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27.8.07

Ícones Gay


Começou tudo com o S. Sebastião. Tinha um belo físico desnudado e uma lança a penetrar-lhe o corpo. Requisitos que lhe serviam para se tornar o primeiro ícone gay. Sebastian também é o nome do ajudante do primeiro ministro do Little Britain. Por outro lado, Maria Antonieta foi uma das primeiras ícones lésbicas. Não percebi bem porquê, mas se calhar tem a ver com a sua decapitação.
Vamos passar aos tempos modernos. Judy Garland tornou-se um símbolo graças ao filme "O Feiticeiro de Oz", onde faz de miuda irritante neste musical aberrante. Ficou tão famosa no mundo gay, que nos anos 50 se perguntava para saber se alguém o era ou não: "Is he a friend of Dorothy?"
Cá vai uma lista com ícones. Alguns são bastantes óbvios, outros nem por isso:

Julie Andrews, Lucille Ball, Shirley Bassey, Kate Bush, Mariah Carey, Cher, Joan Collins, Joan Crawford, Bette Davis, Ellen DeGeneres, Marlene Dietrich, Cary Grant, Rock Hudson, Paris Hilton, Elton John, K. D. Lang, Cyndi Lauper, Amanda Lear, Liberace, Madonna, Freddie Mercury, George Michael, Bette Midler, Liza Minnelli, Kylie Minogue, Marilyn Monroe, Dolly Parton, Miss Piggy, Debbie Reynolds, Jimmy Somerville, Barbra Streisand, Donna Summer, Superman, Elizabeth Taylor, Martina Navratilova, Amália Rodrigues, David Beckham, Billie Jean King, Cristiano Ronaldo

Agora junta-se a esta extensa lista, nem mais, nem menos, que o presidente da Federação Russa. Quem diria...mas é mesmo verdade. E logo depois de ter sido tirada esta foto enquanto estava a passar férias nas montanhas de Sibéria. A olhar para o torso do Vlad podemos verificar que faz muito exercício no ginásio e também depilação. Além disso estava na companhia de alguém que nunca enganou ninguém, a saber o príncipe Alberto de Mónaco. Eu não tenho gaydar, mas cheira-me aqui a Brokeback Mountain, caros amigos.

22.8.07

Entrevistas



Em primeiro lugar quero-me desculpar, estimados leitores, por causa da minha longa ausência aqui. Como alguns já sabem, tenho andado a procura de um novo emprego. É verdade, este vosso escritor humilde, é afinal também um ser mortal que precisa de ganhar o seu para poder pagar as contas correntes e não só..
Vou ser franco: gosto de entrevistas. Se houvesse a possibilidade de ser entrevistado profissional não desdenharia essa possibilidade. É porreiro, ficamos a conhecer gente e empresas novas, e no fundo, uma entrevista é uma pequena performance.
Para já vamos todos pimpões para lá, barba feita, aftershave, cabelo penteadinho, camisa limpa, às vezes fato e sapatos engraxados.
Eu se fosse empresário, mandava vir os candidatos na sua roupa preferida, dava para aprender bastante mais sobre o candidato; mas enfim não sou empresário.
Depois há também as partes difíceis: temos que ouvir os monólogos sobre o que a empresa faz e os seus objectivos, sem piscar muito os olhos ou bocejar. Nestes monólogos tento sempre dizer um “sim” de 5 em 5 segundos, só para mostrar que estou atento. É verdade, é muito chato, mas é um teste a nossa capacidade de resistência.
Há quem diga que o futebol é um espectáculo inútil, mas isso é mentira: eu tiro lições para a vida d´A Bola, meus senhores e senhoras. Uma das frases chave nas minhas entrevistas é sempre “prometo trabalhar muito”.
Fundamental também, caros amigos, é meter uma piada no meio, eventualmente dois se há capacidade para tal. Quebra o gelo, e ficamos com o rótulo de candidato poreiraço. Se o entrevistador deixa escapar que é natural de uma determinada localidade, agarrem essa oportunidade com unhas e dentes para criar laços. Ainda ontem dizia-me um que era natural de Mirandela, Trás-os-Montes. Contei-lhe que tinha família afastada lá, que era a zona mais bonita de Portugal e que as alheiras de Mirandela são as melhores do mundo.
O ponto auge de uma entrevista é sempre quando nós pedem quanto estamos a pensar auferir. Ou seja quando se chega a essência da nossa visita. É difícil essa, estimados leitores, mas a minha táctica aqui é o ataque! Eu retorquia com a pergunta quanto estão os senhores a pensar em pagar. Eu quando não tem uma proposta pronta, digo o que estou a ganhar nesse momento, um valor sempre superior ao que ganho na realidade. Claro, que não vou sair por menos.
O que é bom sempre é finalizar a conversa com uma pergunta inteligente. Para isso é sempre bom, ler qualquer coisa sobre a dita empresa na net antes de ir para entrevista.
Essencial também: meter uma pastilha na boca mesmo antes de entrar. Para ter um hálito fresco e para poder oportunamente, sem ninguém ver, mastigar para aliviar o stress. Não nós podemos esquecer que o entrevistador também é um ser humano, e levar com mau hálito nunca é bom.

14.6.07

Já Dizia o Povo


Já que se está para aqui a falar de marcas de carros, devo confessar que a minha preferida sempre foi a FIAT. Afinal de contas, foi a única que até agora conseguiu entrar nesse poço sem fundo que é a cultura popular, tomando a forma de um provérbio. Ou será que nunca ouviram dizer "FIAT na virgem e não corras"?

Tridedeta

O talento para a fotografia, de Matias não tem palavras para o descrever. Aqui uma foto de um Tridedeta, tirada pelo nosso colega Mat. Observem o momento, em que os três dedos do rapaz, se descolam da sua mão. Deixando-o para sempre condenado, a pedir menos de oito imperiais, por linguagem gestual.


Photo Sharing and Video Hosting at Photobucket

13.6.07

A Praia

Nunca, mas nunca gostei do mar. Sal, areia, vento, e sol; não são os ingredientes para eu passar bem um dia ou uma tarde. Algumas praias até têm animais perigosas na água, como tubarões ou medusas. Na água até encontrei uma vez, não que fosse um animal perigoso, mas lembrei-me disso agora, um penso higiénico a boiar ao pé de mim quando tinha acabado de dar o meu primeiro mergulho no mar Mediterrâneo. Vem-me agora à memória também, de ter ido em miúdo com os escuteiros à costa e ter ficado danado porque as deliciosas sandes que a minha mãe me tinha preparado, tinham ficado cheias de areia. Se há coisa desagradavel, é mastigar uma sandes com areia lá dentro.

No meu tempo de miudagem, não se falava nessas coisas de cancros das peles, a malta ficava a torrar o dia todo de baixo do sol. Já na altura pensava, que pequeno visionário que eu era, que isso não podia fazer bem. Eu nadava sempre com t-shirt para não me queimar e também porque achava que tinha mais pinta.

Quando tinha aí uns quatro anos, os meus pais deram-me um barquinho insuflável. Um dia os meus pais adormeceram, e de repente eu fiquei no meio do vasto oceano. Fiquei tão longe que só via uns pontinhos a mexerem-se. Felizmente fui salvo pelos nadadores salvadores, porque caso contrário meu estimado leitor, este texto que você está a ler nunca teria existido ou estaria escrito em Inglês, ou pior do que isso em Brasileiro, dependendo da corrente do golfo que eu tivesse apanhado.

Mas o pior de tudo, nisto das praias, é ter que ver corpos nús. Não me interpretem mal, não sou membro da Opus Dei ou Muçulmano ortodoxo. Não tenho nada contra corpos nus; apenas penso que, como nem toda gente tem o físico de uma mulher esbelta, as pessoas não podem andar por aí sem mais nem menos desnudado.



Há amigos que me dizem para simplesmente não olhar, mas eu quando vejo algo que não é comum, ainda preciso de olhar mais. É uma maldita mania minha, que já me meteu em situações bem embaraçossas. Lembro-me de ter trabalhado uns tempos com um tipo ao qual faltavam três dedos numa mão e que mesmo assim trabalhava comum teclado. Sempre que precisava de falar com ele, fixava atentamente essa sua arte de manuesar o teclado. E juro, palavra de escuteiro, que não o fazia por maldade. Apenas não consigo desviar o meu olhar de coisas diferentes. Não sei bem porquê.

Agora na praia, são os gajos com pelos nas costas e correntes ao pescoço que chamam a minha atenção; e asvelhotas com varizes também. Não havia necessidade de eu ter que ver isso. Porque não fecham essa gente à chave, em vez de me obrigarem a ficar em casa?

17.5.07

O Verao Chegou!













Todos os anos lá está ele de volta. Há gente que sente isso pelo bom tempo que faz, mas eu não, meus amigos. Eu sei isso através de um outro factor, a saber: a mulher.
Vou ser mais explícito: trabalho num grande escritório, onde o ar condicionado está sempre a bombar a mesma temperatura o ano inteiro e onde 2/3 é da espécie feminina. O último dado é para mim de facto louvável, já que me dou melhor com elas do que com eles. Quase sempre, porque quando começam a falar de esteticistas, cabeleireiros ou casamentos é melhor fugir.
Anyway, onde é que ia... como a temperatura é sempre a mesma no escritório, nem notamos que as coisas mudam lá fora; só vemos os sinais através das nossas colegas. Um ombro a mostra, às vezes dois, calças mais curtas, saias, sandálias, chinelinhas e até já vi alguns umbigos. A título de curiosidade: com o meu olhar de connaisseur consigo dizer em que estação estamos. No fundo é por isso, que olho para mulheres, para saber qual é o tempo.
Agora a sério, tenho é inveja da mulher nisso tudo. Eu, homem masculino, tenho de andar a carregar um fato e uma gravata, dia sim, dia sim; gostava também de andar por aí com mais frivolidade. A mulher sofre muito na vida: é menstruações, menopausas, dar luz aos filhos, arrancar os pêlos das pernas, casar com grandes anormais… é verdade, ninguém desmente isso. Mas andar com uma mini-saiazinha e sentir a brisa do mar na pernoca e não só... deve justificar muito sofrimento.

P.S. - Tenho há algum tempo esta fantasia de querer usar um kilt... serei o único?

10.5.07

Wanted



Cheira-me que vocês, os visitantes do Gémeo Malvado, são malta para visionar pouca televisão e que jornais nem vê-los. Por isso decidi falar-vos acerca de uma criança, a Madeleine McCann, que é inglesa e segundo consta foi raptada no Algarve.

Anda meio país à procura dela. Polícia e tudo. Anda mais gente à procura dela do que quando a filha do Nuno Lopes, a Alice, desapareceu. As pessoas menos preguiçosas, vasculham os campos e os bosques, enquanto as outras, passeiam de carro, de barco e até de helicóptero.

No entanto há malta que adoptou outra metodologia: procuram-na na praia. Vão para lá de manhã cedinho, ficam no areal a olhar, andam à beira mar, vão ver se ela está junto à rede de voleibol, a jogar com aquelas raparigas assim um bocadinho boazonas, vão ao bar da praia, dão uns mergulhos para ver se ela se afogou, e no final do dia regressam a casa. À noite quando vão procurá-la em bares e em discotecas e se fala no assunto, dizem logo: "Pá, tive o dia todo na praia e não a vi! Ve lá tu que ainda por cima apanhei um escaldão".

A mim parece-me que em vez de andarem todos à procura da miúda, deveriam antes andar à procura da mulher que está na fotografia a pegar nela e a tentar levá-la da mãe, que está mais preocupada em ver se a cera das velas escorre para o bolo, do que a tomar conta dela. A mulher é claramente suspeita.

Eu sei que muitos de vós acham que eu não deveria estar a falar assim de uma forma tão ligeira e irresponsável acerca de um assunto tão sério, delicado e até sensível. Mas garanto-vos que não deixo de sentir um profundo pesar pelo sucedido e espero que os pais a encontrem sã e salva.

Consigo até imaginar o que eles estarão a sentir neste preciso momento. É que quando eu era pequeno e ia passar férias ao Algarve com os meus pais, também me perdi deles. E olhem que ainda foi durante uns bons cinco minutos.

Foi num centro comercial que como inaugurava naquela noite, estava à pinha. O problema foi quando passámos junto à máquina de videojogos que havia lá num corredor, eu fiquei pasmado a olhar e os meus pais continuaram a andar e a olhar para as montras. Quando dei conta que estava sozinho, e fiz o que é aconselhável nestas ocasiões: chorei que nem um desalmado e chamei pela minha mãe que nem um perdido.

Logo apareceu um velho estrangeiro, que disse: "Camone, que eu levo-te para não sei onde, que a tua mãe está lá à tua espera, alright?". Assim fiz. Ainda hoje vivo com ele e chamo-lhe avô Camone, que é para distinguí-lo do outro avô que mora connosco, o avô Darling.

E posto isto, faço a seguinte pergunta: será que já procuraram a Madeleine junto à máquina de videojogos?

29.4.07

Banalidades IV

O meu jornaleiro é hindu, pelo menos é o que eu gosto de pensar. Tem ar de indiano, mas é claro que pode ser do Paquistão ou Bangladesh. Não sou especialista na matéria. Neste caso deve ser provavelmente apenas muçulamano ou apenas um reles de um cristão convertido.

Mas gosto de pensar que ele é hindu. Tem mais pinta, se eu fosse crente gostaria também de ser hindu. O hinduísmo com todos os seus deuses fantasmagóricos coloridos é bem mais interessante, que os outros cultos aqui já mencionados. Tem uma resma de deuses: Ganesha, Shiva, Lakshmi, Hanuman, Kali, Surya, Vishnu, Krishna, Saraswati; só para citar alguns nomes, e a cena das castas tambem é porreiro, sobretudo para quem é das mais altas.

Gostava de falar com ele acerca desta matéria, saber qual a sua divinidade preferida e porquê; mas se calhar ele é apenas muçulmano ou cristão, ou pior que isso, um ateu. Tal como eu.

26.4.07

As Anedotas do Zé Socas

Todos os dias, no intervalo para o almoço, venho ao blog olhar para as fotografias. Não leio nada, apenas olho para as imagens porque aqui no trabalho não temos janelas. Quero dizer, ter até temos, mas só dão para vermos pés e cães a passar. É o mal das caves. Isso e o cheiro a mofo. Já as inundações não me chateiam tanto. Aliás, é como tudo. Tem dias.

Hoje aconteceu uma coisa estranha: ao olhar pela enésima vez para a fotografia do Sócrates, ali no post mais abaixo e que aqui reutilizo, apercebi-me que o Sócrates está a fazer um fixe. Afinal de contas, acho que desde o 25 de Abril de 74, que já se deixou de usar aquilo de meter o polegar para cima ou para baixo para votar na Assembleia da República, ou lá o que era aquilo, com os leões e as pessoas à volta. Logo o primeiro ministro já não faz fixes para ninguém. Isto é, se não considerarmos as ocasiões em que ele o faz em frente ao espelho.

Se analisarmos bem a imagem, com olhos de analisar e tudo, vemos que o polegar está um bocado esquisito. Cá para mim só pode ser uma montagem fotográfica, feita para uma campanha eleitoral. É claro que essa montagem foi feita antes do choque tecnológico, daí que as aptidões de photoshop da malta da sede de campanha não serem grande coisa. No fundo, até consigo encontrar uma outra explicação para o polegar esquisito do Sócrates. Mas é um bocado mórbida. Que se lixe, direi na mesma.

Então cá vai! Partida... lagarta... fugida! Ah bolas! Foi quase! Agora é que é... 1... 2... 2 e meio... e trrrr... ...ês! Eleestáasegurarnumpolegarquearrancouaoutrapessoapossivelmenteum
traidorouatémesmoumqualqueradversáriopolítico!
Querem que a repita mais devagar? Ok, então vá. Dizia eu que ele está a segurar num polegar que arrancou a outra pessoa, possivelmente um traidor ou até mesmo um qualquer adversário político.

Ou então é daqueles dedos falsos que se compravam nas lojas do chinês. Não destas d'agora, mas daquelas que apareceram aí à uma porrada de anos atrás e que até tinham coisas bem porreiras como candeeiros de lava e aquelas latas de coca-cola que eram um rádio e que tinham uns óculos de sol e uns phones e dançavam. De qualquer forma, o efeito pretendido com esta história do dedo é o mesmo em qualquer uma das hipóteses: melindrar os oponentes e ganhar o respeito da população recenseada. Porquê? Não sei.

Seja como for, e como não tarda é noite, o melhor mesmo é concluir este texto para chamar a vossa atenção para o aspecto mais relevante desta imagem, que até foi o que me deu a ideia para escrever mas depois quase que me ia escapando. Então não é que o Sócrates parece o Cantiflas Português nesta fotografia!? Pá, olhem bem para a zona assim mais da cara e isso. É ou não é? Hã? Claro que sim!


3.4.07

Flagrantes da Vida Real



Como alguns de vós já sabem, estou a estudar em Inglaterra. Nada de especial. Já o tinha feito aqui em Portugal, mas quis fazê-lo também no estrangeiro porque diz-se por aí que este tipo de experiências transfigura-nos, molda-nos o carácter. E passados apenas 6 meses já me sinto bem transfigurado, com um monte de coisas giras e interessantes para relatar.
Para já, tenho aulas completamente em inglês (nada como as aulas fajutas de inglês do liceu); um computador só para mim (dos grandes); e aprendi a teclar mais rápido (troco mais as teclas é certo, mas compenso usando o backspace com incrível destreza).
E sem ter de levantar o rabo da cadeira vou conhecendo o mundo, como fica exemplificado neste diálogo entre dois colegas da minha turma:
Colega Sul-Africano: É verdade que na Turquia perseguem-se prostitutas de automóvel para depois lhe baterem com tacos de baseball?
Colega Turco: Nós não jogamos baseball.
É assim a vida no estrangeiro, pronta a fascinar-nos.

17.3.07

Radio Ga Ga

Nunca oiço rádio, porque existem CDS e não preciso de ouvir as escolhas de outros. Ainda por cima, o que detesto mais é gente a falar no rádio. Notícias leio no jornal ou na net. Por mim, podiam bem acabar com o rádio.

Mas ontem liguei o rádio do carro, porque tinha lido algures que toda gente que paga a conta da luz, também paga uma taxa de rádio. Considero isso muito insólito, porque como não sou ouvinte de rádio, sou obrigado a pagar a sustentação dos rádios públicos (e televisão como li mais tarde).
Bem, mas tendo lido isso lembrei me então de ligar o aparelho radiofónico. Fui logo parar na Rádio Oxigénio. Estava a dar o “Close to me” dos Cure, uma das minhas músicas pop preferidas. Sempre achei que os Cure têm lugar garantido na Valhala da música pop, onde claro, estão também os Beatles, Stones, Velvet Underground e Bowie.

Qual então não foi o meu espanto, quando ouvi que afinal era um rap manhoso por cima da genial melodia? Ainda por cima um rap, do mais manhoso que há. Blasfémia! Já não há respeito e a minha vontade de continuar a ouvir rádio, era nula.
Mesmo assim, procurei outra estação e descobri...outra vez “Close to me”, mas agora versão jazz. Não sendo tão boa como a original, essa sim, era uma versão com dignidade.
Faltava ouvir ainda versão original e como tal, desliguei o rádio e pus o “Standing on the beach” a tocar.




11.2.07

Sim, Senhoras!



Ora bem, de modos que estive até agora a visionar aquele programa televisivo d' "O Gato Referendo" e pelos vistos ganhou o SIM. Não me vou pronunciar em relação a este resultado, mas no entanto não posso deixar de congratular os vencedores da noite: todas as associações e movimentos cívicos que apelaram a voto favorável nisso de votar a favor. Destas gostaria ainda de destacar a associação "Fetos pelo SIM", que apesar de ser uma associação que visa proteger o ambiente, acabou por fazer uma excelente campanha. Parabéns a todos voçês por serem a pessoa que pessoalmente são, e obrigadinhas por existirem. Até mai' logo!

5.2.07

Abortar, Repetir ou Cancelar?



Vai já para mais de uns quinze dias, que meti um daqueles autocolantes dos correios que dizem "Publicidade Não!" na minha caixa do correio. Mas depois tive que meter outro que diz "Dica Sim!", porque gosto de ver promoções de coisas assim meio coisas que às vezes há lá. Meti também um autocolante daqueles da RR, para que no caso do repórter de trânsito passar por aqui perto e não haver carros em circulação, e eu poder encher o blusão com uma bela maquia. Finalmente, decidi meter um autocolante com o meu nome porque tava farto de receber cartas destinadas a pessoas que já morreram.
Mas todo este trabalho foi em vão. Claramente que eu não estava prevenido para uma ocorrência que seguidamente se sucedeu ali mesmo naquele local. Então não é que um bando de pessoas em manada enfiou-me um panfleto na caixa por causa deste assunto de que se fala muito agora e que tem a haver com aquilo que se debate amiúde na televisão por causa daquela coisa do aborto!? Não tenho nada contra as pessoas que são contra coisas assim do género de implantes, transplantes, lapidações, barulho ou abortos. O que me chateia é não respeitarem os autocolantes. É sabido, e até vem em livros, que os autocolantes com avisos são a argamassa que unifica esta pilha de tijolos que são as regras de conduta social desta nossa forma de vida colectiva e conjunta que é a nossa sociedade.

O tal panfleto (que na verdade até devia ser uma brochura ou mesmo um desdobrável), tinha pontos de vista, argumentos e até opiniões. E como toda a gente sabe, isto de emitir opiniões e pontos de vista é meio caminho andado para se cair no ridículo. Pelo menos é o que, do meu ponto de vista, eu acho. O pior é que o tal documento que já foi aqui previmente referido, tinha o seguinte slogan: VOTA NÃO! E isso, no meu prisma e no meu ver das coisas, está mal! E porquê? Bem, se o assunto aqui é votar, julgo que deveria existir o cuidado e o aprumo de marketing que uma coisa destas exige. É impressão minha ou isto do VOTA NÃO é muito dislexicamente parecido com NÃO VOTA!? Pois tá claro que é! Então não venham depois reclamar que muita gente absteve-se e não sei quê. Pudera! Pois tá claro que pudera! Quando se lê de esguelha, a mensagem não passa. Olhem para a malta do SIM, esses pensaram nisso! Pois tá claro que sim! VOTA SIM, SIM VOTA!

Mas o pior ainda estava para vir. Quem é que raio foi desencantar argumentos sob a forma de interrogações assim meio p'ró filosóficas? Assim daquelas que nos fazem pensar e tudo. Não sei. Só sei que eram francamente parvas. Ora vejam:
"Queremos viver numa sociedade que desprotege o início da vida humana mas protege os ninhos das cegonhas?" - O quê!? Mas que raio é isto? Então o início da vida humana e as cegonhas não são a mesma e uma só coisa? Eu cá não acredito na treta de que as crianças que nascem nas couves - se bem que isso explicaria o facto das crianças nunca as quererem comer - ou que vêm de França de comboio. Isso são os emigras e é só em Agosto, e eu por exemplo, nasci em Julho. Todos viemos das ou com as cegonhas. É esse o início da vida humana! Então e agora querem evitar o aborto mas depois não se importam com os ninhos das cegonhas!? Afinal em que ficamos?

A outra interrogação que este manifesto de defesa da vida nos fazia era a seguinte: "Queremos viver numa sociedade que por um lado dá às mães o direito de eliminar a vida do bebé, só porque têm menos de 10 semanas mas por outro lado multa quem transporta crianças sem cadeirinha?" Eu esta até percebo. De facto acho mal que em pleno século XXI, ainda exista desigualdade nos direitos entre homens e mulheres. Se dão um direito às mulheres de eliminar a vida dos seus filhos logo às 10 semanas, porque que é multam homens e mulheres quando conduzem os seus filhos sem cadeirinha? Justo seria que, aprovada a lei do aborto, multassem apenas as mulheres por não usarem a cadeirinha quando conduzem os seus filhos porque, ao contrário dos homens, estas já tiveram anteriormente a sua oportunidade de eliminar a vida dos filhos. As mulheres não podem continuar a serem umas privilegiadas como têm sido até agora. Acho bem que os homens travem estas batalhas da igualdade de direitos e fico contente por saber que a última batalha até já foi ganha - a do cancro da mama. Viva a igualdade de direitos!

Não quero com isto que me julguem um daqueles defensores ferrenhos de uma causa que ataca os argumentos da oposição e que os tenta ridicularizar ao retirá-los do contexto e que albarda o burro à vontade do dono. Não senhor! Caso ainda não tenham compreendido, eu sou a favor do NÃO, apesar de não ser contra o SIM. No fundo eu até gostaria era de militar pelo TALVEZ. Ou até o mesmo o TALVEZ NÃO ou o TALVEZ SIM. Militaria certamente pelo o LOGO SE VÊ. Com certeza que talvez sim!

Tenho em mim que isto do aborto é como o futebol. O que me mais interessa é a argumentação e não o resultado. E as semelhanças nem se ficam só por aqui: tal como alguns jogos, o aborto também calha a um Domingo. Se a ideia dos senhores que fizeram o panfleto era que a ralé votasse NÃO, então porque não usaram um argumento assim de peso? Eu passo a exemplificar: como todo o país já reparou, os finalistas d' "O Melhor Português de Sempre"são assim um bocado para o fanhoso. E eu pergunto: "Isto porquê?" Porque pelos vistos, ainda não nasceu um português que fosse suficientemente bom para ser "O Melhor Português de Sempre". E a culpa de quem é? É do aborto, pois é claro!

28.12.06

O Português é Ecologico



Já estive em outros países por esta altura e aquilo era só aquecimentos centrais, lareiras, salamandras e outros aquecimentos acessos em qualquer estabelecimento. Aqui não, aqui as casas, autocarros, bancos, escolas e mesmo hospitais, raramente têm dessas modernices.
Muita estrangeirada não tem noção disso, porque pensa que o sol abunda todo o ano em terras lusas. Aí é que se enganam, esses bifes, porque cá temos também uns bons meses de frio e chuva, sem essas paneleirices de aquecimentos. Aqui poupa-se em petróleo, gás natural, carvão e madeira; fontes de energia cada vez mais escassas. Sim, é verdade meus amigos, o povo Português no fundo é um povo ecológico.

Faz parte da pedagogia Portuguesa, que as crianças desde cedo têm que estar nas aulas de casaquinho e às vezes com luvas. Serve para fortalecer o carácter, prepara a criançada para o grande combate que é, no fundo, a vida. Muitas casas além de não ter aquecimento, também não têm essas coisas do vidro duplo ou isolamento térmico. Isto também poderá ter a ver com o pensamento ecológico, o vidro (isolamento térmico é feito de fibra de vidro) ainda é abundante, mas um dia poderá vir a acabar.

Mas tudo isto que referi, não se prende apenas à Ecologia, porque quando o vento gélido entra nos lares portugueses, por baixo das janelas ou por rachas no telhado, podemos traçar uma linha directamente para nossos gloriosos antepassados. Esses marinheiros destemidos que navegavam por grandes tempestades e que também rapavam grandes frios e humidades nas suas caravelas. Sentir o frio na pele, e até ao osso, faz parte da Alma Portuguesa. E até digo mais, o Fado foi sem dúvida inventado numa noite chuvosa e fria, ao pé de uma lareira e com o dente a bater. E não debaixo do Sol, numa qualquer "ocidental praia Lusitana".

18.12.06

A Minha Táctica



Começou mais uma vez vez a corrida de Natal. Milhares de pessoas a gastar as poupanças nas lojas e milhares lojistas a esfregar as mãos de contentes. Eu também comprei prendas, estimados leitores, mais por obrigação que propriamente por livre vontade. Houve uma altura na minha vida em que tentei dizer não a esta festa de consumo. Todos os anos é a mesma coisa, o que hei-de comprar para o tio Manel, mais uma gravata ou mais uma garrafa de whisky? ...uh...Vai mais uma gravata... porque a tia Zulmira não gosta que o tio Manel beba. E para tia Zulmira...vai pela 20ª vez uma caixa de chocolates?

Para mim isso tudo acabou, porque desde há um par de anos, só compro livros, DVDs e CDs, ou seja apenas cenas culturais. O tio Xavier só fez a terceira classe e mal sabe ler!? Não importa, porque um livro pode servir como um incentivo para começar a adquirir este hábito tão bom. Neste caso se a leitura for banda desenhada pode ajudar também. A Tia Gertrudes já não ouve bem e ofereceste um CD? Não faz mal, desde que seja Sepultura ou Napalm Death.

Nós, os compradores da prenda, também ganhamos com esta táctica. Sempre quiseste ter o triplo da Maria Callas ao vivo na La Scalla ou a caixa com a filmografia completa de Ingmar Bergman, mas não podias porque tinhas sempre de te conter por causa das tuas finanças? Agora já podes comprar, porque com uma só prenda fazes duas pessoas felizes. Pois claro, os DVDs, os CDs, os livros vejo, oiço e leio antes de oferecer. Isso é, no fundo, uma situação win–win, como se diz no jargão do mundo empresarial. Usufruo dos bens à pala e quem os recebe, fica logo a saber se o presente é bom ou mau.

9.12.06

Mad World



Que há muita loucura neste mundo, isso toda gente sabe, mas vejam esta história que li há uns dias atrás :
Uma mulher suspeita de um furto num talho foi perseguida por dois polícias. Ao ser apanhada, tentou fugir baixando as calças. "Não conseguia acreditar os meus próprios olhos" disse um dos agentes. A mulher, que mais tarde saiu em liberdade condicional, tinha roubado três nacos de carne de cordeiro.
Um homem de 38 anos que viu tudo da sua casa, tirou a foto. "Não se vê algo assim todos os dias" afirmou o homem. E nós acreditamos nas suas palavras. Era de facto bom, se todos os dias uma mulher baixasse as calças em frente da nossa janela.

2.11.06

E logo eu que sou um cidadão honesto e nem sequer faço mal a uma mosca... morta.



Hoje acordei com a mosca. Não foi com a mosca do sono, nem com uma daquelas que alguns homens usam entre o lábio inferior e o queixo e que são feitas de barba. Odeio essas. Aliás, odeio todas as barbas que não sejam a de três dias ou barba assim p'r'ó crescida. Nem percebo sequer de onde vêm os nomes de tais opções capilares... mosca, pêra e Suiça!? Pá, são ridículos! Mas que raio estavam os gajos ordem dos barbeiros a fazer naquele primeiro congresso em que ficaram de definir a deontologia profissional, o nome das ferramentas e os estilos de barba? Cá para mim só podiam estar a fazer uma coisa: jogar ao stop. Em que outra altura é que alguém escreve num papel um nome de um animal, dum fruto e dum país? Só mesmo num jogo do stop. Seria bem mais fixe se tivessem jogado à Batalha Naval. Quem é que não gostaria ter um estilo de barba chamado "Torpedo", "Porta-Aviões" ou "Submarino"? Para começar, as mulheres...

Voltemos então à mosca. Acordou-me, foi defecar para o vidro da janela e ficou a olhar para mim, enquanto esfregava as mãos, com aquele ar de quem está a fazer porcaria só para me provocar. Lá tive eu que ir lavar os vidros. O meu pai só me deu dois conselhos na vida e ambos, curiosamente, envolviam jornal. O primeiro era que se algum dia eu dormisse na rua, que me embrulhasse em jornal por causa do frio. O outro enunciava as qualidades do papel de jornal na limpeza de vidros.

Posto isto, comecei a interrogar-me acerca da razão das moscas gostarem tanto de sarapintar tudo quanto é sítio e porque é que são sempre tantas nesta época. Mas como as únicas coisas que sei acerca de moscas foram aprendidas no filme "A Mosca", não concluí grande coisa e lá fui chamar um cidadão sénior, daqueles que já por diversas vezes caiu num poço de sabedoria popular e quase se afogava em provérbios. Disse-me que agora "as moscas estão moles". Arre gaita! - pensei cá para mim - moles também estão os ovos e não é por isso que me vêm cá a casa cagar as paredes e os vidros.

17.10.06

Always Think Happy Thoughts...



Olá rapaziada e afins. Hoje, e ao contrário do que é costume, não venho para aqui maldizer nada nem ninguém. Também não venho falar do meu emprego novo, de entrevistas para empregos novos, gravatas ou refeitórios que servem 5 pratos diferentes.
Venho sim trazer uma boa nova e uma mensagem de esperança para todos nós. Jovem, gosta de ler? Então vá...

Recentes estudos científicos de alto gabarito concluem que até 2013, o Sol irá aumentar a emissão de raios ultravioleta (UV) na direcção do nosso planeta. Esses raios UV entrarão em plena actividade hoje, 17 de Outubro de 2006 a partir das 10h17 e continuarão a Terra até à 1h17 de amanhã, sendo a hora cúspide hoje às 17.10.
E o que significa isto? Muita gente deve estar a interrogar-se: "Vamos ter de usar aqueles óculos de ver o eclipse? Ou aqueles óculos 3D d' "O monstro da lagoa negra"? Uns óculos da loja do chinês não servirão? E é verdade que os chineses raptam pessoas em suas lojas para tráfico de orgãos? Isto dos UV não dá para nos bronzearmos como tivéssemos ido para os trópicos?"
Nada disso, meus caros! Nada disso! Dizem os cientistas e alguns seres isotéricos, que estes raios UV irão provocar o aceleramento da matéria a nível molecular, ou uma coisa assim do género, não sei explicar muito bem porque fui do agrupamento de Artes, e não do Científiconatural. Mas é como se o nosso metabolismo fosse amplificado por estes raios vindos do espaço. As nossas ligações neurónicas, sinapses e coisas assim do género ficarão assim dum modo que nos darão super-poderes, tão a ver? Algumas correntes de pensamento assim mais filosófico e metafísico afirmam que toda a matéria manifestada é o resultado dos nossos pensamentos. Isto significa que estes raios UV potenciarão os pensamentos focados naquilo que desejamos, manifestando-os um milhão de vezes mais rápido do que é normal.
Ora, como isto tanto pode dar para o bem como para o mal, e tendo em conta que a coisa já não anda nada bem, mais vale termos pensamentos assim bonitos, hã? Então vá, toca a ter pensamentos bonitos e altruístas durante todo o dia e lá por volta da hora de despegar do serviço façam-no com mais intensidade, OK?
Até porque será meu desejo que, quem não tiver pensamentos felizes hoje, vá parar a um campo de milho para todo o sempre. E olhem que não é para dois terços do sempre, é para todo o sempre mesmo. Ouviram?

5.7.06

Preços mais baixos...

Ontem encontrei na minha caixa de correio (não electrónica, mas sim verdadeira) um folheto do Pingo Doce. Um folheto diferente dos das habituais das cadeias de supermercados, porque não trazia publicidade a promoções ou produtos. Apenas fazia alusão ao artigo na Proteste onde o Pingo Doce é, juntamente com o Mini Preço, a cadeia mais barata.
Há alguns anos atrás não era. Sim, no panfleto, trazia um gráfico no qual podíamos ver a descida dos preços do Pingo e a subida dos preços no resto de Portugal. Porque é verdade, a vida em Portugal não se tornou mais barato nos últimos anos. Os impostos, os combustíveis, os serviços, os cigarros…tudo têm preços mais elevados, menos o pingo Doce. Como é que eles conseguiram isso, pergunta eu? Apenas vendem agora produtos do terceiro mundo em prol dos nacionais (que vão assim a falência) e fabricados por presos políticos? É a custo do salário da simpática rapariga da caixa? É a custa do ti Manel que tem de lavrar a sua plantação de couves, sete dias por semana para ser sustentável? Ou é a custa da fortuna do Jerónimo Martins que já não cresce tão depressa porque há menos lucro?
Vou deixar estas perguntas no ar….

12.5.06

Feira de Maio em Leiria



Chega uma altura na vida de toda a criançola, e labregos que já namoram, de serem levados e levarem-se à feira de Maio em Leiria, uma cidade bela no centro de Portugal que se torna, com efeito, na capital da bimbolândia em Maio.
Feirantes gordurosos, vendem as suas traquitanas, e apergoam aos microfones viagens destemidas nos seus carróceis. Pavilhões de circos multicolores com as bandeirinhas orgulhosas desfraldadas ao vento, cada bimbo canta a sua música pimba em surdina, e esse fenómeno comove quem vê; ao ponto de pensar que estamos num país novo, mais moderno, mais alegre, mais saloio.
Quem entra, admira Edison e as suas lâmpadas eléctricas, quem se senta numa viagem lembra-se de Edison, e a nossa lei da gravidade.
Percorre-se à pressa as barracas que vendem briquabraque, e entra-se numa barraca de campanha, grande com comes e bebes, a comida meditrânica foi substituída por uma gastronomia de feira, os templos de oração; as capelas, os santuários deram lugar a um estaminé chamado cantinho místico, e no meio do New Age, o visitante torna-se pagão. Por isso é que Deus castiga, e manda chuvas em Maio, para desbaratar de Sodoma, os pecadores.
Deste modo, é com pleno alívio de um crente que não descrê que vejo chegar o dia da cidade, o nosso feriado 22 de Maio. A vida chega a ser um pouquinho mais normal a partir desse dia.