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21.9.05

Grão a grão mudam-se as vontades

Seria de esperar que a minha primeira contribuição fosse alguma história maluca sobre campónios bêbedos que partilham a intimidade com cabras, mas infelizmente não tive tempo suficiente para perceber se os locals que eu conheci reuniam todos estes requisitos.


Sendo assim passo ao segundo tema óbvio: a origem e raison d’être de alguns porvérbios portugueses (na verdade só vou falar de um, que nem é bem português, mas resolvi deixar o tema em aberto, pois nunca se sabe...).

Como é sabido existem muitos provérbios equivalentes em sentido, ainda que muitas vezes não nas palavras usadas, entre o português e o inglês. Não interessa se chove a potes, ou se cães e gatos caiem do céu, o que importa é que ficamos logo a saber que, no minimo saimos de casa de impermeável e guarda-chuva, e no máximo procuramos o celeiro com abrigo anti-tornados mais próximo (excepto talvez em Nova Orleães).

Ao surfar pela internet deparei-me com o correspondente inglês do nosso provérbio “A excepção que confirma a regra”. E talvez por confirmar a regra, este é homónimo na utilização de palavras, mas não no seu sentido. Na verdade, em “the exception that proves the rule”, o verbo to prove é usado não no sentido de confirmar, mas no de pôr em cheque a regra, testá-la.

O que se depreende daqui é que graças a mais uma má tradução (já não bastava o “Rushmore” chamar-se “Gostam Todos da Mesma”), um povo inteiro andou, enganadamente, durante anos e anos (não sei quantos, mas imagino que tenham sido muitos), a usar um provérbio que não tem sentido rigorosamente nenhum. Nicles.

Pela parte que me toca, vou já começar a memorizar o menos surpreendente; o menos bonitinho; mas contudo mais certinho: “não há regra sem excepção”.


'Não há regra sem confirmação... não. Não há regra que confirme a excepção... merda!'

1.6.05

O homem que mordeu o cão



Nuno Markl foi apanhado na rede da justiça do Gémeo Malvado. Descobriu-se ontem que a ideia e o nome de "O homem que mordeu o cão" foram, simplesmente, imitados de um programa já existente na Bélgica e Holanda. Lá o programa chama-se "Man bijt hond" (literalmente: o homem que morde o cão) e como símbolo também tem um cãozinho. Coincidência ou não?
p.s. Podem verificar que não estou a mentir com o Babelfish (http://babelfish.altavista.com/)
p.s.2 Ainda por cima o Markl faz figura triste no seu próprio blogue a dar tacadas num tipo que lhe imitou. Ladrão que rouba de ladrão, tem 100 anos de perdão, Markl!

28.4.05

Football Trivia



Quando era pequeno o meu pai dizia-me: "Se te perguntarem de que clube és, dizes que és do Benfica como o teu pai.". E era o que eu fazia! Sem nunca ter pago cotas, ouvido relatos ou visto jogos, eu era do Benfica! (Não tenho a certeza que de facto isto aconteceu, podendo apenas ser uma memória construída)
No recreio da escola, nunca tive grande vontade de jogar à bola, mas como precisavam de mim para fazer número, e sob coacção, lá dava uns pontapés na bola e em quem estivesse com ela. Depressa perceberam que eu não era capaz de correr e chutar ao mesmo tempo, daí a minha mudança de posição. Passei a ser guarda-redes, o que era óptimo, pois não tinha de correr nem chutar muito. A minha função era simplesmente desviar-me dos pujantes remates, e assim assegurar a minha integridade física e a popularidade do autor do remate. Geralmente o autor destes remates era um repetente burro, com uns anos a mais do que todos nós, e que era o rei do recreio, mandando assim nos jogos e no árbito (era portanto, uma espécie de Pinto da Costa).
Outro factor que contribuíu para a minha aversão ao futebol, foi o canal dois (lembro aos mais jovens, que nos anos oitenta apenas existiam dois canais. Sim dois!). Eu nunca consegui sintonizar bem o canal dois, ou seja, vi sempre o "Agora Escolha", "Os Soldados da Fortuna" (é aqui que se nota o generation gap, "Esquadrão Classe A" para os pirralhos), o "Bocas", e o "Tom Sawyer"com ruído e chuva televisiva. E que tem isto a ver com futebol? Pois bem, só quando havia "jogo" é o meu pai subia ao telhado e ajustava a antena (sim crianças, usavam-se antenas), para que o canal dois se visse bem. E como ao sintonizar bem o canal dois, o canal um ficava mal, lá ia o meu pai por a antena no sítio, quando acabava o jogo.
Mas o dia em que deixei de gostar de futebol, foi aquele em que o Veloso falhou uma grande penalidade (não sei se é assim que se denomina a coisa) na taça dos campeões europeus (ou algo assim do género) nos meados dos anos oitenta (também não sei precisar a data). Eu tinha feito uma bandeira do Benfica e tudo. Mas de nada me valeu... senti o amargo sabor da derrota a invadir-me as entranhas. Queimei a bandeira e nunca mais vi futebol. Quero dizer... nunca mais vi futebol, voluntariamente.
O futebol invadiu a minha vida de novo, nas aulas de educação física, no secundário. E foi um suplício! As mentes dos professores de educação física, não estão preparadas para aceitar o facto que existem rapazes que não gostam de futebol, e que não são "daqueles". Resultado, fui jogar para uma equipa de raparigas. Lá era bom jogador, e até marquei um golo! Mas foi anulado, porque eu estava "fora de jogo". Como achei que isso queria dizer que eu estava expulso, fui-me embora.
Há ainda outra coisa que me irrita solenemente. Aquelas pessoas que não são adeptos do jogo, mas quando a selecção joga, vibram como se não houvesse amanhã. Deixem-me dizer que odeioessa gente , mais do que tudo. Pior do que gostar ou não de futebol, pertencer ou não a um clube, é ser apenas da selecção.
Por vezes penso no que seria a minha vida hoje, se o Veloso tivesse marcado. Seria eu um daqueles apoiantes da selecção? Ou então um adepto ferrenho do Benfica? Ou teria eu um penteado à Beckam? Seja qual for a hipótese, obrigado Veloso!

9.4.05

O número que marcou não está atribuído

Hoje, quando estava a caminho do trabalho, vi uns jovens a passar na rua com telemóveis de última geração presos num cordão ao pescoço.
É só. Ao contrário do que estão à espera não vou dizer o que penso desta moda ou destes jovens. É que eles podem tentar descobrir-me e oferecer-me porrada.
Bem, quer dizer... Humm, tchau.

21.3.05

Casas de banho públicas



Se há uma coisa que realmente odeio (além de matemática aplicada), são casas de banho públicas. O meu ódio à estas casas é tanto, que uma vez num acampamento de escuteiros, aguentei 5 dias sem expelir. Ainda no outro dia, estava na Fnac do Chiado à espera da minha cara metade, quando senti uma pressão muito forte nas minhas entranhas. Penso que tenho uns intestinos saudáveis, normalmente visito duas vezes por dia a retrete do doce lar, mas desta vez não havia hipóteses. Fui a casa de banho de cima dos Armazéns, quando deparei que só havia um retrete para os homens. Além disso havia pelo menos três homens à espera para fazer a sua necessidade e sou mesmo incapaz de utilizar uma retrete pré-aquecida e aromatizado com o fedor do cliente anterior. Felizmente, chegou entretanto a minha miúda, e resolvi aguentar a dor e ir até ao Yorn que fica no outro lado da rua.
A casa de banho lá é bastante cosy e cheirosa (parece que entramos numa cabana de um lenhador); mas helas...como é um estabelecimento todo fashion tinha de ter sanitas de design. Gosto muito de objectos de design, mas não sou nada fã de retretes de design. Feita de inox, pequena e sem tampa (e também sem coconuts!), parece-me que o Philippe Starck se tenha esquecido que uma retrete serve em primeiro lugar para cagar. E mais, ao lado da obra do Starck estava o balde plástico (quase de certeza da loja Chinesa) para o papel usado, o que é também algo contraditório.
Sou bastante ecológico, mas nestas situações não sou nada, porque limpo primeiro a tampa toda com uma quantia consideravelmente grande de papel, e depois ponho três camadas de papel. Há gente que diz que não se deve sentar, mas como falhei uma vez o alvo, deixei-me disso. As vezes utilizo um página de um jornal, onde faço um buraco; mas essa técnica, sendo mais ecológica; tem o inconveniente de deixar as nádegas escuras.
Sorte minha, que aqui também só havia uma sentina, porque perco sempre a concentração quando oiço os sons dos outros.
Mas enfim, correu tudo bem e a missão foi cumprida...