão aflitinhos para os tirar, que nem adoptamos aquela postura ridícula, a única socialmente aceite em público, em que parecemos que estamos a contar um segredo ao palito. Não! É ali, tudo aberto. Em liberdade. Em desespero. É assim que um palito sabe bem. É assim que se valoriza um palito! E no manjar dos Deuses que foi esta playlist, os Onda Choc são esse palito! Pá, e a quantidade de nomes que se dizem nesta música? Foda-se, c’uma porra!

17.10.06

Always Think Happy Thoughts...



Olá rapaziada e afins. Hoje, e ao contrário do que é costume, não venho para aqui maldizer nada nem ninguém. Também não venho falar do meu emprego novo, de entrevistas para empregos novos, gravatas ou refeitórios que servem 5 pratos diferentes.
Venho sim trazer uma boa nova e uma mensagem de esperança para todos nós. Jovem, gosta de ler? Então vá...

Recentes estudos científicos de alto gabarito concluem que até 2013, o Sol irá aumentar a emissão de raios ultravioleta (UV) na direcção do nosso planeta. Esses raios UV entrarão em plena actividade hoje, 17 de Outubro de 2006 a partir das 10h17 e continuarão a Terra até à 1h17 de amanhã, sendo a hora cúspide hoje às 17.10.
E o que significa isto? Muita gente deve estar a interrogar-se: "Vamos ter de usar aqueles óculos de ver o eclipse? Ou aqueles óculos 3D d' "O monstro da lagoa negra"? Uns óculos da loja do chinês não servirão? E é verdade que os chineses raptam pessoas em suas lojas para tráfico de orgãos? Isto dos UV não dá para nos bronzearmos como tivéssemos ido para os trópicos?"
Nada disso, meus caros! Nada disso! Dizem os cientistas e alguns seres isotéricos, que estes raios UV irão provocar o aceleramento da matéria a nível molecular, ou uma coisa assim do género, não sei explicar muito bem porque fui do agrupamento de Artes, e não do Científiconatural. Mas é como se o nosso metabolismo fosse amplificado por estes raios vindos do espaço. As nossas ligações neurónicas, sinapses e coisas assim do género ficarão assim dum modo que nos darão super-poderes, tão a ver? Algumas correntes de pensamento assim mais filosófico e metafísico afirmam que toda a matéria manifestada é o resultado dos nossos pensamentos. Isto significa que estes raios UV potenciarão os pensamentos focados naquilo que desejamos, manifestando-os um milhão de vezes mais rápido do que é normal.
Ora, como isto tanto pode dar para o bem como para o mal, e tendo em conta que a coisa já não anda nada bem, mais vale termos pensamentos assim bonitos, hã? Então vá, toca a ter pensamentos bonitos e altruístas durante todo o dia e lá por volta da hora de despegar do serviço façam-no com mais intensidade, OK?
Até porque será meu desejo que, quem não tiver pensamentos felizes hoje, vá parar a um campo de milho para todo o sempre. E olhem que não é para dois terços do sempre, é para todo o sempre mesmo. Ouviram?

10.10.06

Lost in Transladation II



The Eagles - Hotel California
Os Águias - Residêncial Californiana

On a dark desert highway

Numa deserta estrada do interior
Cool wind in my hair
Soprava-me a aragem no cabelo
Warm smell of colitas
Senti um pivete, cólicas e calor
Rising up through the air
O que me deu um ar de desmazelo
Up ahead in the distance
E mesmo lá ao fundo
I saw a shimmering light
Vi uma luz de gambiarra
My head grew heavy, and my sight grew dim
A cabeça e olhos doíam-me
I had to stop for the night
mas fui para a noite e para a farra


There she stood in the doorway
Junto ao porteiro estava uma mulher
I heard the mission bell
que dava catequese e tocava o sino da missa
And I was thinking to myself
mas lembrei-me a mim mesmo que
This could be Heaven or this could be Hell
ela já tinha sido noviça
Then she lit up a candle
ela já me tinha "acendido a vela"
And she showed me the way
e mostrou-me o caminho
There were voices down the corridor
Mas as más linguas no corredor diziam
I thought I heard them say
que ela levava dinheirinho

Welcome to the Hotel California
Benvindo à Residêncial Californiana
Such a lovely place
O sítio onde o Amor
Such a lovely face
Arde como uma chama
Plenty of room at the Hotel California
Há muitos quartos livres na Residêncial Californiana
Any time of year
Seja na época alta ou baixa
You can find it here
Podes comê-la aqui
You can find it here
É só pagar na caixa

Her mind is Tiffany twisted
Chama-se Tiffany e é torcida e triste
She's got the Mercedes bends
E já só anda de Mercedes
She's got a lot of pretty, pretty boys
Rapazinhos fazem-se homens, em seu chispe

That she calls friends
amiga-os contra as paredes
How they dance in the courtyard
e dançam "inclusivé" no pátio
Sweet summer sweat
Transpiram como um doce de verão
Some dance to remember
Uns lembraram-se ao chegar ao àtrio
Some dance to forget
outros esquecem-se da roupa no chão
So I called up the Captain
Ela a mim chama-me Capitão
Please bring me my wine
e traz-me copos de vinho carrascão
He said:
Ela diz:
We haven't had that spirit here since 1969
"Já não tenho licor aqui, bebo um VAT 69"
And still those voices are calling from far away
Mesmo assim malta telefona-lhe e vem de longe
Wake you up in the middle of the night
de noite, quando troveja e quando chove

Just to hear them say
Marujos, padres e um monge

Welcome to the Hotel California
Benvindo à Residêncial Californiana
Such a lovely Place
Um sítio tã' bonito
Such a lovely face
Eu nem acredito
They're livin' it up at the Hotel California
Eles fazem-na boa na Residêncial Californiana
What a nice surprise
Levam-lhe surpresas bonitas
Bring your alibis
E escondem-se em sua cama

Mirrors on the ceiling
Espelhos nos tectos
Pink champagne on ice
Champomix fresquinho e “uísqui”
And she said:
E ela diz:
We are all just prisoners here
"Prendo-os todos assim aqui"
Of our own device
Parelhas de avôs e netos
And in the master's chambers
E no quarto mais caro
They gathered for the feast
Eles juntam-se para um “fist”
They stab it with their steely knives
Ambiente de cortar à faca, punho em riste
But they just can't kill the beast
No meio de bestas eu me deparo
Last thing I remember
A ùltima coisa que me lembra
I was running for the door
estava eu de saída
I had to find the passage back to the place I was before
pela porta das traseiras, que dá para a rua comprida
Relax said the nightman
Relaxe disse o guarda nocturno
We are programed to recieve
A receber estou habituado
You can check out any time you like
pode passar-me um cheque pré-datado
But you can never leave
O que não me deixou nunca soturno


Outras líricas traduzidas:
Lost in Transladation I

27.9.06

Mama Mia Ink

Deixei de ver a serie sobre a pequena fabrica de motorizadas de Orange County. Já me cansei, e construir uma mota foleira deixou de ter segredos para mim. Se me derem os ferramentas certos, consigo construir num piscar de olhos, uma mota em honra dos Descobrimentos ou do 25 de Abril. Mas não é só isso, há também uma serie nova que tenho andado a ver em vez da Orange, a Miami Ink.
A Miami Ink é basicamente a mesma coisa, só que aqui em vez de motas temos tatuagens. Por uma tatuagem no meu corpo nunca me passou pela cabeça. Verdade seja dita que, as vezes até tenho pena: anda uma pessoa a criar filhos e a gasta fortunas com seu bem-estar, e depois estragam o corpinho todo com desenhitos que nunca mais saem. Ainda por cima esta cena dói que se farta. Mas o que me tem dado vontade fazer, a ver esta serie, é fazer tatuagens. Ou seja, fazer desenhitos idiotas na pele das outras pessoas. Picar à maneira antiga Polinésia, um dragão gigantesco nas costas de um Portista....deve dar um gozo tremendo, não? Sobre a serie em si, bom...mostra como se faz tatus e temos varias personagens, todos tatuados claros. Se eu me tornasse tatuador, seria o primeiro sem tatus. O que não tem nada de mal, também há barbeiros carecas, certo?
Temos o chefe que é o Ami, que chegou a ser soldado nas forças armadas Israelitas. Ainda não vi nenhum muçulmano entrar na loja, mas dava de certeza um belo episódio. Nuñez é o engatatão do grupo, parece e é Cubano. Kat von D, é a única moça de serviço. Já deve ter sido jeitosinha mas estragou...perdão...tatuou-se todo. O careca Chris Carver é o crack do conjunto. Depois há um mais gordinho, de qual não me lembro o nome, que parece um Mexicano, mas que tem antecedência Polaca. E por fim, temos o aprendiz, algo imbeciloide, que tenta fazer tatus, mas que por enquanto ainda tem que limpar a loja e a retrete, o Yoji.
Já sabem então, se alguém quiser ter uma tatu e só contactar-me. As agulhas estão em princípio bem afiadas e tenho bastante tinta de china. Posso tatuar, sem problemas, nos vossos braços "Amor de Mãe", "Angola 1971" ou "Rangers".

25.9.06

O Gestor Malvado

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Hoje é o meu dia de reentré! No mundo bloguista certo, porque não andei parado no mundo real. Comecei um capítulo novo na minha carreira profissional. Há um mês atrás fui contratado para me juntar nas fileiras de uma multinacional. Para quem ainda não sabe, é apenas nos meus tempos livres que tiro a minha capa cinzenta de gestor, para ser o Gémeo Malvado divertido que sou no fundo.
Até agora só laborei para empresas portuguesas, ou seja, fui mal pago e as horas extras nunca me foram pagas. Só tive patrões lusos duros, que nunca tinham uma palavra carinhosa para mim. Isso tudo acabou, meus senhores e senhoras, porque agora estou numa multinacional.
É verdade, tive de me sujeitar a certos compromissos que não são da minha natureza, como por exemplo, usar diariamente uma gravata. Foleiro, dizem vocês? Não, apenas juntei-me ao grupo da malta com classe. Os gajos dos Red Hot e Green Day, Avril Lavigne, e o James Bond são somente algumas das pessoas que utilizam também este utensílio de pouca utilidade.
E o que mudou mais? Tenho que presentemente frequentar uma cantina com 5 pratos diários diferentes. Hoje tive a tarefa difícil de escolher entre: Frango à passarinho, Solha grelhada, Cozido, Empadão de espinafres e Filetes de pescada com arroz tropical. Foi o Cozido que ganhou, porque é um prato pelo qual sempre nutri um carinho especial.
Também há um buffet de legumes, outro de pratos frios e um de sobremesas. É de facto bom ter uma oferta assim tão grande, o que está mal é, que não há um sítio para os empregados fazerem o powernap, a chamada “sesta” em linguagem vulgar, depois do almoço. Fico sempre com sono depois do almoço.
Por enquanto, não me lembro de mais nada muito relevante, mas se me sugerir algo, cá estarei para vós contar…

15.9.06

Rádio Gémeo Malvado: Drogas



Olá criançolas, como está aí o regresso às aulas e a escola não é mais do que um antro de droga, trago-vos uma playlist com músicas que têm nomes de drogas. Até porque se fossem apenas músicas que no seu título referissem drogas, nunca mais sairíamos daqui, pois são imensas. Aliás, até desconfio que são todas acerca de droga, sobretudo no universo do rock. Todas falam de drogas ou de amor, e o amor é uma droga e aleija. Por isso, vai tudo dar ao mesmo.
Em vez de vos falar das músicas e dos seus autores, decidi fazer um útil guia acerca das substâncias, pois a uma dada altura das festas o tema "Drogas" acaba sempre por surgir e temos que mostrar que não "semos" burros nenhuns. Mesmo em casamentos e bapitzados.

The Tiger Lillies - Heroin & Cocaine
Ao consumo simultâneo de Heroína e Cocaína dá-se o nome de “speedball”. É das misturas mais letais: a cocaína aumenta a batida cardíaca mas o seu efeito é bastante mais passageiro do que o da heroína, que por sua vez reduz o ritmo cardíaco. Ou seja, fica-se aparentemente na mesma. Na verdade, isto pode resultar numa overdose atrasada. Digamos que o efeito da cocaína faz com que a overdose de heroína perca o autocarro e tenha que vir a pé. O termo “speedball” também pode ser aplicado a qualquer mistura de uma droga opiácea com uma estimulante. Eu cá prefiro chamar a estas misturas o “panaché” da malta realmente fixe.
E perguntam “vosselências”: “Malta fixe!? Mas quem?” Pois bem, eu respondo: os actores John Belushi, Chris Farley, Diogo Infante Morgado e River Phoenix, o comediante Mitch Hedberg, Layne Staley dos Alice in Chains, todos eles foram encontrados mortos devido aos “speedballs”. Dizem que o Jim Morrisson também foi vítima deste cocktail letal, no entanto continuo acreditar que a morte dele se deve ao esquentador que tinha instalado na casa-de-banho. Dave Gahan, dos Depeche Mode, sofreu um ataque de coração depois de ter tomado um “speedball” e de ter percebido que o seu albúm a solo não valia nada.


The Velvet Underground - Heroin
A heroína foi criada em laboratório, durante a busca de substituto seguro para a morfina. Em 1898, o Laboratório Bayer, na Alemanha, anuncia ter encontrado a diacetilmorfina, três vezes mais potente que a morfina. Devido à sua potência, a Bayer deu-lhe o nome de heroína. Hoje está provado que a heroína vicia ainda mais que a morfina. Geralmente injectada, modera as emoções e provoca sensação temporária de bem-estar. De certa forma, é como a grade dos recintos dos concertos, que modera as emoções fortes das multidões, e dá a temporária sensação de bem-estar quando nos sentamos nela.
O consumo de heroína desenvolve a percepção do espaço, daí que os seus utilizadores se tornem em exímios arrumadores de carros. A ressaca disto causa diarreias e vómitos fortes, sempre nas piores alturas. Também dá para morrer de sede.


Marcy Playground- Opium
O ópio vem do Oriente. O ópio vem dos campos em flôr. O ópio vem das papoilas, não das vermelhas, mas das brancas. O ópio é a religião do povo! O ópio dá vontade de escrever poesia:

“É antes do ópio que a minh' alma é doente.
Sentir a vida convalesce e estiola
E eu vou buscar ao ópio que consola
Um Oriente ao oriente do Oriente.”

Fernando “Pessoas”


“Que droga foi a que me inoculei?
Ópio de inferno em vez de paraíso?
Que sortilégio a mim próprio lancei?
Como é que em dor genial eu me eterizo?”

Mário de Sá Carneiro


Cibo Matto - Marijuana
Produz efeitos físicos e psíquicos de forma aguda ou crónica, olhos avermelhados, boca seca, aceleração do coração e vontade de rir. Basicamente, é o mesmo que beber uns goles de querosene, subir uma ladeira a correr e enfiar a cabeça num fumeiro. Pode também provocar calma e relaxamento ou angústia e tremores, por vezes tudo isto ao mesmo tempo. Altera as percepções de tempo e distância, e do “eu interior", com prejuízos da atenção e da memória, a chamada burrice. Com o uso prolongado pode baixar a produção de espermatozóides, sobretudo nos homens, a diminuição da resistência às infecções, interfere na capacidade de aprendizagem e memorização, levando a um estado de falta de motivação. Em pessoas filhas de uniões consanguíneas, favorece o aparecimento de doenças psíquicas e de pêlos nas plantas dos pés.


Sly & the Revolutionaires - Cocaine
A cocaína produz euforia, sensação de poder, sensação de brilho, estado de excitação, hiperactividade, insónia, falta de apetite e perda da sensação de cansaço. Pode ainda produzir dilatação das pupilas, aceleração do coração, degeneração muscular, ansiedade, mudanças de ânimo e humor, pânico, pensamentos paranóicos, irritabilidade, agressividade, inquietação, crises convulsivas, respiração rápida e irregular podendo ocorrer a morte por overdose. Só coisas boas portanto.
É uma droga cara, e por isso as pessoas consomem-na muitas vezes em espelhos, para parecer que há mais quantidade do que realmente há. Fazem-se inaladores com notas enroladas, mas depressa se passa para os tubos de P.V.C., daqueles das obras, pois as notas começam a estar em falta, e a depedência começa a exigir quantidades maiores.
Há uma versão "roscoff" da cocaína, que se chama crack, e que é basicamente restos da pasta de cocaína misturados com bicarbonato de sódio, aquilo que os espanhóis usam nas tortilhas.


Michael Jackson - Morphine
A morfina é a mais conhecida das várias substâncias existentes no pó de ópio. A palavra morfina vem do deus da mitologia grega Morfeu, deus dos sonhos. Foi isolada em 1806, sendo uma das mais potentes drogas analgésicas.
Após a constatação das desastrosas consequências do seu emprego, a morfina e os monstros de Frankenstein foram relegados para um plano secundário da medicina. A morfina só está disponível em algumas situações médicas onde se impõe o uso de um analgésico potente (como cancro, queimaduras extensas, grandes traumatismos e ronha crónica).
Os seus efeitos são variados, tais como: a contracção muscular, a vasodilatação com calores na pele, o prurido cutâneo, ansiedade, alucinações, pesadelos, vómitos, o aumento do tonos dos esfíncteres (mais uma bela palavra-chave para trazer visitas a este blog) do tracto gastrointestinal, "pedra na vesícula” e retenção urinária.


Beck - Alcohol
O álcool etílico ou etanol é um líquido volátil sem cor e com odor e sabor característico, produzido pela fermentação de frutas, cereais ou hortaliças. O álcool é a droga mais consumida, pode provocar vários tipos de problemas no estômago, fígado, pâncreas, rins, coração, cérebro e provocar várias doenças mentais - sobretudo na cabeça - tais como irritabilidade constante, e depressão.
Com o uso prolongado a pessoa pode desenvolver dependência química de natureza compulsiva e excelentes capacidades de condução nocturna de viaturas em contra-mão sem necessidade de uso dos faróis. A pessoa sob o efeito do álcool modifica seu comportamento, diminui os reflexos, tem dificuldade em andar, falar, e pensar. No entanto, consegue encontrar beleza em camafeus e dançar como se não houvesse amanhã.
Diz que uma pequena quantidade de álcool não prejudica, e até pode diminuir o colesterol. Mas quem beber pequenas quantidades corre o risco de ir aumentando as doses e se tornar alcoólico e perder tudo de bom que tem na vida. É uma questão de opções, lá está.


Rammstein - Benzin
A benzina é um derivado do “petroil” e é uma droga inalante. Estes tipo de droga funciona como depressordo sistema nervoso central e geralmente apresentam-se na forma líquida, e liberta vapores. Os seus efeitos são euforia, excitação, relaxamento, lapsos de memória, alucinações, tonturas, náuseas, vómitos, e o bem-estar.
Os riscos do seu consumo passam por convulsões, ataques cardíacos e o contacto com o líquido pode causar queimaduras na pele e no interior dos órgãos. No entanto, é das melhores drogas para se usar na limpeza manchas de tinta e tirar o verniz das unhas.


Jackson Browne & Warren Zevon - Cocaine
Caso sejam chonés, e já não se lembram do que leram há uns segundos, voltem lá a cima. Ah! E já agora, deixem a droga...


New Order - Ecstasy
A batida seca da bateria, hipnótica, ruídos, uma nave extraterrestre, as luzes fortes, e cítricas, alternam vibrantes e fluorescentes, malabaristas mascarados, círculos de fogo, pequenos bastões de neon verde, uma tenda de circo, fumo colorido. Está visto... é uma rave.
O ecstasy é a droga das raves. Provoca a dilatação da pupila dos pastilhados, as luzes ganham um brilho especial e os olhos ficam mais sensíveis – daí os óculos de lentes amarelas, comprados na loja do chinês.
O efeito mais notável é a hipersensibilidade do tacto. Qualquer toque no corpo, sob o efeito do ecstasy, provoca várias multi-sensações em simultâneo e ao mesmo tempo. As pessoas, incluíndo homens e tudo, tocam-se e abraçam-se como se todo o corpo fosse uma grande zona erógena. As mulheres, principalmente, falam do aumento do desejo sexual – uma sensação tornou o ecstasy conhecido como a “droga do amor”. Enfim… tudo ficará bem se houver uma torneira de água da companhia por perto.


Hallucinogen - L.S.D.
O ácido lisérgico teve sua explosão de consumo durante os anos 60, altura em que foi considerado "ácido da felicidade" pelos jovens da época, ou seja, os nossos pais. Diziam que o álcool matava e por isso deveriam consumir o L.S.D.
Era utilizada com o intuito de "aumentar o estado de consciência das pessoas em geral e de algumas em particular". As sensações apresentadas por viciados em L.S.D. passam pela perda do limite do próprio corpo e o espaço envolvente, impressão de que os odores podem ser tocados e que os sons podem ser vistos, sindroma do palhaço de classe média (alegria e tristeza simultâneos) e sensação de que se pode voar, mesmo sem uma toalha de mesa às costas a fazer de capa. Devido aos efeitos retroactivos, esta droga faz com que as pessoas fiquem presas nos anos 60 para todo o sempre. Muitas vezes esta droga é referida em conversações do dia-a-dia, tais como “Fui ao hipermercado e tinham lá um ecrã gigante LSD, mesmo barato”.

9.9.06

Steve Irwin



56 Km. É este o comprimento da linha que um lápis inteiro consegue desenhar. Mas quanto medirá a linha que Deus traça com o seu lápis mágico e a que muitos chamam de vida? Ninguém sabe. É que por muito grande que seja o lápis, o bico pode partir-se em qualquer altura. Por isso digo sempre, a quem se chega a mim em busca de um conselho sábio ou de indicações para chegar à farmácia de serviço, o seguinte: “A vida é como uma lapiseira porta-minas, há que aproveitar cada bocadinho como se fosse o último, pois num instante se acabam as minas 0,5 e quando vamos ver o colega do lado só tem minas 0,3”. E as pessoas lá seguem o seu caminho, felizes e contentes... coitaditas.

Isto tudo para dizer o quê? Ah! Probabilidades! Pois... a vida é feita de probablidades. Já dizia o outro que para morrer num acidente aéreo, seria preciso voar todos os dias durante vinte e nove mil anos pois em termos de mortes, os aviões são sete vezes mais seguros do que as bicicletas e sessenta vezes mais do que andar de moto sem capacete. Não me parece que isto seja inteiramente verdade, até porque não me recordo de nenhuma vítima de acidente aéreo que tivesse uma idade assim tão avançada. Enfim... diz também que, a cada segundo caem oito raios em qualquer lugar da Terra, e as hipóteses de se morrer atingido por um raio são de uma em um milhão, isto quer dizer que um gajo... coiso... ora bem... três vezes nove vinte sete e aí vão dois... isto em euros dá... arredondando por cima... coisa pouca, uns dois vá. Ou seja, uma moeda das grandes. E a vida é isso, uma moeda grande que às vezes sai cara, outras coroa. E ninguém sabia isso melhor do que Steve Irwin (quero dizer, talvez as quinze pessoas que já morreram por terem sido esmagadas por máquinas de bebidas quando tentavam abaná-la de modo a obterem bebidas grátis, talvez também já tivessem essa consciência).

Steve Irwin nasceu na cidade de Melbourne, em 1962, mas quando tinha oito anos, os pais mudaram-se para Queensland que despertou o seu interesse pela vida selvagem. Apanhou o seu primeiro crocodilo à mão e sem qualquer tipo de talher, mas já antes disso caçava ratos para alimentar a sua pitão de estimação, que se chamava “Monty”. Colocou o seu talento ao serviço da comunidade, caçando crocodilos que ameaçavam casas e assim, trazendo-os para casa dos pais, prometendo aos mesmo que lhes daria banho, de comer, que os passearia todos os dias e que limparia as porcarias que eles fizessem no tapete da sala. A determinada altura, a confusão lá em casa era tanta que a mãe perguntou-lhe: “mas isto agora é um jardim zoológico, é?” Não era, mas passou a ser. Steve abriu o ‘Australia Zoo’, que se tornou rapidamente numa das principais atracções da Austrália.
Foi lá que apanhou a esposa Terri, - usando apenas as suas próprias mãos e, novamente, sem qualquer tipo de talher - e de quem teve dois filhos. Passaram a lua-de-mel a “caçar crocodilos” e o filme que daí resultou lançou-o para a fama mundial. Intitulava-se “Crocodile Dundee”, acho eu .

Em 2004, este “Noé dos nossos tempos” foi criticado por alimentar um crocodilo enquanto segurava o seu filho Robert, de apenas um mês. O caçador de crocodilos defendeu-se afirmando que “os crocodilos são a minha profissão, e que seria bem pior se tivesse a alimentar o meu filho enquanto segurava num crocodilo”. Foi também acusado de perturbar baleias, focas e pinguins numas filmagens de um documentário na Antárctida, onde pelos visto, têm gente de sono leve e de feitio implicativo.

Steve afirmava nunca ter sido mordido por uma cobra ou de ter sofrido nenhum ferimento grave nos seus arrufos com os crocodilos. Também nunca foi atingido por um raio, até porque como referi anteriormente as probabilidades disso acontecer são bastante remotas.
Uma outra coisa que é um bocado perigosa é o “ser-se atingido por uma raia”. Ninguém fala disso e eu acho mal, o que é que querem? Acho e pronto! Diz quem sabe que os ataques das raias não são muito comuns. A raia é um animal pacífico e há apenas registo de três ataques mortais no último meio século. Pois bem, especialistas, risquem lá mais um traço de giz na lousa onde estão a fazer a contagem, porque na passada segunda-feira, durante a filmagem de um documentário, Steve foi atingido pela cauda de uma raia, e o espigão trespassou-lhe o músculo cardíaco, e coiso... morreu.

É uma porra! Com tanto australiano para picar, o raio da raia teve de escolher este! O Russel Crowe não servia, era? Resta-nos agora, prestar a devida homenagem a este herói da televisão do domingo de manhã, e chorar por ele grandes e sentidas lágrimas de crocodilo. See you later, Aligator…

27.8.06

Lost in Transladation

Como estamos em época alta, e malta estrangeira é o que para aí não falta, "lembrou-me" de criar uma rubrica que nos ajudasse a compreender "o falar" dessa gente, falar esse que também se usa muito na música de lá de fora. Para quem gosta de cantarolar e não percebe o que eles dizem nas suas líricas, esta é a solução.
Os moços que vos trago hoje fizeram muito furor lá terra deles, a América, país que apesar de não ser tão flagelado com o drama dos incêndios florestais como a gente por cá, mereceu na mesma este aviso sob a forma de canção acerca de juventude embriagada, que só está bem a fazer mal. Se não é a profanar cemitérios, é a puxar o fogo ao pinhal. Que malandragem pá! Vão "mazé" cortar esses cabelo e trabalhar. É o que é...



Os Portas - "Ateia-me a Labareda" / The Doors - "Light My Fire"


Tu sabes que seria inverdadeiro
You know that it would be untrue
Tu sabes que eu seria um falso
You know that i would be a liar
Se eu te fosse a dizer a ti
If i was to say to you
Miúda, não chegaríamos muito mais fininho
Girl, we couldn't get much higher

Cidadã bebé de nacionalidade estrangeira, acende-me o lume
Come on baby, light my fire
Cidadã bebé de nacionalidade estrangeira, acende-me o lume
Come on baby, light my fire
Experimenta sentar-te ao lume de noite
Try to set the night on fire

Tempo de hesitar findou
Time to hesitate is through
Nenhuma equipe para engolir a mira
No time to wallow in the mire
Agora experimenta apenas perder
Try now we can only lose
E a hora do amor torna-se num pires funerário
And our love become a funeral pyre

Cidadã bebé de nacionalidade estrangeira, puxa-me o fogo
Come on baby, light my fire
Cidadã bebé de nacionalidade estrangeira, puxa-me o fogo
Come on baby, light my fire
Experimenta sentar-te ao lume de noite
Try to set the night on fire

Ah! Uh! Cidadã estrangeira
Aouh, come on!
Cidadã estrangeira, Boazona!
Come on, babe!

Oh Sim! Cidadã estrangeira
Yeah! come on!
Cidadã estrangeira
Come on!

Ua ah uh! Oh sim!
Woaouh! yeah!

Foi a noite mais demorada da minha vida
It was the greatest night of my life.
Apesar de ainda não ter encontrado moçoila casadoira para desposar
Although i still had not found a wife
Tinha lá os meus amigos
I had my friends
Junto à minha beira
Right there beside me.
Éramos amicíssimos
We were close together.
Empoleirámo-nos no muro do cemitério
We tripped the wall, we scaled the graveyard
Navios antigos rodeavam-nos
Ancient shapes were all around us.
Tava muito nevoeiro e humidade
The wet dew felt fresh beside the fog.
Dois fizeram o amor com um velho borbulhento
Two made love in an ancient spot
Um era caçador e acordava cedo
One chased a rabbit into the dark
Uma miúda não aguentava a "buída" e jogou ao "mata"
A girl got drunk and balled the dead
E eu dei cabeças de salmão desovado
And i gave empty sermons to my head.
Cemitério, frio e quedo
Cemetary, cool and quiet
Detesto as folhas e a tua sagrada batata frita
Hate to leave your sacred lay
Bacano bebo leite pela manhã
Dread the milky coming of the day.

Rir em estrangeiro
Ah, ah, ah, ah!
Rir em estrangeiro
Ah, ah, ah, ah!
Rir em estrangeiro
Ah, ah, ah, ah!
Rir em estrangeiro
Ah, ah, ah, ah!
Rir em estrangeiro
Ah, ah, ah, ah!
Rir em estrangeiro
Ah, ah, ah, ah!
Rir em estrangeiro
Ah, ah, ah, ah!
Rir em estrangeiro
Aah, aah, aah, aah, aah
Rir em estrangeiro
Aah, aah, aah, aaah !

Tempo de hesitar findou
Time to hesitate is through
Nenhuma equipe para engolir a mira
No time to wallow in the mire
Agora experimenta apenas perder
Try now we can only lose
E a hora do amor torna-se num pires funerário
And our love become a funeral pyre

Cidadã bebé de nacionalidade estrangeira, puxa-me o fogo
Come on baby, light my fire
Cidadã bebé de nacionalidade estrangeira, puxa-me o fogo
Come on baby, light my fire
Experimenta sentar-te ao lume de noite
Try to set the night on fire

Tu sabes que seria inverdadeiro
You know that it would be untrue
Tu sabes que eu seria um falso
You know that i would be a liar
Se eu te fosse a dizer a ti
If i was to say to you
Miúda, não chegaríamos muito mais fininho
Girl, we couldn't get much higher

Cidadã bebé de nacionalidade estrangeira, puxa-me o fogo
Come on baby, light my fire
Cidadã bebé de nacionalidade estrangeira, puxa-me o fogo
Come on baby, light my fire
Experimenta sentar-te ao lume de noite
Try to set the night on fire
Experimenta sentar-te ao lume de noite
Try to set the night on fire
Experimenta sentar-te ao lume de noite
Try to set the night on fire
Experimenta sentar-te ao lume de noite!
Try to set the night on fire!

Tudo fino! Tá tudo fino!
All right, all right!
Tudo fino!
All right!

11.8.06

Rádio Gémeo Malvado: Canções com nome de bandas



Ora bem, em termos de introdução, apraz-me dizer que, sim senhoras, estamos assim-assim e que, vá lá, poderíamos estar melhorzinhos assim ao nível das articulações, conjuntivites e, na generalidade, das cartilagens. Esta vida na poda arreia-nos o canastro todo e ainda por cima já sabemos que não podemos contar com ninguém em termos de mediante apresentações junto das autoridades competentes. Mas, pronto, já se sabe que quando a porca torce o rabo, todos choram e ninguém tem razão. Por essas, e por outras, é que a playlist desta semana apresenta a temática que apresenta. Para aquela cambada de proxenetas engravatados saber o quanto elas custam. Biltres, pá, que bom nome é melhor que riqueza, hã? Adeusinho e continuação.

Nino Tempo & April StevensDeep Purple

Este electrizante duo estaria longe de imaginar que o título de uma das canções do seu vasto repertório de cerca de algumas, seria, alguns anos mais tarde, também o nome de uma banda. E não uma banda qualquer. Não. Uma banda que, em tempos, o Guiness chegou a eleger como a mais barulhenta do planeta. Questiono-me sobre que país ostentaria, na altura, o recorde de maior pão com chouriço do planeta. Sim, porque barulho qualquer um pode fazer. Um pão com chouriço gigante é outra conversa. É por essas e por outras que Viseu será sempre maior que os Deep Purple.


Alice in ChainsGod Smack

Uns jovens rapazes resolveram pegar numa música da sua banda favorita e formar uma, enfim, banda. Por isso, e porque tinham o space empanado, nasciam os Godsmack. Sim, space. Pessoas que dizem “barra de espaços” deviam acordar todos os dias com um corte de papel no dedo indicador. É particularmente complicado porque o dedo indicador passa o dia a tocar em coisas e depois dá assim uma sensação de ardência bastante frequente. É lixado, mas a opção por “barra de espaços” até merecia maior punição.


Dr. Feelgood
- Roxette

Dizer “barra de espaços” talvez mereça uma punição inferior a pensar que estes Eurythmics da Suécia eram casados um com o outro. Deviam ser atacados por coceiras e formicações cíclicas em zonas inatingíveis. Portanto, vamos lá a acalmar e a calar, porque os Roxette não eram marido e mulher. Lançaram foi um álbum em espanhol, facto que, por norma, é indicador inequívoco de qualidade. Se concebermos os Roxette como um queijo, o tal álbum em espanhol será então o seu bolor. Uma das canções era “Una reina va detras de un rey”, melodia que, a julgar pelo título, parece promover o uso de strap-ons entre a realeza.


Talking Heads
Radio Head

Os Radiohead, ainda sem nome, ouviam na sua garagem os Talking Heads a cantar a “Radio Head”. Vai daí, os Radiohead decidem pegar no título “Radio Head” e formar uma banda, os Radiohead. Não consta que os Radiohead tenham alguma vez cantado a “Radio Head”, o que é chato, até porque, afinal de contas, foram os Talking Heads, com a sua “Radio Head”, que inspiraram os Radiohead. David Byrne, o Rui Reininho britânico, ainda hoje quer saber porque raio os gajos dos Radiohead não prestam homenagem à “Radio Head”. E, cuidado com ele, hã? Se ele até já cobriu a “I wanna dance with somebody” da Whitney Houston, não lhe deve custar muito bater nuns tísicos de Oxford.


Jesus and Mary ChainSugar Ray

Incrível como uma canção, a “Sugar Ray”, pode ser tão melhor que uma banda, os “Sugar Ray”. Era como se os Jesus and Mary Chain se chamassem “Sou como um rio”. Aliás, isso era ao contrário. Porque era uma banda muito melhor que a canção que lhes deu nome. Bem, mas… enfim… é… por vezes… portanto, estava-se a falar de quê exactamente?


Leonard CohenSisters of Mercy

Leonard Cohen, “o tio da França” do Figo – sendo que França é, como se sabe, o representante de qualquer país para onde s’emigre – cantou baixinho este Sisters of Mercy. Parece que as irmãs da misericórdia têm um bordel em Montreal e o tio do Figo dedicou-lhes esta canção. À espera de umas borlas, claramente. Esteve ainda noivo da Rebecca de Mornay, a actriz que disputa o título de mais tempo d’antena na TVI com a Sofia Alves e a Xana Lencastre. Quanto à banda, os Sisters of Mercy, era giro que visitassem o tal bordel. Era espirituoso. Era os sisters of mercy nas sisters of mercy. Literalmente.


Bernard CribbinsRight said Fred

Bernard Cribbins era um pau para toda a obra e chegou a entrar no Espaço 1999. Antes disso, cantou umas coisas. Uma delas, quase trinta anos depois, levou dois carecas, constantemente em tronco nu, a dizer que eram demasiado lúbricos para o seu amor, para a t-shirt, para Milão, Nova Iorque e Tóquio, para a festa não sei de quem, para o seu carro, chapéu e gato. Sim, sei isto de cor. Seja como for, é este o legado de Cribbins e dos “Right said Fred”, a primeira banda depois dos Beatles a conseguir, com o seu single de estreia, um número #1 em território norte-americano. E o Líbano é que é bombardeado. Enfim, critérios.


T-RexMister Mister

Antes de ingressar no mundo do cinema e fazer de dinossauro mau do Parque Jurássico, “T-Rex” foi um grupo musical. Já os “Mr. Mister” tinham, claramente, outra genica. A começar por um teledisco onde o vocalista usava um blazer com as mangas arregaçadas e acaba, cheio de sede, a olhar para uma águia ou um pássaro grande qualquer. O título dessa cantoria, “Broken Wings”, deve ser uma metáfora e assim essas coisas das interpretações e segundos sentidos. O teledisco até era a preto e branco e normalmente as coisas a preto e branco têm muitas metáforas e coisas para pensar.


Prince Buster
Madness

Simultaneamente com uma carreira musical, o jamaicano Prince Buster formou, junto com os Ghostbusters, uma força especial que visava livrar os 80’s de duas das suas maiores assombrações: os fantasmas e, claro, o Prince. Em termos musicais, a sua canção “Madness” terá ajudado a formar um grupo de sete marmanjos que se tornou famoso a cantarolar que a casa deles ficava mesmo no meio da rua. Grande avaria, sim senhoras. Digna de se cantar sobre isso.


The Music MachineTalk Talk

Uma coisa assim meio para o psicadélico, estes The Music Machine. Tinham algum talento, mas estão condenados a que, décadas depois do seu fim, ainda os confundam com os Miami Sound Machine e, por arrasto, com a Gloria Estefan. O seu maior sucesso, este “Talk Talk”, inspirou uma banda aparentemente obcecada com a palavra “life”. Ainda há pouco tempo, os “Sem Dúvida” cobriram uma dessas músicas dos “Fala Fala”.


The Electric PrunesBangles

Mais uma banda dos 60’s com bastante de psicadélico. Não sei muito bem quem são estes ameixas eléctricas, mas a Susanna Hoffs era a Bangle gira. Quanto às Bangles, consta que eram umas malucas à segunda-feira e que andavam como faraós a atear pinhais com labaredas eternas. Depois da Susanna, a Bangle mais…como dizer isto sem ofender e ser bravio…“tragável”, vá, era capaz de ser a ruiva. Acho eu. Certezas, certezas, só mesmo que a Susanna era gira e que havia uma loura demasiado grande para não ter, em algum momento da sua vida, mijado em pé e sacudido. A mulher quer-se é pequena, como a sardinha. E não grande, como o Obikwelu.

10.8.06

Surströmming

Surströmming (arenque azedo) é uma especialidade sueca que consiste em arenque Báltico fermentado. É vendido em latas, que quando abertas, largam um cheiro intenso e repugnante. Por causa do seu cheiro particular, semelhante ao de peixe podre ou carne putrefacta abandonada ao sol por alguns dias, que surströmming deve a sua impopularidade na cultura popular, e diz quem já experimentou, que nunca mais esquecerá essa experiência. Por causa do cheiro, esta refeição muitas vezes é consumida ao ar livre. Chega-se ao cúmulo de se abrir a lata por debaixo de água, não só por causa do cheiro, mas também porque a pessoa pode ficar embebida na salmoura, devido a pressão que a lata acumula por causa da fermentação.
Uma explicação para o uso deste método para preservar peixe, é que, antigamente o sal era muita caro na Escandinávia. No processo de fermentação usa-se apenas o mínimo para não deixar apodrecer o peixe.
A fermentação é tão explosiva, que a lata se disforma passado algum tempo e é proibida levar nos aviões de companhias como a Air France and British Airways. Uma potencial arma terrorista! As empresas de Surströmming retorquem que é tudo uma grande treta, que nunca na vida uma lata dessas pode explodir. E se alguem se lembrar de abrir uma lata em alto vôo? Deve ser pouco agradável, não...senhores fabricantes?
Depois de saber da existência deste prato excêntrico fiquei com uma enorme vontade de experimentar. Por isso, peguei no teclado e escrevi uma carta electrónica para a embaixada de Suécia em Lisboa:

"Exmo. Sr /Exma. Sra,

Venho por este meio colocar vos uma pergunta que podeser de certa maneira estranha. Recentemente li um artigo sobre um dos vossos pratos nacionais: o mítico surströmming. Gostava de saber se há algum sítio em Portugal onde poderei adquirir ou provar esta iguaria. Li que é proibido levar no avião, dai que mandar vir pelo correio também não deve ser opção.
Sem outro assunto de momento,
Atentamente,

Mat"

2.8.06

Escravo do capitalismo

Como milhares de habitantes neste país e neste mundo, procuro um futuro melhor. Essa procura passa em primeiro lugar, pela procura de um emprego melhor (leia-se mais bem pago). Claro que a minha ocupação principal, é ser colaborador aqui do GM, mas esse infelizmente não paga. Ou seja, sou como a malta da Opus Dei e da Maçonaria, que também não é paga.
Mas voltando à procura de emprego, sou também da opinião que se devia dar o direito a uma pessoa de poder mudar de profissão de vez em quando. É chato fazer sempre a mesma coisa. É uma prisão mental. Vejam o meu exemplo: durante anos saltitei de emprego para emprego e sempre a ganhar ordenados de miséria. Gostava experimentar por uma vez só um emprego fixo, muito bem pago, durante um largo período de tempo. Substituto de Hugh Hefner, por exemplo.
Esta semana lá fui eu mais uma vez à uma entrevista. E para dizer a verdade, as entrevistas nunca me meteram medo. Pelo contrário, até aprecio uma boa entrevista. Sempre tive o bicho do teatro e as entrevistas são sempre bons momentos para mostrar o Marlon Brando que há dentro de mim. Faço sempre de conta que estou super-interessado e minto sempre como um coxo quando digo à descarada: “o ordenado não é o mais importante para mim”.
Infelizmente o esforço do meu "method acting" nunca foi muito bem recompensado. Devo ser um mau actor.
A senhora dos recursos humanos tinha me dito que para entrevista, chegava uma camisa por cima das calças. No entanto, ao chegar à sala reparei que todos os homens estavam de fato e gravata! Dei logo sinal da minha exclusividade.
Depois da apresentação, tivemos direito a dois testes psicológicos. No primeiro meteram um chocolate na mesa e tivemos que dizer porque é que deveríamos ficar com ele e os outros candidatos não. Ôbviamente que não fiquei com o chocolate.
O segundo consistia numa pequena parábola, sobre um abrigo subterrâneo numa zona que vai ser bombardeada, onde devíamos colocar apenas 6 pessoas de um total 12. Nada fácil, porque na lista só havia canalha do pior: um advogado, um padre de 75 anos, uma prostituta, uma criança demente, um declamador fanático, um físico com uma arma, uma estudante casta, etc.
Após este exercicio, ainda tivemos de dizer as razões pelas quais escolhemos aquela empresa. Dizer a verdade, que tinha sido apenas para auferir um melhor salário, não valia obviamente a pena. De qualquer modo, vou ficar à espera de uma boa notícia.

27.7.06

Separados à Nascença



Albino Ribeiro Cardoso – Tem 54 anos e é licenciado em Filologia Germânica pela Faculdade de Letras da Universidade Clássica de Lisboa. Queria ter entrado para Filosofia Germânica, mas enganou-se a preencher o impresso.
É titular da carteira de jornalista profissional n.º 258, e foi sócio-fundador do jornal "O Jornal", redactor-fundador do diário "O Diário" e redactor do matutino lisboeta "Europeu". Inspirando-se no livro "As Aventuras de Tintim, O Lótus Azul", embarcou direito a Macau onde trabalhou como "free-lancer" e correspondente do "Jornal do Notícias" e da RDP para a Ásia.
Regressado a Portugal, foi redactor (gajo que inventa tretas) do semanário "Tal & Qual". Actualmente é director do Gabinete de Projectos Especiais da TV Guia Editora, onde dirige as revistas "Rua Sésamo" e "TV Guia Internacional".
Foi membro do Conselho de Imprensa, Presidente do Conselho Técnico e de Deontologia, vice-presidente da Direcção do Sindicato dos Jornalistas, vice-presidente da Organização Internacional de Jornalistas. Em Macau foi sócio-fundador do Clube de Jornalistas Luso-Chinês, do qual veio a ser vice-presidente da Direcção e Presidente da Assembleia Geral. Imaginem a reforma que ele irá receber...
Como produtor independente de televisão assinou, para a RTP, duas séries de filmes-reportagens sobre crianças fugidas de casa, porque os pais não lhes compravam a revista "Rua Sésamo". Foi co-autor, com Rogério Beltrão Coelho, do filme "Exílio Dourado em Macau", realizado por Manuel Tomás e que aborda o quotidiano dos portugueses em Macau.
Podemo-lo ver às quartas-feiras na :2, a ralhar, interromper, mandar bocas e, por vezes, a debater com os convidados d' "O Clube de Jornalistas".


Dennis Farina
– Nasceu em Chicago a 29 de Fevereiro de 1944, uma vez que a sua mãe aguentou adiar o trabalho de parto para este dia, de forma a poupar em futuras prendas de aniversário. Alistou-se na polícia antes de se ter tornado actor, garantindo assim um lugar do elenco de "Law &Order". Juntamente com Dennis Salt, Dennis Sugar, Dennis Eggs, Dennis Water e Dennis the Pepper, formou uma banda chamada "Cake", e têm uma cover bem porreira do "I Will Survive".
A sua carreira resume-se , basicamente, a fazer de "mau" ou de "polícia". Foi também, a nemésis de John Travolta em "Get Shorty" e fartou-se de beber shots num avião num filme, que foi feito com intuito de engatar a Madonna, o "Snatch". Ficamos por aqui, porque não me apetece escrever mais. Adeusinho!

18.7.06

Viva o óleo vegetal!

Sempre fui de certa maneira um idealista. Sempre tentei lutar para um mundo melhor. Reutilizo os saquinhos de plástico do hipermercado, separo o meu lixo, tomo duche de água fria, vou de bicicleta para o trabalho, tento não comprar produto “made in China”, sou activista contra as touradas, visito todos os anos o Avante, etc. etc.
Tendo isso tudo em conto acerca da minha pessoa, podem calcular que me deu uma certa alegria quando li a seguinte notícia sobre holandeses que andam com óleo vegetal comprado no Lidl, em vez de gasóleo.
Diz o senhor Gerard Búhr: “Um litro de gasóleo custa-me 1,05€ e um de óleo de girassol 0,57€! É uma roubalheira o que o governo Holandês nós está a fazer. Semanalmente vou agora ao Lidl e encho o meu depósito de 40 litros do meu Ford Fiesta 1.8 diesel Courier com ¾ de óleo de girassol e ¼ de gasóleo, para o motor arrancar melhor e também porque com temperaturas baixas, o óleo pode se tornar mais duro. Óleo de soja funciona também bem, azeite é que não, este pode mesmo polimerizar. Também só um louco meteria azeite no depósito, já que é ainda mais caro que o próprio gasóleo.”
“Eu fui mesmo à procura do óleo mais barato do mercado. Foi assim que cheguei ao Lidl, que é ainda por cima aquele que mais Joules tem, ou seja o que tem mais energia. Não que dê para notar a diferença, mas dá para medir.”
"Vocês acham mesmo que o inventor do motor a gasóleo, o sr. Diesel, tinha mesmo gasóleo para meter nos seus primeiros motores (usava se óleo de amendoins nos primeiros motores - nota do tradutor)?” -pergunta o Búhr.
“E é quase nada nocivo para a natureza, só um bocadinho de CO2, mas de resto nada.”

Toca a plantar girassóis, camaradas!

P.S.- Por uma vez temos sorte em viver neste canto, porque só com temperaturas mais baixas é que óleo vegetal se torna mais grosso. Logo uma adaptação aqui não é tão necessario como por exemplo na Alemanha.

fontes:

Rádio Gémeo Malvado: Dias da Semana



Aviso: o seguinte texto deverá ser lido com um tom de voz anasalado e com uma jovialidade inexplicável. Se for lido com sotaque brasileiro nordestino, melhor ainda.

Ora viva, seja bem-vindo a mais uma edição da Rádio Malvada. Hoje temos connosco vários convidados especiais e muitos passatempos. Fique sintonizado pois voltaremos a seguir aos compromissos comerciais, com a nova playlist desta semana.

(Jingle)

PJB Costa - Construção Civil, Lda.
Paulo Jorge Bento Costa Construção Civil, Lda. tem como actividades principais construção, remodelação, recuperação de edifícios, moradias e obras públicas bem como a compra e venda de imóveis e revenda dos mesmos.

Confecções Muñequita
Confecções Muñequita - A Arte e o Bom Gosto ao Serviço da Criança, confeccionamos todo o tipo de vestuário para bebé e criança dos 0 aos 16 anos.

A Joaninha - Serviços de Limpeza 24 Horas
A Joaninha é um especialista da higienização e limpeza, reconhecido no mercado pela sua competência e eficiência junto dos seus Clientes Limpezas Pontuais e Periódicas,Trabalhamos em toda a Grande Lisboa – Serviço 24 horas - Tel. 969853778

(Jingle)

Estamos de volta e não perca já a seguir a playlist desta semana, cujo o tema é "Dias da Semana" e que começa com uma "que houver" da banda mais popular do mundo. Adivinhe lá esta: "Têm lã como as ovelhas, mas berram como carneiros. Um é casado e três são solteiros."
É isso mesmo! Os "Bitles" com o tema "Eight Days a Week" aqui interpretado pelos "The Mirza Men".

Logo a seguir a esta redundância redundante seguem-se os "New Order" com o tema "Blue Monday", a banda que ainda se chamaria hoje "Joy Divison" se não vendessem cordas em Manchester. Ai o que eu gosto de blues!

A representar as terças-feiras, temos os "Estones", é isso mesmo! A banda de Mick Jagger que deu um o concerto da minha vida e aqueceu o coração da sua velha legião de fãs em Coimbra, em 2003. É isso mesmo! "Ruby Tuesday" só aqui na Rádio Malvada.

E se achar o tema de quarta-feira familiar, posso já dizer-lhe que se trata de Emiliana Torrini com "Wednesday's Child". Este nome não lhe diz nada? A mim também não, mas a música soa mesmo à versão que o Beck fez de "Everybody got to learn sometimes", mas com a voz de Nene Cherry. Confuso? Passemos então à próxima.

Quinta-feira, conhecido também como o dia do estudante, traz-nos o Camaleão, não o do karma, mas o que se baptizou com o nome da faca que quase lhe vazava uma vista e lhe deixou um olho com outra cor. David Bowie com o tema "Thurdays Child".

E quem não fica apaixonado à sexta-feira!? Pelo fim-de-semana é claro! Robert Smith e os seus Cure a cantar "Friday I´m in Love".

Sábado à noite temos não a Wighfield, mas sim Langley School Music Project interpretando um tema original dos Bay City Rollers. Já não ouvia garotada cantar com tanto entusiasmo desde a "Ana Faria & os Queijinhos Frescos". É isso aí!

E para finalizar acabamos com a última música! É do mais previsível que há: "Sunday, Bloody Sunday" dos "Tu também", música se inspirada no "Sundae" de morango.

5.7.06

Preços mais baixos...

Ontem encontrei na minha caixa de correio (não electrónica, mas sim verdadeira) um folheto do Pingo Doce. Um folheto diferente dos das habituais das cadeias de supermercados, porque não trazia publicidade a promoções ou produtos. Apenas fazia alusão ao artigo na Proteste onde o Pingo Doce é, juntamente com o Mini Preço, a cadeia mais barata.
Há alguns anos atrás não era. Sim, no panfleto, trazia um gráfico no qual podíamos ver a descida dos preços do Pingo e a subida dos preços no resto de Portugal. Porque é verdade, a vida em Portugal não se tornou mais barato nos últimos anos. Os impostos, os combustíveis, os serviços, os cigarros…tudo têm preços mais elevados, menos o pingo Doce. Como é que eles conseguiram isso, pergunta eu? Apenas vendem agora produtos do terceiro mundo em prol dos nacionais (que vão assim a falência) e fabricados por presos políticos? É a custo do salário da simpática rapariga da caixa? É a custa do ti Manel que tem de lavrar a sua plantação de couves, sete dias por semana para ser sustentável? Ou é a custa da fortuna do Jerónimo Martins que já não cresce tão depressa porque há menos lucro?
Vou deixar estas perguntas no ar….

2.7.06

A Mais Dura VII



GRACE JONES

Grace Mendoza nasceu no ano da graça de 1952, na localidade de Kingston, na Jamaica. Diz que tem um irmão gémeo chamado Bishop Noel Jones, não sei. O seu pai era um pregador, uma espécie de carpinteiro especializado em pregar, que um dia decidiu que levaria a sua família para Syracuse em Nova Iorque e que não se falava mais nisso. Lá, Grace estudou teatro universitário e usou o seu metro e oitenta de altura e o seu aspecto exótico para se tornar modelo numa agência de -por mais estranho que possa parecer- modelos.

Nessa altura, nos idos finais dos anos setenta, andou pela Europa a trabalhar como modelo e quando regressava a casa era sempre vista a dar um pé de dança nos clubes nocturnos, vulgas bôites. O seu estilo de vida vadio chamou a atenção da Island Records que a levou a assinar um contrato musical que originou muitos êxitos, como o tema "I Need Man", causador dum furor imediato na comunidade homossexual e que lhe valeu o título de "Queen of the Gay Discos".

As suas performances eram de cariz arrojado, nas quais envergava vestes ousadas e fazia-se acompanhar por strippers masculinos e leões daqueles mesmo a sério, e ocasionalmente, de leopardos. Obviamente que a cocaína que consumia então era em parte responsável por todo este circo, assim como pela detenção de Grace na Jamaica por posse de drogas. Um outro facto que contribuíu para o mediatismo de Grace foi o ataque desta ao jornalista britânico Russel Harty, que no seu programa de televisão virou as costas a Grace Jones para falar com os outro convidados (que pena ela ainda não ter sido convidada para os pastéis de nata, só para aviar no gordo da boina).

Para além da sua carreira musical, Grace direccionou o seu talento para o cinema, o que a levou a participar no filme de 1984, "Conan the Destroyer", onde interpretou o papel de "Zula" ao lado do nosso amigo Arnolas. No ano seguinte, o mesmo em que figura no "Playboy Video Magazine vol.8", participa em "A View to Kill", mais um título da série Bond, no qual fez de Bond Girl/ vilã e contracenou com o seu futuro marido e antigo guarda-costas Dolph Lundgren (também conhecido como o "Russo do Rocky V ou IV"). Em "Vamp" (1986), faz de "chefa" de vampiros que frequentam um bar de motoqueiros e que atacam pobres estudantes universitárias indefesas (sim, tal como acontece nas queimas das fitas um pouco por toda a parte). Em 1987, contracena com os músicos-actores Joe Strummer e Courtney Love no western cómico "Straight to Hell" e com actores a sério como Jodie Foster, Ellen Barkin, Isabella Rosselini, Martin Sheen e o diabo em pessoa, Gabriel Byrne, no filme "Siesta" onde faz o papel de "Conchita".

Passam-se uns anos, grava uns discos e tal, e volta ao cinema pela mão de Eddie Murphy, em "Boomerang" (1993) onde faz dela mesma mas com outro nome. Entra num sci-fi manhoso intitulado "Cyber Bandits" em 1995, e ao lado de Hulk Hogan na comédia ridícula "McCinsey's Island" de 1998. Para acabar a década em grande, participa em "Palmer´s Pick Up" outra comédia ridícula na qual figuram personagens absurdas como uma drag queen, um ex-presidiário gay, uma maníaca das armas, e uma celebridade de tv, que juntos tentam libertar satã no virar do século.

Enfim... a década de noventa foi a desgraça para Grace, que revelara um futuro promissor enquanto durona nos anos 80, mas que não conseguiu manter-se à altura das expectativas. Foi também nos anos noventa que Grace, ao passar por Portugal engatou o Carlos Sampaio, que é aquela anta narcisística a quem alguns chamam "modelo". Caraças pá! Só por isto merecia a desqualificação...


Outras Duras:

A Mais Dura VI

A Mais Dura V

A Mais Dura IV

A Mais Dura III

A Mais Dura II

A Mais Dura I