22.5.07

A legendária lenda d´O Gémeo Malvado 2

Neste reino viviam dois irmãos gémeos, siameses claro, de nome Oaoj e Ordep. Nomes invulgares para nós, mas que na altura eram muito comuns nessa língua já extinta há muito tempo. Um dos irmãos era artista, fazia desenhos e o outro, esse fazia biscates para os famosos da época, quando não estava a jogar jogos (não de computador, porque claro isso ainda não existia). Viviam felizes, até que um dia o gémeo de nome Ordep disse:

- Oaoj, cheira-me mal aqui, pá! Já levamos o balde de lixo lá para fora hoje?
- Sim, leva..
- Aaarrghhh...és tu que cheiras mal, badalhoco!
- Eu?
- Sim, da boca!!! Vai levar os dentes!


Depois desta pequena zaragata, os dois irmãos voltaram a sua vida. Até que um dia...

- Ordrep, o que vem a ser isso?! Cheira-me aqui ao queijo putrefacto de mamute, pá!
(nota do autor: os queijos putrefactos de mamutes cheiravam mesmo mal devido ao seu tamanho).
- Não sei de nada, Oaoj!
- Bolas meu, é o teu pé que tresanda a xolé!!
Cada gémeo tinha um pé, o Ordep o da direita e o Oaoj o outro...ou era vice-versa?
- Vai lavar aquilo já e corta-me essas unhacas também já agora!

Assim feito, os irmãos ultrapassaram também esta pequena escaramuça, mas helas...a paz não durou para sempre, porque um dia...

(continua)

20.5.07

A Legendária Lenda d´O Gémeo Malvado

Muitas vezes há gente que vem ter comigo na rua e pergunta-me onde fomos buscar o nome “Gémeo Malvado”. Como em breve vamos passar a marca histórica de 70000 visitantes, vou oferecer como pequeno brinde aos estimados leitores, a mítica lenda d' “O Gémeo Malvado” que até agora, perdida nas gavetas da história, era só conhecido pelos elementos do Gémeo Malvado. Juntem-se todos aqui a volta da fogueira, porque eis que vou vós contar a legendária Lenda d'O Gémeo Malvado.



Era uma vez, em tempos longínquos; nos tempos em que ainda existia a torre de Babel, em que ainda havia festins carnais em Sodoma e Gomorra e em que o Benfica ainda dava alegrias aos seus adeptos; um pais onde só havia gémeos. Mais exactamente gémeos xifópagos ou siameses como se diz na linguagem do homem comum.
Era um reino, com dois reis e duas rainhas que viviam num esplendoroso palácio chamado de Twin Towers.
Toda gente era alegre, porque ninguém passava um dia, nem se quer uma hora, de solidão. Cada pessoa tinha sempre a companhia do seu irmão ou irmã gémea.

(continua)

17.5.07

O Verao Chegou!













Todos os anos lá está ele de volta. Há gente que sente isso pelo bom tempo que faz, mas eu não, meus amigos. Eu sei isso através de um outro factor, a saber: a mulher.
Vou ser mais explícito: trabalho num grande escritório, onde o ar condicionado está sempre a bombar a mesma temperatura o ano inteiro e onde 2/3 é da espécie feminina. O último dado é para mim de facto louvável, já que me dou melhor com elas do que com eles. Quase sempre, porque quando começam a falar de esteticistas, cabeleireiros ou casamentos é melhor fugir.
Anyway, onde é que ia... como a temperatura é sempre a mesma no escritório, nem notamos que as coisas mudam lá fora; só vemos os sinais através das nossas colegas. Um ombro a mostra, às vezes dois, calças mais curtas, saias, sandálias, chinelinhas e até já vi alguns umbigos. A título de curiosidade: com o meu olhar de connaisseur consigo dizer em que estação estamos. No fundo é por isso, que olho para mulheres, para saber qual é o tempo.
Agora a sério, tenho é inveja da mulher nisso tudo. Eu, homem masculino, tenho de andar a carregar um fato e uma gravata, dia sim, dia sim; gostava também de andar por aí com mais frivolidade. A mulher sofre muito na vida: é menstruações, menopausas, dar luz aos filhos, arrancar os pêlos das pernas, casar com grandes anormais… é verdade, ninguém desmente isso. Mas andar com uma mini-saiazinha e sentir a brisa do mar na pernoca e não só... deve justificar muito sofrimento.

P.S. - Tenho há algum tempo esta fantasia de querer usar um kilt... serei o único?

11.5.07

Pizza Al Capone


Ingredientes:
1 telefone
dinheiro trocado
1 pizza
1 metralhadora
cinto de balas Q.B.

Preparação:
Pegue no telefone, ligue o 118 e pergunte pelo número da Pizza Hut mais perto de si, se não recebeu um daqueles panfletos que nos metem na caixa do correio dia sim dia também. depois ligue o número e encomende uma pizza qualquer. Aconselho vivamente a recusar as 5 colas de oferta, uma vez que fazem mal ao estômago. Espere cerca de 30 minutos em casa pela entrega, e tenha à mão dinheiro trocado para pagar ao sujeito das entregas. Posto isto, após ouvir a campainha, abra a porta sem levantar suspeitas e efectue a transacção. Feche BEM a porta.
Em seguida, pegue na metralhadora e no cinto cheio de balas e carregue a primeira com o segundo. Remova a pizza do invólucro. empunhe a arma, atire a pizza, ou peça a alguém para o fazer e tente acertar-lhe com umas valentes rajadas de metralhadora.
E já está!

BOAS OBRAS!

10.5.07

Wanted



Cheira-me que vocês, os visitantes do Gémeo Malvado, são malta para visionar pouca televisão e que jornais nem vê-los. Por isso decidi falar-vos acerca de uma criança, a Madeleine McCann, que é inglesa e segundo consta foi raptada no Algarve.

Anda meio país à procura dela. Polícia e tudo. Anda mais gente à procura dela do que quando a filha do Nuno Lopes, a Alice, desapareceu. As pessoas menos preguiçosas, vasculham os campos e os bosques, enquanto as outras, passeiam de carro, de barco e até de helicóptero.

No entanto há malta que adoptou outra metodologia: procuram-na na praia. Vão para lá de manhã cedinho, ficam no areal a olhar, andam à beira mar, vão ver se ela está junto à rede de voleibol, a jogar com aquelas raparigas assim um bocadinho boazonas, vão ao bar da praia, dão uns mergulhos para ver se ela se afogou, e no final do dia regressam a casa. À noite quando vão procurá-la em bares e em discotecas e se fala no assunto, dizem logo: "Pá, tive o dia todo na praia e não a vi! Ve lá tu que ainda por cima apanhei um escaldão".

A mim parece-me que em vez de andarem todos à procura da miúda, deveriam antes andar à procura da mulher que está na fotografia a pegar nela e a tentar levá-la da mãe, que está mais preocupada em ver se a cera das velas escorre para o bolo, do que a tomar conta dela. A mulher é claramente suspeita.

Eu sei que muitos de vós acham que eu não deveria estar a falar assim de uma forma tão ligeira e irresponsável acerca de um assunto tão sério, delicado e até sensível. Mas garanto-vos que não deixo de sentir um profundo pesar pelo sucedido e espero que os pais a encontrem sã e salva.

Consigo até imaginar o que eles estarão a sentir neste preciso momento. É que quando eu era pequeno e ia passar férias ao Algarve com os meus pais, também me perdi deles. E olhem que ainda foi durante uns bons cinco minutos.

Foi num centro comercial que como inaugurava naquela noite, estava à pinha. O problema foi quando passámos junto à máquina de videojogos que havia lá num corredor, eu fiquei pasmado a olhar e os meus pais continuaram a andar e a olhar para as montras. Quando dei conta que estava sozinho, e fiz o que é aconselhável nestas ocasiões: chorei que nem um desalmado e chamei pela minha mãe que nem um perdido.

Logo apareceu um velho estrangeiro, que disse: "Camone, que eu levo-te para não sei onde, que a tua mãe está lá à tua espera, alright?". Assim fiz. Ainda hoje vivo com ele e chamo-lhe avô Camone, que é para distinguí-lo do outro avô que mora connosco, o avô Darling.

E posto isto, faço a seguinte pergunta: será que já procuraram a Madeleine junto à máquina de videojogos?

8.5.07

Anti-Estilo XVI



No outro dia, estava a caminhar com um companheiro (para o qual já agora, vou mandar um abraço), e passamos ao pé de um casal de góticos-metaleiros. Eu ainda sou do tempo em que as tribos urbanas estavam bem delineadas. Havia punks, góticos, rockabilies, metaleiros, hippies, skins, betos e gajos normais como eu. Hoje em dia um metaleiro pode ser um gótico e um hippie ter atitudes punk e um beto pode bem ser um skin undercover. Enfim, são modernices.

Mas voltando ao início, estávamos então a passar por este casal, quando o meu camarada disse o seguinte: “Hás-de reparar, pá, estes gordos todos, são metaleiros ou góticos por causa do engate. Se não andassem aí todos de preto, com tatoos e piercings ninguém os queria.”
“Ahahah! Vens me com cada uma!”
Eu ria-me, porque não era a primeira vez que este meu compadre vinha com uma teoria excêntrica. Só que, nos dias a seguir, reparei pelas ruas que ele realmente tinha razão: vi muitos por aí acompanhados de moças (e algumas bem jeitosas).

É de facto verídico que grande parte dessa malta pesada segue este caminho para poder sobreviver sentimentalmente e não só. Daqui até podemos ir mais longe e chegar a algumas conclusões:
  1. Se há uma cor que disfarça bem a formosura, é o preto.
  2. É por isso que não há hippies gordos
  3. Heavy metal. O nome diz tudo.

4.5.07

É Como Quem Segue em Frente, mas Corta à Direita



Há muito tempo que eu não falava disto que vos vou falar a seguir. Mas como agora é moda falar disto que vos falar, decidi falar-vos disso mesmo. Afinal de que é que vos vou falar de seguida? Pois bem, vou falar-vos de pesquisas em motores de busca que vêm aqui dar ao blog. Bem sei que não é grande tema para vos falar, mas desta decidi falar-vos deste assunto de uma forma diferente. Nos outros posts desta rubrica, eu costumava deixar uma lista de frases que tiveram como resultado este blog e ficava-me apenas por aí. Desta vez não. Desta vez falar-vos-ei não apenas das frases que tiveram como resultado este blog, mas também farei comentários, que no mínimo, serão espirituosos e poderão até mesmo chegar ao engraçadote ou até roçar o sublime. Ficando esta questão esclarecida passarei, já de seguida, a meter as mãos à obra. Aliás, meter não, pôr.


meninos nus
Esta singela frase meramente composta por dois vocábulos: meninos e nus, é já um clássico. Aparentemente, para alguns pedófilos não basta ir à praia no verão, onde o que mais abunda logo a seguir a arcas termo-não-sei-quê, são meninos nus. Pelos visto, preferem ser apanhados pela polícia da Internet a ver imagens de meninos nus, do que serem multados ou repreendidos por um cabo do mar. Enfim, são gostos.

gasóleo mais óleo
O Matias é o nosso luso-belga residente e também é ele o autor dos posts acerca de como se deve salvar mundo e ser politicamente correcto, ou correctamente político. Geralmente quando ele escreve acerca dessas coisas, vejo só a imagem e sigo em frente. Não é que estas questões não me interessem, apenas estou a tentar poupar alguma energia e a fazer a minha parte nisto de salvar o planeta do mau ambiente.

desenho de bonequinhos palito
Pá, sempre pensei que o supra-sumo disso de ser uma anta na arte do bem desenhar fosse fazer bonecos palito. Pelos vistos não. O supra-sumo disso de ser uma anta na arte do bem desenhar é desenhar tão mal que cria a necessidade de ir à internet procurar desenhos de bonecos palito. Bonecos não, bonequinhos.

fotos doenças de pele
Quem nunca procurou no google por imagens de doenças de pele, que se levante e atire a primeira pedra. Dá imenso jeito para postais de Natal, aniversário e afins. Uns quantos indivíduos de má índole poderão vir para aí dizer que é de mau gosto e que é um bocadinho mórbido, mas não liguem. Se isso acontecer, levantem-se e atirem a segunda pedra.

unha dedo mindinho cumprida
E
sta frase, chamemos-lhe assim, é enganadora. Numa primeira leitura mais desatenta da mesma, poderemos julgar que a pessoa sua autora procurava informação acerca desse hábito ancestral que deixar crescer a unha do dedo mindinho para limpar os ouvidos, cortar queijo e palitar os dentes. Mas não, são apenas palavras. E agora eu pergunto: palavras para quê?

ogemeomalvado
De facto, isto da blogosfera é uma confusão. Um gajo liga o computador e quando dá conta é só blogs para aqui, e blogues para acolá. São tantos que depois queremos nos lembrar do endereço daquele que até era assim meio jeitoso e não conseguimos. "Epá, como é que era? ogemeomalvado.blogsepote.pt? Ou seria ogemeomalvado.beloguesapo.come? "

quanto custa corte cabelo masculino londres rua

Adoro estas pesquisas, que apesar de não terem um ponto de interrogação, são formuladas sob a forma de pergunta. Será que há mesmo um funcionário do google lê a pergunta e envia uns links de volta? Se sim, deve ser um emprego lixado, porque obriga uma pessoa a conhecer a internet como a palma da mão.

em que ano nasceu o kizomba
Eu a esta sei responder. Quero dizer, mais ou menos. O que posso adiantar aos interessados é que o Kizomba nasceu em África, onde os registos de nascimento são feitos quando calha, e que por isso o mais provável é que o Kizomba tenha nascido uns 5 ou 6 anos antes da data que tem no B.I.

tipos de penteado masculino
A
pesar de haver quem discorde em relação a este assunto, posso afirmar que só existem três tipos de penteado masculino: risco ao meio, risco de lado e cabelo rapado como se faz na tropa. Tudo o resto são mariquices.

no filme hellboy qual era a profissão john hurt (professor bloom)
Outra pergunta fantástica para qual a resposta é muito simples. A profissão do John Hurt quer no filme Hellboy, quer em qualquer outro filme onde ele entre é a profissão 'actor'.

playlist casamentos
Esta vou encarar apenas como uma sugestão para uma próxima playlist da Rádio Gémeo Malvado. Já ouviram a dos Animais? Não? Então vá, que só mudo depois disso.

frases fixes
E aqui temos outro clássico das pesquisas que têm como destino o Gémeo Malvado. De facto, o que não nos falta aqui são frases fixes. Já as imagens são, no máximo dos máximos, porreiras e as palavras ficam-se pela classificação de "bacanas".

bonecos animados toiro
Sempre preferi dizer "desenhos animados" e "touro". Mas pronto, é só mais uma mania que eu cá tenho. Podia ser bem pior, porque podia andar por aí a escavacar coisas às pessoas.

tempero para carne de coelho
Diz quem já comeu, que desde que esteja bem temperado, um gato sabe ao mesmo que um coelho. Eu cá, não posso confirmar porque nunca comi coelho.

quero jogar soldado da fortuna
Os Soldados da Fortuna era uma série gira. Chamava-se assim porque o B.A. em todos os episódios soldava umas chapas à carrinha, e porque gastavam uma fortuna em veículos que se despistavam e capotavam por causa duma rampa que estava mesmo ali a jeito. Já o jogo, não conheço.

29.4.07

Banalidades IV

O meu jornaleiro é hindu, pelo menos é o que eu gosto de pensar. Tem ar de indiano, mas é claro que pode ser do Paquistão ou Bangladesh. Não sou especialista na matéria. Neste caso deve ser provavelmente apenas muçulamano ou apenas um reles de um cristão convertido.

Mas gosto de pensar que ele é hindu. Tem mais pinta, se eu fosse crente gostaria também de ser hindu. O hinduísmo com todos os seus deuses fantasmagóricos coloridos é bem mais interessante, que os outros cultos aqui já mencionados. Tem uma resma de deuses: Ganesha, Shiva, Lakshmi, Hanuman, Kali, Surya, Vishnu, Krishna, Saraswati; só para citar alguns nomes, e a cena das castas tambem é porreiro, sobretudo para quem é das mais altas.

Gostava de falar com ele acerca desta matéria, saber qual a sua divinidade preferida e porquê; mas se calhar ele é apenas muçulmano ou cristão, ou pior que isso, um ateu. Tal como eu.

26.4.07

As Anedotas do Zé Socas

Todos os dias, no intervalo para o almoço, venho ao blog olhar para as fotografias. Não leio nada, apenas olho para as imagens porque aqui no trabalho não temos janelas. Quero dizer, ter até temos, mas só dão para vermos pés e cães a passar. É o mal das caves. Isso e o cheiro a mofo. Já as inundações não me chateiam tanto. Aliás, é como tudo. Tem dias.

Hoje aconteceu uma coisa estranha: ao olhar pela enésima vez para a fotografia do Sócrates, ali no post mais abaixo e que aqui reutilizo, apercebi-me que o Sócrates está a fazer um fixe. Afinal de contas, acho que desde o 25 de Abril de 74, que já se deixou de usar aquilo de meter o polegar para cima ou para baixo para votar na Assembleia da República, ou lá o que era aquilo, com os leões e as pessoas à volta. Logo o primeiro ministro já não faz fixes para ninguém. Isto é, se não considerarmos as ocasiões em que ele o faz em frente ao espelho.

Se analisarmos bem a imagem, com olhos de analisar e tudo, vemos que o polegar está um bocado esquisito. Cá para mim só pode ser uma montagem fotográfica, feita para uma campanha eleitoral. É claro que essa montagem foi feita antes do choque tecnológico, daí que as aptidões de photoshop da malta da sede de campanha não serem grande coisa. No fundo, até consigo encontrar uma outra explicação para o polegar esquisito do Sócrates. Mas é um bocado mórbida. Que se lixe, direi na mesma.

Então cá vai! Partida... lagarta... fugida! Ah bolas! Foi quase! Agora é que é... 1... 2... 2 e meio... e trrrr... ...ês! Eleestáasegurarnumpolegarquearrancouaoutrapessoapossivelmenteum
traidorouatémesmoumqualqueradversáriopolítico!
Querem que a repita mais devagar? Ok, então vá. Dizia eu que ele está a segurar num polegar que arrancou a outra pessoa, possivelmente um traidor ou até mesmo um qualquer adversário político.

Ou então é daqueles dedos falsos que se compravam nas lojas do chinês. Não destas d'agora, mas daquelas que apareceram aí à uma porrada de anos atrás e que até tinham coisas bem porreiras como candeeiros de lava e aquelas latas de coca-cola que eram um rádio e que tinham uns óculos de sol e uns phones e dançavam. De qualquer forma, o efeito pretendido com esta história do dedo é o mesmo em qualquer uma das hipóteses: melindrar os oponentes e ganhar o respeito da população recenseada. Porquê? Não sei.

Seja como for, e como não tarda é noite, o melhor mesmo é concluir este texto para chamar a vossa atenção para o aspecto mais relevante desta imagem, que até foi o que me deu a ideia para escrever mas depois quase que me ia escapando. Então não é que o Sócrates parece o Cantiflas Português nesta fotografia!? Pá, olhem bem para a zona assim mais da cara e isso. É ou não é? Hã? Claro que sim!


14.4.07

Rádio Gémeo Malvado: Animais



Animais. Quem é que não gosta de animais? Eu gosto sim, de alguns, porque tenho fobia de cobras. Ophidiofobia é como se diz no léxico do entendido.
Já tive vários animais: cães, gatos, hamsters, peixes, tartarugas, cabras, porquinhos da India, um porco, um pato, um burro e um corvo. Todos, um por um, animais bestiais e que deixaram muitas saudades. Sobretudo o porco que era um animal muito inteligente e simpático, e do qual não consegui comer as costeletas saborosas depois de ter sido abatido pelo meu pai.
Sempre dei muito importancia a escolha dos nomes dos animais: Flash, Fidel e Boris (gatos) , Eva (cadela), Heidi (cabra), Zeppelin (corvo)...só para mencionar alguns.
Como pequena homenagem a estes seres que me deram tanta alegria e também aos milhares de animais que deixam a sua vida por estas estradas fora, dedico esta playlist.

Pink Floyd - Pigs on the Wind
Os porcos andam na bosta e sempre achei esta banda uma bosta. Só os meti porque há malta que gosta e porque eu sou bacana.

Beatles - I am the Walrus
Eu sou a morsa dos Besouros. É uma música que gosto bastante, e que faz pensar, porque no fundo somos todos morsas.

David Bowie - Cat people
Gente felina do Eu sei... é da fase manhosa do senhor cameleão. Mesmo assim é melhor que qualquer uma dos Floyd Cor de Rosa.

Depeche Mode - Fly on the Windscreen
“Mosca na pára-brisa” das Noticias da Moda. É chato ter moscas na pára-brisa, mas mais chato ainda, é tê-las dentro do carro ou da casa-de-banho.

Duran Duran - Hungry like a wolf
“Faminto como o lobo” dos Duran Duran. Às vezes tenho fome como um lobo e como uma grande pratada de feijoda. Pouco depois, faço ouvir esta melodia sem usar a boca.

Elton John - Crocodile Rock
“Pedra do crocodilo” do Eltão João. Tal como o crocodilo, o Elton é carnívoro e gosta de nacos de carne.

Elvis Presley - Hound Dog
“Cão cão” do Elvis. Sei lá, isso é tão idiota, que não me vem nada a mente.

Ladysmith Black Mambazo - The Lion Sleeps Tonight
“O leão dorme esta noite” Este música é sobre quando o Sporting vai jogar a Luz.

Pixies - Monkey Gone to Heaven
Macaco foi para o Céu” dos Pixies. Essa é difícil, mas penso que o cantor está a cantar sobre o seu malogrado sogro.

B52's - Rock Lobster
“Lagosta de pedra” Isso vem do calão da droga. O que significa não sei, pois não sou drogado.

Stone Roses - Elephant Stone
“Pedra Elefante” é a dose máxima que se pode fumar. Fica-se com orelhas grandes e uma tromba rija.

Rolling Stones - Wild horses
“Cavalos Selvagens” Pedras, cavalos...o calão do mundo da droga continua...

13.4.07

Sócrates afinal não é licenciado coisa nenhuma



José Sócrates admitiu não ter concluído a sua licenciatura em Engenharia Civil, na Universidade Independente, “com aproveitamento”.

Foi no final do dia de ontem numa conferência de imprensa de última hora com os principais órgãos de comunicação social, que o Primeiro-Ministro José Sócrates anunciou que o seu diploma em Engenharia Civil não é válido.

Após ter afirmado que em questões de engenharia “só sei que nada sei” e apesar de não ter apresentado qualquer tipo de explicações que justificassem a sua situação, José Sócrates fez questão de salientar que as suas habilitações académicas não interferem em nada com o desempenho do seu cargo, visto que teve “uma quarta classe das antigas e que, como toda gente sabe, vale muito mais do que esses cursos superiores que para aí andam”.

Deixou ainda um desafio a todos os portugueses que ainda possam ter dúvidas em relação às suas competências, para que lhe perguntarem o nome de um qualquer rio de Portugal continental ou ultramarino, o nome e cognome dum rei português, duma qualquer dinastia, ou até mesmo qualquer uma das tabuadas, incluindo a do sete e a do nove. Afirmou ainda que consegue fazer, sem contar pelos dedos, todas as contas de somar, subtrair, multiplicar ou dividir, desde que não tenham mais do que duas casas decimais ou que o resultado não sirva para cálculos de estruturas de pontes e viadutos.

António Guterres, antigo Primeiro-Ministro e licenciado em engenharia, considerou estas declarações do actual Primeiro-Ministro como “umas bocas indirectas completamente desnecessárias e foleiras” e sublinhou ainda que “apesar de eu não saber fazer contas, ao menos ainda sei fazer de conta”.

10.4.07

Por Caminhos Pecaminosos III

Eu não sou daquelas pessoas que se refere à internet com metáforas marítimas, como navegar ou surfar, ou como aquelas outras que só por receberem a conta da internet ao mesmo tempo que recebem a da Via Verde, acham que computadores ligados por fios e isso, são uma auto-estrada de informação, ou lá o que é. Desde que o Papa considerou a internet um pecado, que decidi referir-me à rede mundial de conspurcação, heresias e afins, assim com uma linguagem mais bíblica.
Ao caminhar pelo negrume do vale das sombras da internet encontrei um blog duma malta de pessoal assim meio porreira, um bocado como aqueles padres que tocam viola, jogam à bola ao sábado de manhã e que até dizem "bolas", ou "chiça" quando falham um remate. Uma vez ouvi um a dizer "porra, que isso aleija!" por lhe terem acertado com um potente remate na zona testicular. Dizem que quando o Bispo soube do sucedido, que o excomungou, ou o despediu - uma dessas duas, não sei ao certo.



"Quarto Leis Espirituais". Acho que este é um daqueles títulos assim meio ao calhas, mas que deve ser propositado. Ou então falta-lhe uma vírgula ou algo assim. Tem também um logotipo que um gajo até se vira e diz:"Sim senhoras!". É uma representação do monte Fuji, com o raiar dum novo dia. Sempre curti estas coisas do budismo e do karaté, por causa do "Karaté Kid"- que significa "Cachopo Karateca", em português.
Deve ser um blog recente, porque ainda não tem muitos posts. O primeiro post é do João, e foi escrito às 3:16 - possivelmente escrito após uma noite de borga, enquanto um pizza era aquecida no microondas e reza assim:
O AMOR DE DEUS
"Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho Unigénito, para que todo o que nele cré não pereça, mas tenha a vida eterna"
(João 3:16).
João fala-nos de um filho de Deus, de seu nome Unigénito, da imortalidade e de uma nova conjunção do verbo crer. Claramente João estava bêbado. Mais tarde, e depois de ter dormido umas horas, João fala-nos de um sonho acerca do Plano de Deus e questiona-se acerca da vida de abundância. É no que dá a ressaca.
Outro elemento deste blog, é o 'Romanos' - este nome deve ser uma alcunha, porque na minha rua havia um "Fenícios de Morais" e também era alcunha. E entre outras coisas, o Romanos apresenta-nos um esquema e diz-nos o seguinte:
"Deus é santo e o homem é pecador. Um grande abismo separa-os. Mas o homem sente que lhe falta algo, tem um vazio e está continuamente a procurar alcançar Deus e a vida abundante, através dos seus próprios esforços: vida recta, boa moral, filosofia, etc."
Eu já conhecia este tipo de quebra-cabeças com esquemas, mas numa versão em que um alentejano tinha de atravessar um rio com 3 metros de largura, tendo apenas duas tábuas de um metro. A solução para o problema era fazer um "T" na curva do rio. Também havia um outro com bispos, que não me lembro agora.
Mas este do homem pecador que tem um abismo entre si e Deus, parece-me mais lixado de resolver. Mas o João diz que sabe a solução:
ELE É O ÚNICO CAMINHO
Respondeu-lhe Jesus: "Eu sou o caminho e a verdade, e a vida: ninguém vem ao Pai senão por mim"


Pelos vistos para atravessar o fosso que o separa de Deus, o Homem tem que deixar de ser pecador, arranjar umas tábuas em cruz como aquelas do Jesus (não sei se há uma marca específica, mas em qualquer loja especializada ou casa de ferragens vos dirão), e depois é só esperar que Deus coise com uma seta na cabeça do Homem. É simples, e bastante semelhante à solução dos alentejanos.
Depois dizem mais umas coisas neste blog que eu não percebi muito bem - se calhar eu devia ter lido, porque diz que ler ajuda a perceber melhor as coisas. Mas eu cá sou daqueles que defende que se aprende mais a ler um homem do que a ler cem livros.
Após isto tudo, lá seguem logo de seguida para um esquema assim mais esquemático. O que no meu ver 'tá mais certo porque os livros com bonecos cansam menos a boca do que aqueles, que ao invés disso, são só letras.



Pelos vistos a vida controlada pelo "eu", que no meu caso sou eu, é assim como um queijo suíço perto dum cemitério, ou de uma campa, e é uma vida muito esburacada cheia de frustações e discórdias. A vantagem disto é que temos sempre lugar sentado. Por outro lado, uma vida controlada por Cristo, que neste caso não sou eu, um gajo senta-se no chão e tem harmonia materializada na forma de oito chupa-chups. É assim... se não se querem crer naquilo que vos digo, é visitarem vocês mesmo este blog, onde se forem optimistas (sendo que por 'optimista' se entende 'clicar num sim gigante') até podem deixar um comentário.

3.4.07

Flagrantes da Vida Real



Como alguns de vós já sabem, estou a estudar em Inglaterra. Nada de especial. Já o tinha feito aqui em Portugal, mas quis fazê-lo também no estrangeiro porque diz-se por aí que este tipo de experiências transfigura-nos, molda-nos o carácter. E passados apenas 6 meses já me sinto bem transfigurado, com um monte de coisas giras e interessantes para relatar.
Para já, tenho aulas completamente em inglês (nada como as aulas fajutas de inglês do liceu); um computador só para mim (dos grandes); e aprendi a teclar mais rápido (troco mais as teclas é certo, mas compenso usando o backspace com incrível destreza).
E sem ter de levantar o rabo da cadeira vou conhecendo o mundo, como fica exemplificado neste diálogo entre dois colegas da minha turma:
Colega Sul-Africano: É verdade que na Turquia perseguem-se prostitutas de automóvel para depois lhe baterem com tacos de baseball?
Colega Turco: Nós não jogamos baseball.
É assim a vida no estrangeiro, pronta a fascinar-nos.

23.3.07

Anti-Estilo XV


Depois de uma longa ausência, cá estamos de volta com um novo episódio da nossa rubrica anti-estilo. Desta vez, vamos falar-vos de uma campanha nova de um bem conhecida cerveja, a “Bohemia” de Sagres.
Qual não foi o meu espanto, quando vi no outro dia, que o novo rosto da campanha é, nem mais, nem menos, o Luís Represas. Fiquei espantado... alguém pode explicar-me como se vai buscar o Represas, depois do gentleman Pierce Brosnan ? É que eu não!
Existem one hit wonders, mas o Represas é o one song wonder: todas as suas músicas são iguais. Chateia também o corte do homem, à maneira de Richard Clayderman latino.
Aprecio bebericar uma Boehemia de vez em quando, que é diga-se de passagem bem melhor que a urina doce que a Super Bock lançou há uns tempos. Claro que depois de ver o Represas no cartaz fiquei com vontade de tocar jamais numa garrafa de Boehemia. Se esta moda pegar, brevemente vamos ter uma campanha de Sumol com seu sound-a-like “André Sardete” ou lá como se chama esse rufia. Deus que nos acuda!
Falta referir que o slogan é "Silêncio que se vai beber um bohemia". Era bom de mais, que cada vez que se abrisse uma bohemia o Represas se calasse.

18.3.07

Oh Pá!



É só para dizer que, relativamente a questões de actualidade, sou contra o Aeroporto da OPA.

17.3.07

Radio Ga Ga

Nunca oiço rádio, porque existem CDS e não preciso de ouvir as escolhas de outros. Ainda por cima, o que detesto mais é gente a falar no rádio. Notícias leio no jornal ou na net. Por mim, podiam bem acabar com o rádio.

Mas ontem liguei o rádio do carro, porque tinha lido algures que toda gente que paga a conta da luz, também paga uma taxa de rádio. Considero isso muito insólito, porque como não sou ouvinte de rádio, sou obrigado a pagar a sustentação dos rádios públicos (e televisão como li mais tarde).
Bem, mas tendo lido isso lembrei me então de ligar o aparelho radiofónico. Fui logo parar na Rádio Oxigénio. Estava a dar o “Close to me” dos Cure, uma das minhas músicas pop preferidas. Sempre achei que os Cure têm lugar garantido na Valhala da música pop, onde claro, estão também os Beatles, Stones, Velvet Underground e Bowie.

Qual então não foi o meu espanto, quando ouvi que afinal era um rap manhoso por cima da genial melodia? Ainda por cima um rap, do mais manhoso que há. Blasfémia! Já não há respeito e a minha vontade de continuar a ouvir rádio, era nula.
Mesmo assim, procurei outra estação e descobri...outra vez “Close to me”, mas agora versão jazz. Não sendo tão boa como a original, essa sim, era uma versão com dignidade.
Faltava ouvir ainda versão original e como tal, desliguei o rádio e pus o “Standing on the beach” a tocar.




2.3.07

Robinson Crusoe



Estava a navegar na internet, quando achei esta página acerca do famoso Robinson Crusoé (Crusoe). Quem quiser ler as peripécias deste náufrago inglês, e do seu companheiro Sexta-Feira (Friday), num facsimile da primeira edição, de 1719, já pode. Enquanto trabalha leia uns parágrafos, exercite o inglês, e converse com os seus amigos do ginásio, acerca desta obra.

26.2.07

Rádio Gémeo Malvado: Masturbação



A masturbação cega. Mas parece-me que é preciso ter uma pontaria do caraças para isso acontecer. E lembro-me sempre disto, da masturbação cegar, quando não dou nada aos cegos no metro. Acredite-se que é remédio santo para não se ficar com remorsos porque não se deu nada ao invisual. Basta pensar “pá, brincassem menos com a genitália” e fazer um olhar de reprovação. Eles não vêem, mas sentem os olhares na mesma. Diz a ciência popular que a masturbação também faz crescer pêlos nas palmas das mãos. O que não faz muito sentido. Não me parece que a fricção seja a melhor forma de fazer crescer pêlos, mas, enfim, factos são factos. Por falar nisso, aqui ficam doze odes ao amor-próprio.

All by MyselfEric Carmen
Isto principia logo com um género de masturbador bastante coiso: o choramingas. Eric Carmen, o próprio, começa esta sua cantiga com versos que não enganam. Diz ele que “quando era mai’ novo/nunca precisava de ninguém/copular era só um passatempo/mas esses dias já lá vão”. Diz ele, claro. Já lá vai a parte de ser só um passatempo, essa sim. Porque a parte de não precisar de ninguém lá se vai mantendo. Basicamente, o Eric choraminga por alguém que lhe faça o jeito. Mas não esconde de ninguém que, enquanto não aparece quem o ajude, se vai desenrascando all by himself.

First OrgasmThe Dresden Dolls
As bonecas de Dresden chegam-se à frente com esta bela canção, ao piano e tudo. Isto é sobretudo uma lição para os idiotas que pensam que basta a cançoneta ser calminha para, automaticamente, ser romântica e essas coisas. Pois bem, ficam a saber que esta “First Orgasm” é, entre outras coisas, sobre uma gaja que se masturba à janela a ver crianças a brincar em recreios. Vão agora dançar slows ao som disto, seus hereges.

I Touch MyselfDivinyls
Mais uma senhora que se toca. Sozinha. Nada contra, quase tudo a favor. Não chega a ser tudo a favor porque há gajas gordas. E, caraças, ninguém está para sequer imaginar bardajices dessas. Seja como for, a senhora cantora toca-se quando pensa num tal de “you”. Eu não sei quem é o “you”, mas, honra lhe seja feita, o gajo mete muita gaja a suspirar por ele. Não há rapariga cantadeira que não diga que o “you” é que é, e que o “you” é que vale a pena. Esta é mais uma.

Whip itDevo
Esta canção dos Devo tem várias interpretações. Mas há duas que se destacam. A primeira, e mais óbvia, diz que isto não passa um canto de triunfo à masturbação e ao sadomasoquismo. Faz sentido e é agradável. A outra interpretação diz que isto, afinal, é uma celebração do saudável acto de inalar óxido nitroso de latas de chantily. Eu acho que estas hipóteses não têm que ser mutuamente exclusivas. Sim, porque se há a hipótese duma canção ser sobre masturbação, sadomaso e inalação de óxido nitroso de latas de chantily, então essa hipótese passa logo a facto científico.

Imaginary LoverAtalanta Rhythm Section
Nem sei que raio de banda é esta. Sei que não presta. Sei que “Imaginary Lover” é a pior metáfora que já vi para “caramba, lá vou ter eu que usar outra vez a canhota para parecer que é outra pessoa que me está a gratificar”. Sim, presume-se que os canhotos usem a direita para conseguir o mesmo efeito. Os ambidestros é que estão lixados. Também, que se fodam esses mutantes! Não merecem nada.

Mary Anne with the Shaky HandThe Who
Os The Who são os camaradas que cantam no genérico daquelas bodegas de CSI’s. Muito antes dessa decadência, escreveram esta canção, que, em traços latos, mostra como a doença de Parkinson não é só chatices. A Mary Anne soube logo que fazer à shaky hand que a doença lhe trouxe. Tem que ser assim. Ver sempre o lado positivo das coisas, mesmo quando as coisas são degenerativas.

Tonight I fancy myselfThe Beautiful South
Estes Beautiful South nasceram depois de metade dos Houseartins terem decidido continuar nesta vida de cantorias. Mas agora têm uma senhora a cantar também. Não tenho mais nada para dizer sobre isto. A cantiga fala d’alguém que, esta noite, se quer comer, em vez de andar a tentar convencer outras pessoas. Pois. Simplifica muito mais as coisas. Sai barato. Não tem que haver converseta depois, nem miminhos. Não se percebe como é que não há mais gente a optar por esta via. Deve ser por desconhecimento.

She’s vibrator dependentMojo Nixon & Skid Roper
Estes dois parolos são os Cebola Mol de onde quer que seja que tenham nascido. Parece que um deles apanhou a mulher na cama com um utensílio em plástico. Ainda por cima daqueles a pilhas. E, pronto, como não vale a pena competir com cenas a pilhas, ao menos que se cante sobre isso. Passávamos é bem sem o pormenor das bolhas nas mãos, ò camaradas. E a música é muito grande.

Hand in my pocket Alanis Morissette
A Alanis, quando apareceu, era toda revoltada e arranhava tudo. Dizia asneiras e assim isso. Agora ‘tá mais calma, a fazer covers dos The Police. Este “Mão no meu bolso” é que não engana ninguém. As mulheres não usam as mãos nos bolsos a não ser para afagar o berbigão com grelo. Li isto num livro que explicava como é que elas pensam e agem. Portanto, se virem uma mulher a procurar trocos nos bolsos durante meia hora – ou mais, que aquilo é gente para demorar mais de uma hora só para aquecer –, desconfiem. Ou fiquem atrás do arbusto a ver, com a mão nas calças. A vida é vossa.

Alone but not lonely Mary Chapin Carpenter
A Mary, e os apelidos não deixam margens para dúvidas, é fruto do amor de ocasião entre os Carpenters e o Charlot. Cresceu num ambiente familiar fragilizado e, corolário lógico, agora é uma maníaco-depressiva masturbadora e psicótica. Sozinha, mas não solitária. O mesmo é dizer sem homem que a aqueça, mas há tanta coisa fálica numa cozinha. Só vegetais são para aí uns cinco. Já não para falar em pequenos electrodomésticos. A varinha mágica, etc. Ou coisas em materiais naturais, como o rolo da massa. Pronto, é como diz a Mary, mulher só fica solitária se quiser.

Give yourself a hand - Crash Test Dummies
Cá estão eles, os Crash Test Dummies. Os obreiros daquela mítica música de murmúrios ou a porra que os valha. Realmente, pensar num refrão decente ainda cansa, por isso dá sempre mais jeito gemer ou mesmo cantar com a boca fechada. Também dá muito jeito para os fãs, que assim não têm que se cansar a decorar letras. Esta “Give yourself a hand” é sofrível, claro, mas a mensagem percebe-se. Esfrega-te com a tua própria mão, pá. É só vantagens e, se for no banco de esperma, até te pagam. Convém é não ser na fila. Não cometam esse erro. Parece que eles têm salas especiais.

Dancing with Myself – Billy Idol
E terminamos com um dos maiores sucessos do Billy Ídolo. Uma música do caraças que nos relembra que é natural e saudável dançar sozinho. Faz-se figura de parvo na discoteca, mas quem o faz não quer saber. É um bocadinho como o que acontece com os masturbadores de jardim. Toda a gente acha que são maluquinhos depravados. Mas eles gozam à brava. Enfim, é deixá-los estar. Ou então, como se devia fazer aos parolos que dançam sozinhos, é matá-los à paulada. Das duas, uma.

22.2.07

Oceanos



Muito antes de Galileu, e muito antes da Terra ser quadrada, o mundo era plano. A planificação do globo terrestre dividia-se em duas partes: a página 30 e página 31. O nosso planeta não só mudou de forma, como também mudou de cor - antes era amarelo torrado e vermelho e hoje é verde e azul. Acho que agora o planeta é mais alegre e colorido.
Os nossos livros mostram a Terra planificada em páginas seguidas para que nao haja confusões. Num mapa, geralmente situamos os Estados Unidos à esquerda do Oceano Atlântico e Portugal á direita. Raramente nos aparece a vista oposta, onde a Austrália está à esquerda, o Oceano Pacífico ao centro e Outros Paises á direita. E isto porquê? Para mim, o problema é da lombada dos cadernos. Na apresentação clássica apenas se perdem 3 ilhas dos Acores, da outra forma metade da Polinésia desaparece.Será que existem mapas de jeito na Polinésia?

14.2.07

Banalidades III


Hoje vi na cantina um rapaz de vinte e tal anos. Por norma, não olho para homens, mas desta vez olhei. Tinha longos cabelos à surfista, com uma franja para o lado, mas sorrateiramente notava-se uma grande mancha de calvície atrás.
Fiquei a pensar se ele realmente pensava que ninguém notava. Ao menos as pessoas do seu meio podiam ter-lhe dito: “Júlio" - não sei se é esse o nome dele, mas tinha aspecto disso - "toda gente já notou a tua calvice pá, não havia necessidade de tentares disfarçar, e ainda por cima tão mal.”
Ou então: “Toma lá bacano, fizemos uma vaquinha para te comprar uma peruca"- até mesmo um implante de cabelo, para o caso de serem amigos endinheirados.
Penso que o melhor seria mesmo que ele saísse simplesmente da sua concha e rapasse tudo, porque não há necessidade para esconder a calvície. Há milhares de homens nessa situação.
Eu é que não estou!

11.2.07

Sim, Senhoras!



Ora bem, de modos que estive até agora a visionar aquele programa televisivo d' "O Gato Referendo" e pelos vistos ganhou o SIM. Não me vou pronunciar em relação a este resultado, mas no entanto não posso deixar de congratular os vencedores da noite: todas as associações e movimentos cívicos que apelaram a voto favorável nisso de votar a favor. Destas gostaria ainda de destacar a associação "Fetos pelo SIM", que apesar de ser uma associação que visa proteger o ambiente, acabou por fazer uma excelente campanha. Parabéns a todos voçês por serem a pessoa que pessoalmente são, e obrigadinhas por existirem. Até mai' logo!

5.2.07

Abortar, Repetir ou Cancelar?



Vai já para mais de uns quinze dias, que meti um daqueles autocolantes dos correios que dizem "Publicidade Não!" na minha caixa do correio. Mas depois tive que meter outro que diz "Dica Sim!", porque gosto de ver promoções de coisas assim meio coisas que às vezes há lá. Meti também um autocolante daqueles da RR, para que no caso do repórter de trânsito passar por aqui perto e não haver carros em circulação, e eu poder encher o blusão com uma bela maquia. Finalmente, decidi meter um autocolante com o meu nome porque tava farto de receber cartas destinadas a pessoas que já morreram.
Mas todo este trabalho foi em vão. Claramente que eu não estava prevenido para uma ocorrência que seguidamente se sucedeu ali mesmo naquele local. Então não é que um bando de pessoas em manada enfiou-me um panfleto na caixa por causa deste assunto de que se fala muito agora e que tem a haver com aquilo que se debate amiúde na televisão por causa daquela coisa do aborto!? Não tenho nada contra as pessoas que são contra coisas assim do género de implantes, transplantes, lapidações, barulho ou abortos. O que me chateia é não respeitarem os autocolantes. É sabido, e até vem em livros, que os autocolantes com avisos são a argamassa que unifica esta pilha de tijolos que são as regras de conduta social desta nossa forma de vida colectiva e conjunta que é a nossa sociedade.

O tal panfleto (que na verdade até devia ser uma brochura ou mesmo um desdobrável), tinha pontos de vista, argumentos e até opiniões. E como toda a gente sabe, isto de emitir opiniões e pontos de vista é meio caminho andado para se cair no ridículo. Pelo menos é o que, do meu ponto de vista, eu acho. O pior é que o tal documento que já foi aqui previmente referido, tinha o seguinte slogan: VOTA NÃO! E isso, no meu prisma e no meu ver das coisas, está mal! E porquê? Bem, se o assunto aqui é votar, julgo que deveria existir o cuidado e o aprumo de marketing que uma coisa destas exige. É impressão minha ou isto do VOTA NÃO é muito dislexicamente parecido com NÃO VOTA!? Pois tá claro que é! Então não venham depois reclamar que muita gente absteve-se e não sei quê. Pudera! Pois tá claro que pudera! Quando se lê de esguelha, a mensagem não passa. Olhem para a malta do SIM, esses pensaram nisso! Pois tá claro que sim! VOTA SIM, SIM VOTA!

Mas o pior ainda estava para vir. Quem é que raio foi desencantar argumentos sob a forma de interrogações assim meio p'ró filosóficas? Assim daquelas que nos fazem pensar e tudo. Não sei. Só sei que eram francamente parvas. Ora vejam:
"Queremos viver numa sociedade que desprotege o início da vida humana mas protege os ninhos das cegonhas?" - O quê!? Mas que raio é isto? Então o início da vida humana e as cegonhas não são a mesma e uma só coisa? Eu cá não acredito na treta de que as crianças que nascem nas couves - se bem que isso explicaria o facto das crianças nunca as quererem comer - ou que vêm de França de comboio. Isso são os emigras e é só em Agosto, e eu por exemplo, nasci em Julho. Todos viemos das ou com as cegonhas. É esse o início da vida humana! Então e agora querem evitar o aborto mas depois não se importam com os ninhos das cegonhas!? Afinal em que ficamos?

A outra interrogação que este manifesto de defesa da vida nos fazia era a seguinte: "Queremos viver numa sociedade que por um lado dá às mães o direito de eliminar a vida do bebé, só porque têm menos de 10 semanas mas por outro lado multa quem transporta crianças sem cadeirinha?" Eu esta até percebo. De facto acho mal que em pleno século XXI, ainda exista desigualdade nos direitos entre homens e mulheres. Se dão um direito às mulheres de eliminar a vida dos seus filhos logo às 10 semanas, porque que é multam homens e mulheres quando conduzem os seus filhos sem cadeirinha? Justo seria que, aprovada a lei do aborto, multassem apenas as mulheres por não usarem a cadeirinha quando conduzem os seus filhos porque, ao contrário dos homens, estas já tiveram anteriormente a sua oportunidade de eliminar a vida dos filhos. As mulheres não podem continuar a serem umas privilegiadas como têm sido até agora. Acho bem que os homens travem estas batalhas da igualdade de direitos e fico contente por saber que a última batalha até já foi ganha - a do cancro da mama. Viva a igualdade de direitos!

Não quero com isto que me julguem um daqueles defensores ferrenhos de uma causa que ataca os argumentos da oposição e que os tenta ridicularizar ao retirá-los do contexto e que albarda o burro à vontade do dono. Não senhor! Caso ainda não tenham compreendido, eu sou a favor do NÃO, apesar de não ser contra o SIM. No fundo eu até gostaria era de militar pelo TALVEZ. Ou até o mesmo o TALVEZ NÃO ou o TALVEZ SIM. Militaria certamente pelo o LOGO SE VÊ. Com certeza que talvez sim!

Tenho em mim que isto do aborto é como o futebol. O que me mais interessa é a argumentação e não o resultado. E as semelhanças nem se ficam só por aqui: tal como alguns jogos, o aborto também calha a um Domingo. Se a ideia dos senhores que fizeram o panfleto era que a ralé votasse NÃO, então porque não usaram um argumento assim de peso? Eu passo a exemplificar: como todo o país já reparou, os finalistas d' "O Melhor Português de Sempre"são assim um bocado para o fanhoso. E eu pergunto: "Isto porquê?" Porque pelos vistos, ainda não nasceu um português que fosse suficientemente bom para ser "O Melhor Português de Sempre". E a culpa de quem é? É do aborto, pois é claro!

3.2.07

Banalidades II

Todos os dias tenho uma pequena esperança quando vou de carro para o trabalho. A de não precisar parar nenhuma vez perante um dos vinte-e-oito semáforos que encontro pelo trajecto.
Não me interpretem mal, não é por causa da ânsia de não querer chegar atrasado ao labor. Sou daqueles que chega sempre com 10 minutos de antecedência ao ofício. Apenas gostava de passar por todos os semáforos sem precisar de parar. E isso sem carregar mais no acelerador.

1...2...3...4...5...6...7...8...9...10...11...12...13...14...15...16...
17...18...19...20...21...22...23...24...25...26...27...28!!
Bingo!!!

Sinto que algo de importante acontecerá nesse dia.

14.1.07

Lost in Transladation III



Led Zeppelin - Stairway to Heaven
Dirigível de Chumbo - Pasmando a Caminho do Céu

There's a lady who's sure all that glitters is gold
Há uma senhora que deixa, de certezinha, tudo num brilho
And she's buying a stairway to heaven
E ela ganha o Céu lavando escadas
And when she gets there she knows if the stores are closed
Quando ela chega as lojas ainda estão fechadas
With a word she can get what she came for
Palavra que ela consegue tudo com desvencilho.

Woe oh oh oh oh oh
Uau uh uh uh uh
And she's buying a stairway to heaven
E ela ganha o Céu lavando escadas

There's a sign on the wall but she wants to be sure
Com certeza que está um aviso no hall
And you know sometimes words have two meanings
E tu sabes que às vezes as palavras também têm significado
In the tree by the brook there's a songbird who sings
Na árvore partida canta um rouxinol
Sometimes all of our thoughts are misgiven
Às vezes o nosso pensar é mal interpretado

Woe oh oh oh oh oh
Uau uh uh uh uh
And she's buying a stairway to heaven
E ela ganha o Céu lavando escadas

There's a feeling I get when I look to the west
Quando olho para o litoral, sinto um sentimento de desafogo
And my spirit is crying for leaving
E o meu espírito chora para viver
In my thoughts I have seen rings of smoke through the trees
E eu cá penso que onde há fumo, há fogo
And the voices of those who stand looking
Oiço as vozes dos que em pé estão a ver

Woe oh oh oh oh oh
Uau uh uh uh uh
And she's buying a stairway to heaven
E ela ganha o Céu lavando escadas

And it's whispered that soon, if we all call the tune
E diz que mai' logo, se todos chamarmos o atum
Then the piper will lead us to reason
Que o canalizador vai chumbar-nos com razão
And a new day will dawn for those who stand long
E um novo dia vai madrugar para aqueles que em pé estão
And the forest will echo with laughter
E a floresta rir-se-á de forma incomum

If there's a bustle in your hedgerow
Se está um busto na tua sebe
Don't be alarmed now
Não ligues o teu alarme, não
It's just a spring clean for the May Queen
É apenas a nascente onde a Rainha bebe
Yes there are two paths you can go by but in the long run
Sim há um atalho no qual podes correr muito
There's still time to change the road you're on
Mas ainda há tempo para mudares de circuito
And it makes me wonder
E isso maravilha-me

Your head is humming and it won't go because you don't know
Tens uma enxaqueca e tu sabe sque não passa
The piper's calling you to join him
O canalizador telefonou-te para ires com ele
Dear lady can't you hear the wind blow and did you know
Minha senhora tá cá uma aragem que até estilhaça
Your stairway lies on the whispering wind
Espero que com o vento sua escada não se desmantele

And as we wind on down the road
E quando a gente assobia na estrada
Our shadows taller than our souls
As nossas sombras são maiores que uma sola
There walks a lady we all know
Lá anda aquela que toda a gente já conhece
Who shines white light and wants to show
diz que é pouco iluminada mas boa de tola
How everything still turns to gold
Mas nem tudo o que luz é oiro
And if you listen very hard
E se fores duro de ouvido
The tune will come to you at last
Atum é carne de toiro
When all are one and one is all
Um e um são dois, é sabido
To be a rock and not to roll
Se queres ser do rock tens que ir à escola

Woe oh oh oh oh oh
Uau uh uh uh uh
And she's buying a stairway to heaven
E ela ganha o Céu lavando escadas

Outras líricas traduzidas:
Lost in Transladation II
Lost in Transladation I

12.1.07

Banalidades I

"Bom fim-de-semana!"- disse-me a senhora da caixa registadora do Mini Preço.
"Para si a mesma coisa!"- retorqui-lhe, simpático como sou.
Logo a seguir fiquei a pensar, enquanto a senhora continuava o seu trabalho:
Se calhar não tinha fim-de-semana e devia lhe ter dito “Continuação de um bom trabalho!”
Se calhar ela acha o seu trabalho uma tristeza e está ali apenas para ganhar o seu.
Se calhar devia devia lhe ter dito “Uma sorte melhor para a sua vida miserável!”
Às vezes o que parece óbvio, não é tão óbvio.



P.S. - Já agora, quero lançar aqui uma ideia que tenho há algum tempo. Na nossa escolha de supermercados, em vez de nós guiarmos pelos preços, porque não nós orientar pelas condições laborais que ofereçem aos seus empregados? Deixo aqui esta proposta no ar.

28.12.06

O Português é Ecologico



Já estive em outros países por esta altura e aquilo era só aquecimentos centrais, lareiras, salamandras e outros aquecimentos acessos em qualquer estabelecimento. Aqui não, aqui as casas, autocarros, bancos, escolas e mesmo hospitais, raramente têm dessas modernices.
Muita estrangeirada não tem noção disso, porque pensa que o sol abunda todo o ano em terras lusas. Aí é que se enganam, esses bifes, porque cá temos também uns bons meses de frio e chuva, sem essas paneleirices de aquecimentos. Aqui poupa-se em petróleo, gás natural, carvão e madeira; fontes de energia cada vez mais escassas. Sim, é verdade meus amigos, o povo Português no fundo é um povo ecológico.

Faz parte da pedagogia Portuguesa, que as crianças desde cedo têm que estar nas aulas de casaquinho e às vezes com luvas. Serve para fortalecer o carácter, prepara a criançada para o grande combate que é, no fundo, a vida. Muitas casas além de não ter aquecimento, também não têm essas coisas do vidro duplo ou isolamento térmico. Isto também poderá ter a ver com o pensamento ecológico, o vidro (isolamento térmico é feito de fibra de vidro) ainda é abundante, mas um dia poderá vir a acabar.

Mas tudo isto que referi, não se prende apenas à Ecologia, porque quando o vento gélido entra nos lares portugueses, por baixo das janelas ou por rachas no telhado, podemos traçar uma linha directamente para nossos gloriosos antepassados. Esses marinheiros destemidos que navegavam por grandes tempestades e que também rapavam grandes frios e humidades nas suas caravelas. Sentir o frio na pele, e até ao osso, faz parte da Alma Portuguesa. E até digo mais, o Fado foi sem dúvida inventado numa noite chuvosa e fria, ao pé de uma lareira e com o dente a bater. E não debaixo do Sol, numa qualquer "ocidental praia Lusitana".

26.12.06

Mitos Infantis IV



Ontem não comi a sopa toda. Não comi e pronto! E sabem que mais? Não me aconteceu absolutamente nada. Nada! Não veio um polícia buscar-me, não me cresceram pelos nas mãos e nem fiquei cego. Não só não me aconteceu nada disso, como ainda tive direito à sobremesa. Repeti e tudo. Várias vezes, até.

“E então?” – perguntam em uníssono os meus estimados leitores, ou pelo menos os que conseguiram ler isto tudo até aqui sem ficarem à rasca da vista, ou os que sabem que não vale a pena tentar arranjar ocupação melhor do que esta de ler blogs e isso. Pois bem, é que diz – o povo e gente assim dessa – que se não comermos a sopa toda, que nos acontecem calamidades trágicas, tragédias catastróficas e até mesmo catástrofes calamitosas, como aquelas que descrevi anteriormente ali para os lados do primeiro parágrafo.

A mais famosa das consequências de não comer a sopa até ao fim, e que ainda não tive oportunidade de referir, (aliás, até tive, mas quis criar suspense, ou “suspende” que é como o processador de texto que utilizo me sugere que escreva) é então vir o “Velho do Saco” e levar quem não comeu a sopa toda.

Mas ele ontem não veio e não me levou com ele. E agora pergunto: “Porquê isto?” Ora, sucede-se que ontem era Natal e o fulano de idade avançada que se encontra sempre na posse de um saco andava ocupado com outras coisas. Vamos mas é lá chamar as coisas pelo nome: ele andava ocupado com outras “ocupações”. Pois é, o “Velho do Saco” andava sim a fazer de Pai Natal. Não como muitos malandros que só nesta quadra é que se lembram de fazer alguma coisa que não procrastinar no sofá, e que vestem uma fatiota, tiram as barbas de molho, metem uma barba falsa e badalam uma sineta nas ruas da baixa de uma qualquer cidade da Beira Alta, por exemplo. O “Velho do Saco” é na verdade, verdadinha, o verdadeiro “Pai Natal”. É verídico sim senhores, estas duas figuras míticas são apenas e somente, a mesma e uma só pessoa.

É por isso que não nos acontece nada se não comermos a sopa no Natal, que até, coincidentemente, nem faz parte da ementa da Consoada. O “Velho do Saco” cessa assim as suas funções habituais para andar a distribuir presentes bonitos às crianças que se portaram bem, e um pedaço de carvão às que se portaram mal. E isso de nos portarmos bem é mesmo o quê? Lá está: comer a sopa toda. E quem é que se encontra mais habilitado do que o “Velho do Saco” para saber quem é que se portou bem? As coincidências não se ficam por aqui, senão reparem: tanto o “Pai Natal” e o “Velho do Saco” são velhos e têm sacos. É a isto que nós chamamos em Economia, “economia de recursos”, pois utilizam-se determinadas capacidades, neste caso ser velho e andar com um saco, para desempenhar diferentes funções e aumentar a produtividade da coisa. Até porque não faria sentido nenhum estar a descontar para a segurança social e a ter outros encargos assim género só para ter um “Pai Natal” no activo um ou dois dias por ano. Deus, o gestor do Universo, sabe-a toda.

E o menino Jesus no meio disto tudo? Pois bem, todos nós sabemos que isto de celebrar o Natal é a forma que temos de dizer “Feliz Aniversário” ao Jesus. E como é o Seu aniversário, neste dia ele é o bebé, e tem de ser feita a Sua vontade. Tanto na Terra como no Céu. Antes era Ele que punha as prendas no sapatinho, mas fartou-se de estar sempre de serviço no dia de anos, e pediu ao Seu Pai para arranjar alguém para essa tarefa. Assim, o Seu Pai mandou um dos Seus empregados, o “Velho do Saco”, encarregar-se disso. Deu-lhe uma farda e tudo, para demonstrar que aquilo era uma tarefa mesmo importante e o velho não reclamar. Porque se há coisa que os velhos adoram mais do que reclamar, são fardas como deve ser e farpelas assim das jeitosas.


Outros Mitos:
Mitos Infantis III
Mitos Infantis II

Mitos Infantis I

18.12.06

A Minha Táctica



Começou mais uma vez vez a corrida de Natal. Milhares de pessoas a gastar as poupanças nas lojas e milhares lojistas a esfregar as mãos de contentes. Eu também comprei prendas, estimados leitores, mais por obrigação que propriamente por livre vontade. Houve uma altura na minha vida em que tentei dizer não a esta festa de consumo. Todos os anos é a mesma coisa, o que hei-de comprar para o tio Manel, mais uma gravata ou mais uma garrafa de whisky? ...uh...Vai mais uma gravata... porque a tia Zulmira não gosta que o tio Manel beba. E para tia Zulmira...vai pela 20ª vez uma caixa de chocolates?

Para mim isso tudo acabou, porque desde há um par de anos, só compro livros, DVDs e CDs, ou seja apenas cenas culturais. O tio Xavier só fez a terceira classe e mal sabe ler!? Não importa, porque um livro pode servir como um incentivo para começar a adquirir este hábito tão bom. Neste caso se a leitura for banda desenhada pode ajudar também. A Tia Gertrudes já não ouve bem e ofereceste um CD? Não faz mal, desde que seja Sepultura ou Napalm Death.

Nós, os compradores da prenda, também ganhamos com esta táctica. Sempre quiseste ter o triplo da Maria Callas ao vivo na La Scalla ou a caixa com a filmografia completa de Ingmar Bergman, mas não podias porque tinhas sempre de te conter por causa das tuas finanças? Agora já podes comprar, porque com uma só prenda fazes duas pessoas felizes. Pois claro, os DVDs, os CDs, os livros vejo, oiço e leio antes de oferecer. Isso é, no fundo, uma situação win–win, como se diz no jargão do mundo empresarial. Usufruo dos bens à pala e quem os recebe, fica logo a saber se o presente é bom ou mau.

9.12.06

Mad World



Que há muita loucura neste mundo, isso toda gente sabe, mas vejam esta história que li há uns dias atrás :
Uma mulher suspeita de um furto num talho foi perseguida por dois polícias. Ao ser apanhada, tentou fugir baixando as calças. "Não conseguia acreditar os meus próprios olhos" disse um dos agentes. A mulher, que mais tarde saiu em liberdade condicional, tinha roubado três nacos de carne de cordeiro.
Um homem de 38 anos que viu tudo da sua casa, tirou a foto. "Não se vê algo assim todos os dias" afirmou o homem. E nós acreditamos nas suas palavras. Era de facto bom, se todos os dias uma mulher baixasse as calças em frente da nossa janela.

4.12.06

Rádio Gémeo Malvado: Coros




Gregorian -
Losing My Religion

Quando disse aos mandriões dos meus colegas aqui do blog que esta playlist iria ser acerca de coros, vieram logo com a conversa de que a ideia não tinha jeito nenhum porque iam ser só coros “acapella” e gregorianos. Eu disse que não, que de certeza que havia muita escolha e que não ia meter nada disso.
Mas um dia, ao entrar na loja de produtos isotéricos que há aqui no prédio ao lado, estava a tocar este tema e eu pensei: “Epá, esta vai ter que entrar porque é assim meio irónica e tudo!”. Senão vejamos, esta música tem uns monges a cantarem que perderam a religião e assim essas coisas. Ok, eu sei que não são monges a sério, e que na verdade estas músicas são gravadas por outros cantores normais. Mas quem acaba por dar a cara por debaixo dos capuzes daqueles hábitos, são monges verdadeiros. E eu respeito isso, quase tanto como respeitava os Milli Vanilli. Se calhar até mais.


Langley School Music Project - Mandy

Se eu tivesse tido um professor de música amalucado no ciclo preparatório, em vez de um daqueles que demorava um ano inteiro para nos ensinar o “dó-ré-mi-fá-sol-lá-si-dó” e que agora anda para aí a contestar o estatuto da carreira à Sra. Ministra, talvez as coisas tivessem sido diferentes quando decidi formar um conjunto musical e fazer da venda de discos compactos, a minha carreira. Quem sabe se eu não seria agora um ex-Silence 5, que viveria dos rendimentos dos seus anos de glória? Glória não... Sofia!
Pois bem, já há muitos anos num país do estrangeiro onde se fala “o inglês” correctamente, existiu o professor que sabia que isto de tocar flauta na festa de final de ano lá da escola, não era assim tão giro. Vai daí, que pegou em todos os seus alunos e pô-los a tocar as músicas que faziam furor nas salas de baile que essa juventude, outrora tão promissora, frequentava. Foi assim que nasceu este projecto. Meia dúzia de alunos tocaram vários instrumentos, sendo que o garoto mais gandim que para lá havia tocou bombo, de forma a descarregar o excesso de energia que geralmente tinha como destino uma qualquer parte do corpo dos colegas. A Ana Sofia, ou Ana Rita, lá da turma cantava solos sem desafinar, era a melhor aluna e tinha cincos a tudo, mesmo a Educação Musical. O não-sei-quantos que estudava no “orfeon” tocava órgão e o resto do maralhal cantava como podia e isso não tinha mal nenhum, pois em coro tudo soa bem.


Rockapella - Bohemian Rhapsody

Pá, o que podem fazer meia-dúzia de gajos que andaram juntos no coro da paróquia, quando já começam a ter barba suficientemente rija para arranhar a pele ao padre, continuam a ter gosto naquilo do cantar, mas não têm dinheiro para comprar instrumentos nem os livros do Eurico A. Cebolo, de forma a poderem fazerem um grupo de baile que toca tributos aos Queen?
Diz o povo e muito bem, que o melhor mesmo é formarem um conjunto coral que canta músicas do cancioneiro pop, e que faz os barulhos assim, só com a boca. Julgo que os únicos requisitos para criar um destes grupos são que um dos elementos tenha uma voz assim fininha, e que outro soe sempre como se aquele sapo gordo da música dos sapos do Paul McCartney fumasse dois maços por dia.


St. Fiachras Junior School Choir - The Sweetest Thing

Quando eu era mais novo, um primo da minha mãe levou-me, sabe-se lá porquê a uma audição de um coro infantil. Quando cheguei lá, aquilo estava cheio de gente que, pelo que me pareceu, frequentava aquilo com alguma frequência. Eles começaram a ensaiar, cantavam bem e tudo. Quando fizeram um intervalo, o maestro chamou-me e pediu-me que cantasse uma escala de “Dó”, como eu não sabia o que isso era disse os nomes das notas que me lembrei, sempre no mesmo tom. Fui-me embora e nunca mais ninguém me disse o resultado da audição. Apesar de eu não ter telefone na altura, bem que podiam ter dito aquilo que as pessoas dizem sempre nos filmes: “Ah e tal, mais vale a gente telefonar-lhe do que estar você a ir à cabina gastar o credifone”.
Se eu tivesse sido aceite, que é azeite em espanhol, podia ser que tivesse feito assim uma cover dos U2 lá com o pessoal do coro. É assim a vida...


The Red Army Choir – Bella Ciao

Quem é que há uma mão cheia de anos atrás seria capaz de dizer que uma música italiana, de protesto contra a guerra, de origem incerta e intitulada “É boazona!” se viria a tornar um hino revolucionário de dimensões assim das grandes por todo o mundo? Eu não. Até porque à uma mão-cheia de anos atrás eu tinha umas coisas para fazer nesse dia e não podia estar a perder tempo com respostas a perguntas dessas assim tão coisas.
Vá-se lá saber porquê, um ex-funcionário do partido comunista russo decidiu falar com o Maestro Vitorino de Almeida lá do sítio e propor-lhe que pusesse os tropas que para lá tinham sem nada para fazer desde que deixaram de escoltar carro alegóricos de carnaval acerca do tema “guerra”, e que até cantavam bem, a cantar esta canção. A moda das cantorias destes rapazes pegou e até cantaram músicas daquele grupo… aquele que tocava aquela música do... bem, não interessa.


The Metropolitan Police Male Voice Choir - When I'm 64

Reparei há pouco tempo naqueles senhores vestidos de preto que andam pelas estações do metro e perguntei a um primo meu se ele sabia o que raio andavam eles ali a fazer. Ele não fazia ideia. Por isso fui à Internet pesquisar e lá percebi que são polícias do metro. E pronto era só isto que eu queria dizer.
Ah não!... falta ainda dizer que estes senhores têm uns equivalentes no estrangeiro já há uma porrada de tempo e que isto só agora é que foi implantado cá em Portugal por causa de uns assaltos que têm havido e assim, e que também são coisa recente. Diz que lá fora eles aproveitam o eco do metro e formam grupos corais masculinos e que o seu repertório é habitado sobretudo por músicas que falam de direitos dos trabalhadores, desde que se é o “gajo novo” até ao último ano de serviço antes da reforma aos 65 anos de idade.


Sidney Gay and the Lesbian Choir – Dancing Queen

Pouca gente sabe que antes de ter participado no Eurofestival do Cação, o grupo musical ABBA, já existia com outra designação. Pois é, antes da fama e do estrelato, os ABBA intitulavam-se “Sidney Gay and the Lesbian Choir” e cantavam em coro com mais umas trinta pessoas. Mas essas trinta pessoas meteram-se na droga e morreram com uma overdose. Assim, o Sidney, o Gay e o casal de lésbicas que sobraram, decidiram rebaptizar o grupo com o nome pelo qual ficaram conhecidos. E o resto é História, com “H” maiúsculo.
Mas como na verdade a História é feita de micro-histórias, posso ainda acrescentar a estas palavras de verdadeira sapiência universal, que a uma dada altura o grupo passou por outra transformação, que acabou por originar o seu próprio fim: diz que fizeram uma operação para ficarem espanhóis e foram morar para Maiorca. É esta a explicação da edição do seu disco multiplatinado “ABBA – Oro”. A sério...


Scala – I Touch Myself

Então e quantas músicas orelhudas acerca de masturbação é que vocês conhecem que possamos cantarolar todo o santo dia sem que ninguém nos diga em tom de repreensivo: “olha aí as pessoas!”? Certamente que não muitas.
Isso também não interessa nada agora, pois o que vos trago aqui é bem melhor do que isso. “Mas o que poderá ser melhor do que uma música orelhuda acerca de masturbação e que possamos cantarolar todo o santo dia sem que ninguém nos diga em tom de repreensivo: ‘olha aí as pessoas’?” – interrogam-se vossecelências. Pois bem, eu digo-vos. Melhor que isso de “uma música orelhuda acerca de masturbação e que possamos cantarolar todo o santo dia sem que ninguém nos diga em tom de repreensivo: ‘olha aí as pessoas!’?” é uma música orelhuda acerca de masturbação cantada em uníssono por um bando de miúdas colegiais de 16 anos, mas com corpo de dezoito ou mais. E pronto é mais ou menos isso.


The Cheshire Chord Company - I Predict a Riot

Fazem ideia de o que é ser roadie duma banda que até teve uns sucessos no verão passado e depois vir a vossa mãe com as amigas do coro e roubar uma malha da banda da qual vocês quase fazem parte e ter assim sucesso e coisas dessas? É lixado, posso-vos eu dizer que quase passei por isso uma vez. E foi exactamente o que aconteceu com um roadie dos Kaiser Chiefs há uns tempos.
Como raio se ultrapassa o estigma de ficar conhecido assim no mundo da indústria musical e no meio roqueiro? É que a linha de engate “eu sou roadie dos não-sei-quê” já não funcionava muito bem com as groupies e incluir a palavra “mãe” na frase também não vai compor o ramalhete de certezinha absoluta, sintética e analítica.


Gunter Kallman Choir - Day Dreamin

Antes diziam que a miúda que aparecia na capa do segundo cd dos Portishead e que entrava num videoclip deles, era a vocalista e que estava assim tão magra porque sofria de anorexia. Também diziam que aquelas pulseiras de metal com duas esferas nas pontas faziam bem às costas. Tá visto que as pessoas dizem muita coisa quando têm interesse em vender produtos. Eu cá não vendo nada, logo sinto-me livre para dizer o que bem me apetecer e às vezes até mesmo a verdade. E a verdade é esta: aquela música dos Portishead que as gajas tanto gostavam na altura só teve sucesso por causa daquela introdução, que foi sacada a este coro do Gunter Kallman, que era alemão. E já agora diga-se também que os alemães agora são assim mais coisos, mas que a uma dada altura foram bem lixados. Essa é que é essa.


The Kop Choir - You'll Never Walk Alone

Sempre achei que deveria haver uma qualquer razão para aquele senhor que toca “O Submarino Amarelo” numa corneta em todas transmissões de jogos de futebol da televisão fazer o que faz. Ou fazia, porque já ouvi dizer que morreu. A verdade é que ainda o oiço, e isso é que interessa. Mas como estava eu a dizer, por detrás daquilo havia uma razão, uma lógica e até mesmo um motivo. Por essa mesma razão as claques e as audiências dos mais variados eventos musicais e desportivos, batem palmas, cantam sempre aquela música do “Oeh, oeh, oeh ô ou, oeh ô ou” e gritam “Portugal” ou o nome do clube. E a razão é tão simples como isto: é que se eles tentassem cantar qualquer outra coisa, não se iria perceber nada. Esta música é a prova disso. E não me venham com a história do “Ah e então a claque do clube de futebol de não sei onde que gravou um disco?”